Tag: Raptors (Page 2 of 3)

[Previsão 16/17] Raptors: a temporada passada como um espelho

O Toronto Raptors começou a temporada passada atormentado por um fantasma: há 15 anos o time não passava do primeiro round dos playoffs. Para piorar, nos dois anos anteriores, o time tinha sido eliminado no primeiro confronto do mata-mata mesmo com o mando de quadra.

Um desempenho melhor era obrigatório não só para que o time mantivesse o técnico Dwane Casey, mas também para não provocar uma debandada geral no elenco. Era fato: se não fosse para a fase seguinte nesta temporada, uma grande reformulação aconteceria no time canadense.

O time conseguiu. Se classificou com a segunda melhor campanha do Leste e, entre trancos e barrancos, entre atuações ruins de Lowry e Derozan, passou por Pacers e Heat, ambos em séries de sete jogos.

demar-derozan-kyle-lowry

A pressão saindo melhor que a encomenda. A franquia atingiu sua primeira final do Leste na história e ainda conseguiu descolar duas vitórias contra o Cavs – feito que nenhum time da conferência conseguiu contra o campeão da NBA.

Para este ano, não dá para esperar mais do que isso. O Cavs ainda é o time a ser batido daquele lado do mapa. Repetir o feito é um objetivo mais plausível – ainda que agora enfrente uma concorrência mais acirrada com a evolução de Indiana e Boston.

Offseason
O time conseguiu renovar o vínculo de Demar Derozan, que era o maior desafio da franquia. Para a vaga de Bismack Biyombo, que deixou o time depois de uma excelente série de playoffs, o Toronto buscou Jared Sullinger, que é infinitamente mais talentoso no ataque.

Time provável
PG – Kyle Lowry / Cory Joseph
SG – Demar Derozan / Norman Powell
SF – Demarre Carroll / Terrence Ross
PF – Jared Sullinger / Patrick Patterson / Pascal Siakam
C – Jonas Valanciunas / Jakob Poetl / Lucas Nogueira

Perspectivas
É fácil um dos quatro melhores times do Leste. Só pode sonhar com algo melhor do que a temporada passada se seu time chegar inteiro para as finais (ano passado chegou totalmente baleado por lesões) e contar com o azar dos concorrentes, principalmente o Cleveland.

Vá em paz, Raptors

O Toronto Raptors venceu mais uma vez o Cleveland Cavaliers na noite de ontem, empatando em 2×2 a final de conferência Leste. Não foi uma vitória tão retumbante como a primeira, três dias atrás, quando o time venceu por 15 pontos de vantagem, mas foi uma vitória, como posso dizer, mais legítima. Toronto venceu jogando bem, com suas estrelas fazendo tudo que podem e contra um rival que jogou em alto nível boa parte da partida, especialmente os dois últimos quartos.

Não acho que o Raptors vá ter gás e qualidade suficiente para vencer mais dois jogos, sendo pelo menos um deles na casa do adversário, mas a franquia surpreendeu a todos nos últimos jogos desta série e vai cair ‘de pé’. Cleveland é o grande time do Leste e o máximo que Toronto podia fazer, foi feito: beliscar uma ou outra vitória e atrapalhas ao máximo a campanha do Cavs até a final. E vai ser assim.

20408886-mmmain

Biyombo apareceu, Derozan e Lowry finalmente jogaram tudo que podiam e o Raptors vai cair com dignidade diante do Cavaliers

A história do Toronto nestes playoffs seguiu um enredo de filme. O time chegou com uma campanha excelente, vantagem no mando de quadra, mas com um tabu perturbador de sempre perder para um time em piores condições logo na primeira fase. Isso quase aconteceu. Seus principais jogadores foram muito mal e Valanciunas, um herói improvável, apareceu. No segundo round, o lituano se machucou e o time mais uma vez levou a disputa até o último jogo. Impossível que fosse mais sofrido.

Para completar, começou a série final contra o Cleveland apanhando duramente. Parecia que Lebron, Kyrie e companhia iriam passear mais uma vez. Mas, como num filme ruim e previsível da Sessão da Tarde, o time mais fraco se superou. Aquele cara que não jogava nada, Bismack Biyombo, deu a vitória para o Raps em uma lavada contra os favoritos. No segundo jogo, Lowry e Derozan, que decepcionaram o mata-mata inteiro, finalmente desencantaram e tiveram a melhor atuação de uma dupla em playoffs desde Barkley e Majerle, no início da década de 90.

Para quem entrou nos playoffs com medo de ser eliminado logo de cara, vencer dois jogos do até então soberano Cleveland é um resultado bem digno para qualquer franquia do Leste. Tenho certeza que o Raptors vai cair, mas vai ser de pé.

 

Complexo de vira-latas canadense

Dos quatro times que ainda disputam alguma coisa na temporada deste ano, o único que eu não consigo imaginar de maneira alguma erguendo a taça de campeão daqui algumas semanas é o Toronto Raptors.

Não é exatamente pelo elenco. O time tem uma dupla de all stars e possivelmente um dos melhores bancos da NBA – seguramente um dos dois melhores ainda na disputa do caneco, na frente do Thunder e do próprio Cavaliers.

NBA: Playoffs-Indiana Pacers at Toronto Raptors

Lowry e Derozan parece que desaprenderam a arremessar: sintoma de falta de confiança

Não é pela campanha. Na temporada regular, o time foi um dos poucos que manteve o mesmo ritmo do início ao fim. Em diversos momentos foi melhor que o rival de conferência, Cleveland. Aliás, a gente nem se dá conta, mas tem mais vitórias no ano que o o Oklahoma City Thunder!

Mas acho que é por esse lance de já ter entrado no mata-mata pensando, acima de tudo, em não perder na primeira rodada. Nos dois anos anteriores, a franquia tinha sido eliminada logo de cara mesmo com um time mais forte do que o rival e com o mando de casa a seu favor.

Na melhor campanha da sua história, lá em 2001, perdeu no último lance do jogo 7 para o Philadelphia 76ers na semifinal de conferência. Vince Carter errou um chute no estourou do cronômetro, que até hoje apita na orelha dos torcedores de Toronto.

Por esse e outros finais trágicos nos playoffs, Toronto entrou com medo de perder pra ele mesmo. De mais uma vez ‘dar vexame’ ou ‘amarelar’.

Eu acho que de certa forma o time até tentou capitalizar com esse clima de ‘nós contra eles’ (e todo aquela coisa de #WeTheNorth) e que, se dá resultados, se motiva o time, é algo positivo. Mas me parece que é uma campanha que, no final das contas, não se consuma – perturba mais do que embala a franquia.

No começo da semana aconteceu algo bem emblemático. O prefeito de Toronto publicou uma carta espinafrando a CBS, rede de tevê americana, por conta de uma enquete que o site do canal lançou perguntando quem seria o campeão da NBA. Dá uma olhada:

poll

Sim, só olhando assim parece que é uma pergunta com alternativas bem cretinas. O problema é que, como esclareceu o canal, a enquete foi publicada ANTES da série entre Raptors e Heat estar definida. Claro que uma alternativa “Toronto/Miami” resolveria melhor as coisas, mas o “Outros” só estava ali porque, naquele momento, o Raptors ainda não tinha se classificado!

E este é só um exemplo. Me parece aquele caso típico de que alguém fala algo e o outro, complexado, se entrega. Tipo quando você fala qualquer coisa pra um amigo e ele já retruca com um “você tá dizendo que eu tô gordo?”, “sim, eu sei que você me acha velho”, sabe? Enfim…

A queda de desempenho do time, baseada principalmente na dificuldade em meter as bolas na cesta, parece ser um sintoma da total falta de confiança do time – afinal, ninguém que acerta 50% das bolas durante toda a carreira desaprende a arremessar assim de uma hora para outra. E não dá nem pra culpar o cotovelo machucado de Lowry, porque Derozan, ileso, está com o mesmo problema de mira.

Acho uma pena. O time é bom e poderia beliscar uma ou outra vitória do Cavaliers. Na temporada regular, inclusive, a equipe canadense venceu duas e só perdeu uma no confronto entre os dois times. Mas pelo o que estamos vendo nos últimos jogos e, em especial, no primeiro confronto da série, o time que quer ser campeão vai varrer o time que só queria vencer o tabu de passar da primeira fase.

 

A derrota do small ball

Não existe uma verdade absoluta no basquete. A série entre Miami Heat e Toronto Raptors chegou ao jogo 7 com os dois times completamente arrebentados para nos lembrar disso. A grande máxima do jogo hoje é o ‘small ball’ – só porque o Golden State Warriors ano passado bateu o Cleveland Cavaliers sem jogar com um pivô lá dentro do garrafão maior parte do tempo muita gente acha que esta é a única maneira de se jogar basquete daqui em diante. Não é. O ‘small ball’ é um recurso apenas, que pode ser usado por um time com algum talento incrível para chutar de fora no ataque e muita versatilidade na defesa ou então quando não há qualquer opção confiável dentro do garrafão.

Ontem o Miami Heat começou o jogo contra o Toronto Raptors com uma lineup que se deu bem nos momentos cruciais dos últimos jogos decisivos da série: Goran Dragic, Dwyane Wade, Joe Johnson, Justise Winslow e Luol Deng. O maior jogador do quinteto é Deng, com 2,06, e uma carreira inteira jogando como ala. De resto, os jogadores com no máximo 2,01 (um ala e três armadores). A formação é muito ‘menor’ do que ‘small ball’, é uma formação ‘super tiny ball’. Do outro lado, Toronto entrava em quadra com seus titulares naturais diante das lesões: Kyle Lowry, Demar Derozan, Demarre Carroll e Bismack Biyombo. A única mudança de última hora foi a entrada de Patrick Patterson, um ala que sabe jogar em qualquer posição entre small forward e center.

Ué, um time baixo com vários caras super móveis, com chute suficiente de fora e esforçados na defesa deveria dar um baile em uma equipe com dois grandalhões de ofício lá embaixo da cesta, não? Não. Toronto fechou o jogo com mais de 20 pontos de vantagem e o dobro dos rebotes do time da Florida na partida mais tranquila de toda a série. Biyombo, que sempre foi tão ameaçador quanto um bonsai no ataque, teve uma performance excelente, de 17 pontos e 16 rebotes.

Eu não condeno o Miami Heat de tentar esta tática, afinal, Chris Bosh e Hassan Whiteside, donos do garrafão do time, estão fora de combate. Amare Stoudemire defende o mesmo que um James Harden, só que com dez anos a mais e dois joelhos a menos. O time não tinha saída mesmo. O que eu condeno é o endeusamento de uma tática que dá certo para um time excepcional, mas que não é a receita de vitória para todos – vide o vitorioso Raptors.

O ‘super tiny ball’ do Heat deu certo no jogo passado justamente porque Biyombo é uma mula e nem sempre vai conseguir tirar vantagem do seu tamanho e sua força, mas definitivamente não é um esquema confiável que se deva apostar sempre.

Um jogador de ofício lá dentro do garrafão era tão necessário ao Heat que o único que tinha à disposição, Josh McRoberts – uma versão com todos os defeitos e poucas qualidades de Chris Bosh, para você ver o nível…-, jogou 15 minutos e se fosse possível contar só o tempo que esteve em quadra, o Miami teria vencido por um ponto.

IMG_1559

O small ball do Heat transformou Bismack Biyombo em um herói improvável

Lógico que esta derrota do ‘minúsculo’ Miami não decreta o fim do ‘small ball’, mas espero que sirva para desmentir uma convicção que muita gente tem. Toronto deve jogar com um pivô sempre que possível contra o Cleveland, especialmente quando Tristan Thompson ou Timofey Mozgov estiver em quadra. Do outro lado, mesmo quando o Warriors correr com um time baixo, o Thunder deve manter sempre dois do trio Ibaka/Adams/Kanter (que ganharam a série contra o Spurs).

Afinal, o basquete não é um esporte de gigantes há um século por acaso.’Small ball’ é pra quem pode – como o Golden State. Ou pra quem não tem mais alternativa – como foi, por um tempo, para Miami. Mas não será sempre a solução.

Em frangalhos

A última vez que isso aconteceu foi em 2001. Milwaukee Bucks, de Ray Allen e Glenn Robinson eliminou o Charlotte Hornets de Jamal Mashburn e Baron Davis por 4 a 3. Do outro lado da chave, Philadelphia 76ers de Allen Iverson bateu o Toronto Raptors de Vince Carter e Antonio Davis no último jogo também – em um final de partida lendário, que Carter errou o arremesso final no estouro do cronômetro. Sixers e Bucks então se enfrentaram na final de conferência e também foram às últimas consequências para decidir quem seria o campeão. Sixers passou mas chegou arrebentado na final contra o Los Angeles Lakers, que não tinha perdido uma partida dos playoffs até então. No final das contas: 4 a 1 para o time amarelo e roxo não lá muito equilibrada.

Trocando os nomes dos times e dos jogadores, o cenário é o mesmo deste ano no Leste. Toronto Raptors e Miami Heat foram sobreviventes de séries que se arrastaram por sete jogos e, da disputa entre os dois, novamente o combate durou até o último jogo. Seja lá quem passar, vai enfrentar um Cleveland Cavaliers invicto, descansado e cheio de moral.

Naquela oportunidade, o Los Angeles Lakers, igualmente estelar como o Cavs deste ano, fechou a final do Oeste em quatro jogos e esperou dez dias para que entrar em quadra novamente. O Philadelphia, que tinha jogado já 14 vezes nos últimos 28 dias, teve só dois dias de descanso até que as finais da NBA começassem. Uma diferença desleal.

image

Miami e Toronto: acabados depois de 14 jogos de porradaria em 28 dias

Mais uma vez, a história se repete: Miami e Toronto jogaram uma vez a cada dois dias no último mês, enquanto o Cleveland tem uma média de um jogo a cada quatro dias, favorecido pelas duas varridas que aplicou. E até domingo, quando Heat e Raptors se matam pela vaga no jogo derradeiro, o Cavs vai ter completado uma semana de calmaria. Tanto tempo que Richard Jefferson postou um vídeo no seu Snapchat conversando com Channing Frye falando que os jogadores do Cleveland não têm mais o que fazer com tantos dias de folga. “Muito netflix” define Frye no vídeo, em tom de chacota.

Além da diferença brutal entre os elencos, que só aumentou ao se comparar as performances de playoffs do Cavs com os outros dois times, o time de Ohio chega inteiro e fresco para a disputa. Já Heat e Raps colecionam desfalques – e quem continua jogando, está cada vez mais baleado.

Independente de quem passe, seja o cascudo time do Heat ou o bem montado Raptors que ficou em segundo na temporada regular, a final tem tudo para ser um passeio do Cleveland. As circunstâncias indicam isso. E a história confirma.

A pior/melhor série

1:30 para o final da prorrogação, algum torcedor sentado na linha de fundo da American Airlines Arena derruba um copo na beirada da quadra e uma dezena de cubos de gelo invadem o campo de jogo. Os juízes param a partida para que o pessoal limpe o piso. A piada é infame, mas o incidente consegue esfriar ainda mais uma partida em que ninguém acerta nada. Uns 15 segundos mais tarde Dwyane Wade corre para a bandeja e a bola estaciona equilibrada no fundo do aro, sem cair na cesta nem fora dela. A poucos segundos do final da quarta partida entre Heat e Raptors, os dois lances bizarros simbolizam o que tem sido a série entre os dois: um inusitado show de horrores.

https://www.youtube.com/watch?v=n2oULNmaREw

O confronto registra o pior aproveitamento dos arremessos de todo o mata-mata deste ano, com as duas equipes acertando apenas 44% dos seus chutes. É também a série com maior média de bolas desperdiçadas por partida, com média de 28 turnovers por jogo.

Ao mesmo tempo, apesar de jogos com muito mais jogadas sofríveis do que impressionantes, o confronto tem sido o mais equilibrado dos playoffs em anos. Foi só a terceira vez na história que uma disputa vai a três prorrogações nos quatro primeiros jogos de uma série.

As duas jogadas finais do tempo regulamentar, que levaram o último jogo ao overtime, dizem muito sobre o confronto: primeiro Wade cruza a quadra toda como um maluco e salta para a bandeja no meio de três defensores. Depois, Cory Joseph pega a bola na defesa, bate a laranja até a cabeça do garrafão e força o arremesso sem um mísero passe. Os dois lances mais importantes da partida até aquele momento não tiveram qualquer jogada desenhada.

Muito dessa falta de qualidade pode ser creditado ao desempenho pífio dos, em tese, melhores jogadores das duas franquias.

Da parte do Toronto Raptors, a dupla de armadores do continua agonizando em quadra. Somados, Kyle Lowry e Demar Derozan chutaram 6 bolas certas em 28 tentadas no jogo de ontem. De três, foram 8 tentativas e nenhum acerto – e uns air balls. Para completar, Lowry foi eliminado por faltas e Derozan ficou maior parte do último quarto do tempo normal no banco. Na prorrogação, inclusive, as únicas coisas que ele foi capaz de fazer foi levar um toco e perder uma bola.

Do outro lado, Joe Johnson está terrível. Depois de um bom começo de passagem pelo Heat, o jogador vem tendo um desempenho sofrível nos playoffs. Até agora não acertou nenhum chute de três na série contra o Raptors (foram 10 tentativas). Goran Dragic fez quase tantas faltas e turnovers quanto cestas ao longo dos quatro jogos. E o banco do Miami pena para conseguir pontuar (neste último jogo, perdeu de 34 a 19 para os reservas do Toronto). Wade, que é um chutador de longa distância abaixo da média, é quem tem o melhor aproveitamento de três da série toda, com 60% de acerto – o que diz muito sobre a mira dos demais jogadores.

Por fim, dois jogadores que estavam salvando a lavoura se lesionaram e devem desfalcar seus times para o restante do combate: Jonas Valanciunas já está certo que não volta nas semifinais de conferência e Hassan Whiteside está afastado por tempo indeterminado.

Diante de tudo isso, está absolutamente impossível prever o que pode acontecer. O palpite mais seguro é apostar que os próximos três jogos serão uma zona completa, mas disputados posse a posse de bola – como foram todos os jogos entre os dois times até então. O equilíbrio quase sem precedentes da série é um alento depois de um primeiro round que teve a maior diferença média de pontos em todos os tempos.

Está duro de assistir, mas ao menos está emocionante. Não é de todo mal.

NBA Store vende camiseta do Toronto com bandeira dos Estados Unidos

Não é preciso ser nenhum ‘devorador de Atlas’ para saber que Toronto fica no Canadá, né? Aliás, é o único time fora dos EUA atualmente na NBA. O time, inclusive, se aproveita disso para inflamar sua torcida com o suposto orgulho canadense. O principal deles é o lema “We the North”, que deixa bem claro que a equipe representa ‘o lado de lá’ da fronteira.

Por outro lado, a NBA Store lançou uma linha de camisetas com os nomes dos times e a bandeira do seu país, naquela ~vibber bem patriota que a maioria dos americanos adora. Só que o designer responsável pela arte pelo visto ESQUECEU que Toronto não está em território americano!

toronto tshirt

shirts

A camiseta ficou um dia no ar à venda, mas logo o erro foi notado e o modelo foi retirado da loja. Minutos mais tarde, a t-shirt reapareceu com a bandeira do Canadá ao fundo. O porta-voz da Fanatics, empresa que opera a loja online da NBA, Meier Raivich, explicou em entrevista ao Wall Street Journal que a camiseta do time canadense com a bandeira dos EUA nunca esteve efetivamente à venda, o que aconteceu foi apenas um upload da imagem errada, que logo foi arrumada.

imagem correta

Tudo depende de Lowry e Derozan

Parece cretino dizer isso hoje, depois de Kyle Lowry acertar um arremesso espírita do meio da quadra que levou o Toronto Raptors para a prorrogação contra o Miami Heat, mas a verdade é que se Lowry e Demar Derozan não acertarem a mão nos próximos jogos da série, é quase impossível que o Toronto faça jus à sua segunda colocação na temporada regular e passe para a final de conferência.

Ontem, apesar do chutaço absurdo que empatou o jogo com o cronômetro zerado, Lowry, principal jogador do Raptors, teve um desempenho sofrível. Não tinha acertado um mísero arremesso até o último período de jogo. Exceto o arremesso final, Kyle errou todos os outros seis chutes de três que tentou. No total, fechou a partida com sofríveis 3-13 de field goal.

O insucesso dele também prejudica o jogo de Derozan. O shooting guard é extremamente atlético, mas é um arremessador previsível e limitado. Sem a ameaça de Lowry, Derozan fica ainda mais visado – e suas habilidades ficam ainda mais limitadas.

O jogo 1 entre Miami e Toronto foi uma repetição do que o time canadense viveu no primeiro round dos playoffs. Kyle Lowry e DeMar DeRozan tiveram jogos terríveis contra o Indiana Pacers. A ponto do time com a segunda melhor campanha do Leste, o Toronto, penar para bater um time bem mais limitado – totalmente dependente da inspiração de um único jogador.

Pela primeira vez na história um time venceu uma série de playoffs com seus dois principais pontuadores acertando menos do que 33% dos chutes de quadra. A produção de pontos dos dois armadores foi 30% menor do que se comparado com suas médias na temporada regular. Pegaram 20% menos rebotes. Chutaram pífios 16% da linha de três.

medias

É difícil imaginar que o Raptors, por melhor que tenha ido na temporada regular, seja capaz de avançar se as coisas continuarem ruins deste jeito. Na série contra o Indiana Pacers, o pivô Jonas Valanciunas salvou a lavoura, pegando 35 rebotes ofensivos ao longo da série (impressionante média de oito por jogo), o que amenizou, de certa forma, a falta de pontaria dos seus colegas. O banco do Toronto também foi outra vantagem diante do minguado elenco do Pacers.

Contra o Heat, a história é outra. Dentro do garrafão, Hassan Whiteside engrossa as coisas para o lado do livô lituano do Raptors, já que foi o terceiro melhor reboteiro da temporada. No primeiro jogo já vimos Valanciunas passar em branco nos rebotes ofensivos, evaporando qualquer chance de pontos a partir de arremessos errados da backcourt do Toronto.

O banco do Miami também não é tão raso quanto o do rival anterior. Se Dwyane Wade e Goran Dragic não são primorosos na defesa (bem abaixo do que eram George Hill e Paul George), os calouros reservas Justise Winslow e Josh Richardson devem ter como tarefas primordiais acabar com o jogo da dupla de armadores do Toronto.

Indiana Pacers v Toronto Raptors - Game One

A dupla tem acertado menos de um terço dos arremessos tentados

O backcourt do Miami, aliás, é o terceiro que menos permite pontos dos adversários e o segundo que menos deixa rebotes para os armadores rivais. Neste cenário, os armadores do Toronto não precisam só reencontrar a boa forma, como precisam superar uma defesa sólida.

O jogo de ontem mostrou que, pelo menos, as coisas podem ser equilibradas nos próximos seis jogos. Especialmente se as estrelas do Raptors jogarem como tal.

 

GM do Raptors pediu para torcedores sairem mais cedo do trabalho

Não é só no Brasil que a TV manda no calendário e nos horários dos jogos. A rodada de ontem tinha apenas dois jogos entre times do Leste agendada. Para que os horários ficassem compatíveis com a transmissão nacional, ficou definido que uma partida seria às 18h e a outra começaria às 20h30 no fuso da costa leste. No final das contas, ficou decidido que Toronto e Indiana jogariam no primeiro horário e Boston e Atlanta ficariam entrariam em quadra na partida seguinte.

Acontece que tradicionalmente as rodadas começam às 19h, para dar tempo do pessoal sair numa boa do trabalho e chegar nos ginásios a tempo. Marcando o jogo para uma hora mais cedo, a lotação máxima do ginásio logo no tapinha inicial de jogo poderia ficar comprometida. O caso de Toronto é ainda mais problemático: tradicionalmente os torcedores sem ingresso ficam do lado de fora do ginásio, numa espécie de fan-fest batizada de Jurassic Park, assistindo ao jogo por um telão. Para entrar na arena é preciso romper a barreira enorme de pessoas formada pelo aglomerado ao redor do Air Canada Centre.

Para garantir que os fãs do time conseguiriam entrar no ginásio a tempo, o General Manager do Toronto Raptors, Masai Ujiri, enviou uma carta solicitando a dispensa dos torcedores alguns minutos mais cedo dos seus respectivos trabalhos. O apelo é endereçado aos chefes do pessoal e fala que é necessário sair mais cedo do serviço para que o torcedor esteja a tempo “nas arquibancadas, do lado de fora do ginásio ou até mesmo em casa, diante da televisão”.

Cg_NvIlU4AEDJ-C.jpg large

Já tinha rolado algo parecido na semana passada, quando Dallas Mavericks recebeu o Oklahoma City Thunder. O jogo naquela oportunidade também foi marcado para o final da tarde no horário local para atender a grade da TV e o dono do Mavs fez uma postagem nas redes sociais com uma carta-apelo aos chefes dos torcedores. A diferença é que não tinha o tom formal de um, sei lá, ofício endereçado aos coordenadores, gerentes e diretores como foi o caso do pedido do Raptors.

Alías, teve outra diferença: no caso do Dallas, o time perdeu em casa para o OKC, enquanto o Toronto conseguiu vencer o Indiana e abrir 3-2 na série. E com casa cheia desde o início do jogo.

Torcedor viajou 6 mil km para ver o Raptors perder

O Toronto Raptors estava embalado: 7 vitórias nos últimos 10 jogos e diminuindo cada vez mais a vantagem do Cleveland Cavaliers, que lidera a Conferência Leste. O time canadense também só tinha perdido 8 jogos em casa, o que lhe conferia a quarta melhor campanha com mando de quadra. Até que aparece um pé frio para estragar a festa.

Pois é, um camarada saiu do Japão, viajou mais de 6 mil quilômetros, disse que guardou dinheiro, economizou e o caralho a quatro APENAS para ver o time jogar naquela noite. E, óbvio que não podia ser diferente: o Raptors perdeu para o Oklahoma City Thunder.

Não que fosse uma partida fácil – e se o rapaz sabe RIR DE SI MESMO ele deve ter aproveitado o show proporcionado por Russell Westbrook -, mas acho que o Toronto dispensa a torcida dele nas próximas partidas.

Page 2 of 3

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén