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O maior massacre dos playoffs

O confronto entre San Antonio Spurs e Houston Rockets tinha tudo para ser o mais equilibrado dos playoffs até aqui. Ironicamente, foi o maior massacre de todas as partidas do mata-mata deste ano. O time vermelho (que estava de preto) massacrou o rival do Texas: 126 a 99 fora de casa. E só não foi mais porque o Houston levou a partida em banho-maria na sua metade final – na volta do intervalo, o Rockets estava com praticamente o dobro de pontos do Spurs.

Vi muita gente falando ~nas redes sociais~ que vitória por 1 ou por 30 pontos valem a mesma coisa numa série de playoffs, que contam como 1×0 da mesma forma. Numa análise bem fria, isso é verdade. No entanto, o genocídio cometido na quadra do AT&T Center tem uma influência brutal no desenrolar do confronto.

Para começo de conversa, o nó aplicado por Mike D’Antoni foi surpreendente. Por mais que existisse o risco do Houston emplacar seu jogo corrido e acertar tudo de fora, ninguém com o mínimo de sanidade imaginava que a vitória seria tão tranquila. James Harden e companhia expuseram todas as fraquezas de San Antonio ao longo dos 48 minutos de jogo.

(Mark Sobhani/NBAE via Getty Images)

Para começo de conversa, ficou claro que o Spurs não pode jogar com tantos defensores fracos de pick and roll. A maioria esmagadora das cestas do Houston saiu de jogadas que começavam com um corta na cabeça do garrafão e Harden soltava a bola no jogador do bloqueio (Clint Capela para a enterrada ou Ryan Anderson para o chute de fora) ou distribuía para outro jogador aberto na lateral (Eric Gordon ou Trevor Ariza), livre por causa da dobra de marcação. Nisso, David Lee e Pau Gasol pareciam juvenis, correndo atrás de Harden e sem tempo de reação para recuperar a posição marcando um segundo jogador.

Lamarcus Aldridge e Tony Parker também estiveram muito mal. O primeiro mostrou não ter velocidade para acompanhar Trevor Ariza e o segundo foi totalmente apagado no ataque e na defesa. Danny Green e Kawhi Leonard não foram capazes de, sozinhos, parar o arsenal do Rockets. O primeiro, para completar, também não acertou nada.

O Houston, por sua vez, emplacou 22 bolas de três e seis jogadores com mais de dez pontos. Das 40 cestas que fez, 30 foram assistidas.

É preciso ponderar que este primeiro jogo teve o que o Houston pode oferecer de melhor e o que pode acontecer de mais desastroso para o San Antonio – uma combinação improvável de se repetir. Mesmo assim, é um sinal muito claro de que o time de D’Antoni começou mais preparado a série do que a equipe de Gregg Popovich.

[Previsão dos Playoffs] Semifinal do Oeste: Spurs x Rockets


Jogo 1 – Seg. Maio 1 Rockets @ Spurs, 22h30
Jogo 2 – Qua. Maio 3 Rockets @ Spurs, 22h30
Jogo 3  – Qui. Maio 5 Spurs @ Rockets, 22h30
Jogo 4 – Dom. Maio 7 Spurs @ Rockets, 22h
Jogo 5 – Qua. Maio 9 Rockets @ Spurs, se necessário
Jogo 6 – Sex. Maio 11 Spurs @ Rockets, se necessário
Jogo 7 – Seg. Maio 14 Rockets @ Spurs, se necessário

Confrontos na temporada regular: 3×1

Palpite: Spurs em 7

É a disputa de nível mais alto das quatro semifinais, já que reúne os únicos dois times que, ao meu ver, têm alguma chance de entrar de penetra na final da NBA.

Prevejo uma disputa longa e muito equilibrada. Os dois times têm pontos fortes muito distintos e, ao mesmo tempo, armas para neutralizar as vantagens do rival. O Houston Rockets, por exemplo, é muito difícil de se vencer quando seus jogadores estão com a mão calibrada – é o time que mais chuta de três na liga. Ao mesmo tempo, o San Antonio tem excelentes defensores e um esquema que deixa poucos espaços livres para o arremesso.

O San Antonio Spurs, do outro lado, consegue variar seu jogo como poucos times. Via de regra, ataca lentamente, com inteligência, muitos passes e baseado na versatilidade de Kawhi Leonard. Mas tem qualidade no garrafão e bons chutadores de fora. Ao mesmo tempo, a transição insana do Rockets e o ritmo acelerado do time podem quebrar o ritmo cadenciado do rival do Texas.

Os pontos-chave do confronto são três, ao meu ver. Danny Green vai se capaz de desacelerar James Harden? Ou Gregg Popovich vai colocar Kawhi Leonard sob o risco de carregá-lo de faltas (o Barba é o maior cavador de faltas da liga na atualidade)? Difícil saber qual tática será mais eficiente e qual vai comprometer menos outros aspectos do jogo, como, por exemplo, preservar as pernas e o pulmão de Leonard no ataque.

O encaixe do pick and roll do Houston e a defesa do Spurs nestas jogadas também são pontos cruciais. David Lee e Pau Gasol não são bons defensores e conseguem ser ainda piores na hora de subir para a cabeça do garrafão e trocar no momento do bloqueio. Da mesma forma que Enes Kanter pareceu um inútil completo na série do Rockets contra o Thunder, Gasol e Lee correm o risco de não poderem jogar muitos minutos para que o Spurs não sofra com isso. A solução do Spurs seria dar muitos minutos a Dewayne Deadmon, que defende bem este tipo de jogada, mas que não acrescenta nada no ataque.

Por fim, qual será o matchup de Kawhi Leonard e como a defesa do Houston vai se sair. Trevor Ariza é o defensor mais indicado para a situação, mas o ‘pinball’ ofensivo do Spurs é tão frenético que muitas vezes Leonard vai acabar sobrando para James Harden, Ryan Anderson e outros jogadores do Houston que não são tao talentosos na marcação.

Sinceramente, não acho absurdo que o Rockets passe, uma vez que tem talento de sobra para vencer qualquer time, mas escolho o Spurs única e exclusivamente pelo mando de quadra – que é o critério de desempate que escolhi. Minha única surpresa seria ver uma série decidida em menos de seis jogos.

[Previsão dos Playoffs] Primeiro round do Oeste

Já soltei aqui os meus palpites do Leste. Agora é a vez de mostrar quais serão os confrontos da conferência Oeste, quem venceu os duelos da temporada regular e o que dá para esperar de cada matchup. Confere aí:

1º Golden State Warriors x 8º Portland Trial Blazers

Jogo 1 – Dom.  Abril 16  Portland @ Golden State, 16h30
Jogo 2 – Qua.  Abril 19  Portland @ Golden State, 23h30
Jogo 3 – Sab. Abril 22  Golden State @ Portland, 23h30
Jogo 4 – Seg.  Abril 24  Golden State @ Portland, 23h30
Jogo 5 * Qua. Abril 26  Portland @ Golden State, a definir
Jogo 6 * Sex. Abril 28  Golden State @ Portland, a definir
Jogo 7 * Dom. Abril 30  Portland @ Golden State, a definir

Confrontos na temporada regular: 4×0

Palpite: Warriors em 4 jogos

O time do Blazers é guerreiro, cresceu na reta final, buscou a vaga que estava com o Denver Nuggets, mas não vai ser páreo para o Golden State Warriors completo. O argumento é simples: ano passado o Blazers era melhor, o Warriors pior, estava baleado com a lesão do Curry e mesmo assim o time da California não teve muitas dificuldades para superar o rival. Neste ano, a tendência é que a fatura seja liquidada ainda mais cedo, já que o Warriors conseguiu gerenciar melhor o tempo de jogo dos seus atletas ao longo do ano e chega para o mata-mata em um grande momento.

A série serve para o Golden State encontrar a melhor forma de Kevin Durant, que volta de lesão.

2º San Antonio Spurs x 7º Memphis Grizzlies

Jogo 1 – Sab. Abril 15  Memphis @ San Antonio, 21h
Jogo 2 – Seg. Abril 17  Memphis @ San Antonio, 22h30
Jogo 3 – Qui. Abril 20  San Antonio @ Memphis, 22h30
Jogo 4 – Sab. Abril 22  San Antonio @ Memphis, 21h
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Memphis @ San Antonio,  a definir
Jogo 6 * Qui. Abril 27  San Antonio @ Memphis, a definir
Jogo 7 * Sab. Abril 29  Memphis @ San Antonio, a definir

Confrontos na temporada regular: 2×2

Palpite: Spurs em 6

Os embates do Oeste parece que foram escolhidos todos sob medida. Neste caso, é o Spurs contra um time que sempre sonhou em ser o Spurs. As propostas têm suas semelhanças e imagino que o Memphis poderia ter uma melhor sorte contra qualquer outro rival. Contra o Spurs, no entanto, não imagino qualquer possibilidade de sucesso. A criatura não vai superar o criador.

Grizzlies tem como arma a possibilidade de puxar seus pivôs para fora do garrafão e causar algum desconforto em Pau Gasol, Lamarcus Aldridge e David Lee, mas a cobertura feita por Kawhi Leonard e Danny Green é inteligente o suficiente para neutralizar essa tentativa.

A segunda unidade do Spurs também tem tudo para massacrar os reservas do Memphis, dando mais tranquilidades aos titulares.

3º Houston Rockets x 6º Oklahoma City Thunder

Jogo 1 – Dom. Abril 16  Oklahoma City @ Houston, 22h
Jogo 2 – Qua. Abril 19  Oklahoma City @ Houston, 21h
Jogo 3 – Sex. Abril 21  Houston @ Oklahoma City, 22h30
Jogo 4 – Dom. Abril 23  Houston @ Oklahoma City, 16h30
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Oklahoma City @ Houston, a definir
Jogo 6 * Qui. Abril 27  Houston @ Oklahoma City, a definir
Jogo 7 * Sab. Abril 29  Oklahoma City @ Houston, a definir

Confrontos na temporada regular: 3×1

Palpite: Thunder em 7

De verdade, qualquer aposta em sete jogos é uma loteria só. Meu palpite se baseia em algumas coisas. A primeira delas é que Russell Westbrook está em um outro nível nas últimas partidas, levemente acima do que James Harden tem feito. Confio também na capacidade do armador do Thunder em entrar numa série com mais sangue no olho do que o barba – os playoffs do ano passado servem como exemplo.

Outra coisa que confio é na capacidade do OKC atrapalhar a vida de Harden. Billy Donovan se mostrou um bom estrategista no ano passado para neutralizar os pontos fortes dos rivais em séries de playoffs. Andre Roberson, por exemplo, é o jogador contra o qual Harden tem o pior aproveitamento da sua carreira nos arremessos (30%).

Por último, penso um pouco diferente da grande maioria das pessoas que argumenta que o elenco do Thunder é um catadão de perebas. Acho o time bem decente, com um talento bem comparável ao do Rockets. E a série é uma boa oportunidade para que eles mostrem isso.

Em todo caso, não espero nada menos do que uma guerra em quadra!

4º Los Angeles Clippers x 5º Utah Jazz

Jogo 1 – Sab. Abril 15  Utah @ L.A. Clippers, 23h30
Jogo 2 – Ter. Abril 18  Utah @ L.A. Clippers, 23h30
Jogo 3 – Sex. Abril 21  L.A. Clippers @ Utah, 23h
Jogo 4 – Dom. Abril 23  L.A. Clippers @ Utah,  22h
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Utah @ L.A. Clippers, a definir
Jogo 6 * Sex. Abril 28  L.A. Clippers @ Utah, a definir
Jogo 7 * Dom. Abril 30  Utah @ L.A. Clippers, a definir

Confrontos na temporada regular: 3×1

Palpite: Clippers em 6

Outro confronto que promete ser muito equilibrado. Aposto no Clippers pela experiência do time e pela capacidade do time jogar bem com Chris Paul em quadra. São 10 vitórias e apenas 2 derrotas nas últimas partidas, quando o time remontou sua formação principal.

O quinteto titular, aliás, tem uma performance de elite: pontua e defende como o Golden State Warriors, em média.

Jazz é uma equipe excelente, se posta de uma forma que pode fazer jogo duro contra qualquer rival, mas não vejo talentos individuais tão capazes quanto os do rival. Em todo caso, Quin Snyder e seus comandados sairão mais cascudos da série, mesmo com a derrota.

A complexidade do pick-and-roll

Karl Malone para como uma tábua na cabeça do garrafão esperando que John Stockton passe como uma flecha rente a ele. Na mesma fração de segundos que o armador adversário se choca bruscamente em seu corpo, dando algum espaço para que Stockton pense sem marcação, Malone corre para perto da cesta com os braços levantados esperando a bola. O passe sai preciso e com uma virada de corpo, o ala-pivô do Utah Jazz enterra livre da sombra do marcador adversário, que ficou no meio do caminho sem saber se cobria Stockton ou se acompanhava Malone.

Não foram eles que criaram o pick and roll, mas Stockton e Malone o imortalizaram ao executá-lo milhares de vezes com uma perfeição ímpar na história da NBA aquele aquele momento.

Duas décadas e meia mais tarde, o corta-luz do pivô na intermediária da quadra para dar espaço ao armador e a corrida para receber a bola deixou de ser um ‘signature move’ da dupla do Utah Jazz  para se tornar a jogada mais utilizada no basquete.

Hoje, segundo o monitoramento estatístico da própria NBA, 33% das jogadas de ataque iniciam com um pick and roll – o dobro do que acontecia há dez anos, quando o tracking começou a ser feito.

A grosso modo, pode parecer uma simplificação do esporte, uma vez que uma única jogada dentre as infinitas variáveis domina um terço das ações com a bola.

Não é bem assim. Se antes este movimento tinha suas limitações de ações – basicamente se resumiam a um corte para o arremesso ou um passe no jogador que penetrava o garrafão. Uma prova da complexidade da jogada é que uma boa proporção dos melhores executores ou defensores do pick and roll são os jogadores reconhecidamente como os mais inteligentes da liga.

Diferente de antigamente, hoje os times tem se tornado especialistas na movimentação sem a bola para receber um passe que começa neste tipo de jogada.

Os alas, se movimentam sem a bola cortando em direção à cesta ou se posicionando nas brechas para receber o passe livres – e os times mantém sempre um ‘sharp shooter’ que saiba correr inteligentemente sem a bola para, rapidamente, se mexer da maneira apropriada criando uma opção de passe para o armador.

Os pivôs, mais do que nunca, estão aptos a abrirem para o chute de três depois do corte no marcador. Na defesa, a mesma coisa. Aquele ‘center’ que funcionava apenas como uma âncora defensiva se torna presa fácil na hora do corte, deixando muito espaço para o arremesso adversário ou sendo muito lento na cobertura.

Os armadores, então, estão cada vez mais hábeis para chutar enquanto driblam, logo após o bloqueio. A partir do momento que o adversário dá uma mínima brecha depois do bloqueio, o cara com a bola já tem condições de chutar e ameaçar o outro time. Por isso, as coberturas têm que ser muito mais rápidas – quase instintivas, o que, de certa forma, abre espaço para os demais jogadores na quadra.

Enfim, uma infinidade de variáveis que não eram comuns até 10, 15 anos atrás.

Hoje, é praticamente inviável ter sucesso na NBA sem saber executar um pick and roll com qualidade – Stephen Curry/Kevin Durant e Draymond Green fazem com maestria, Lebron James tem uma variável mortal no Cavs, James Harden se tornou o maior passador da NBA baseado seu jogo nos cortes dos pivôs.

Claro que não deixa de ser um modismo, mas é um hábito muito mais eficiente e bem trabalhado dos que o jogo bruto de costas pra cesta dos anos 90 e as jogadas de isolamento dos principais jogadores do time dos anos 2000.

E quem acha que é muito simples, dificilmente vai ganhar alguma coisa na liga por um bom tempo.

Revertendo a lógica dos MVP

Como em qualquer lugar, a NBA tem algumas convenções implícitas. Regras que não estão escritas em qualquer lugar, que não são oficiais e que mal são ‘regras’ efetivamente, mas, se olharmos em retrospectiva, são coisas que se repetem corriqueiramente.

É provável que a mais conhecida destas convenções trate do prêmio de Most Valuable Player (MVP) da temporada. Ainda que na prática seja a honra destinada ao melhor jogador da liga naquele ano, nem sempre é isso que acontece de fato. Via de regra, o ‘colégio eleitoral’ dos awards ~laureia o melhor jogador de um dos melhores times. Mesmo que alguém COMA A BOLA em uma equipe de meio de tabela, o eleito será algum jogador que teve um excelente ano em um time de excelente campanha.

Existem alguns pretextos para isso: o nome do prêmio de, numa tradução livre, Jogador Mais Valioso abre precedentes para que o escolhido seja o jogador ‘mais importante para uma caminha vitoriosa’ do que propriamente o melhor atleta da temporada; foi um critério que se moldou com o tempo, se consolidando nos anos 80, quando os melhores jogadores fatalmente estavam nos times de melhor campanha; e é dessa forma que hoje os jornalistas que votam se sentem ‘obrigados’ a votar.

Com isso, dos anos 80 para cá, somente UMA VEZ um jogador de um time fora do top 3 da sua conferência ganhou o prêmio. Em 1982, Moses Malone foi o segundo cestinha da temporada e o maior reboteiro, com médias de 31 pontos e 14 rebotes por partida. Além disso, teve sorte de pegar uma entressafra de talentos, com Abdul Jabbar já com seus melhores dias no passado e Larry Bird e Magic Johnson ainda em ascensão.

E somente em outras duas vezes um atleta que não estava entre os dois melhores foi eleito MVP. Ou seja, das últimas 37 temporadas, em 34 o cara estava em uma das duas melhores campanhas da sua conferência.

No entanto, as coisas vem se desenhando para que, ao final da disputa desta temporada, esta seja uma das poucas vezes em que esta lógica é revertida. Especialmente pelos desempenhos individuais espetaculares de Russell Westbrook e James Harden. Apesar de estarem em equipes que dificilmente figurarão entre as melhores do Oeste, já que Golden State Warriors, San Antonio Spurs e Los Angeles Clippers têm dominado a conferência, seus números são históricos. Mais do que isso, suas equipes, ainda que sem o sucesso necessário para ficar no topo da disputa, estão vencendo consideravelmente mais jogos do que perdendo e suas campanhas superam alguns prognósticos mais pessimistas do início do campeonato.

Excluindo três temporadas de Oscar Robertson, lá nos primórdios do universo dos anos 60, Harden e Westbrook são os únicos dois jogadores que ultrapassaram (por enquanto) uma média de 27 pontos, 11 assistências e 7 rebotes por jogo.

Em toda a história, só estes dois caras fizeram mais do que 20 pontos, 10 assistências e tiveram um índice de Usage Rating, que mede a participação do atleta nas jogadas totais do time, superior a 33%.

Se por um lado Russell Westbrook tem a seu favor números consideravelmente mais impressionantes que os de Harden – como uma média de triple-double – e a narrativa do abandono de Kevin Durant, o barbudo leva vantagem por ter uma campanha melhor por enquanto e também viver uma história curiosa digna de prêmio – de melhor pontuador da NBA a principal criador de jogadas da liga.

Histórias, números e trajetórias tão impressionantes que podem ameaçar candidatos mais tradicionais, como Lebron James, do soberano Cleveland Cavaliers, Kevin Durant, espetacular no Golden State Warriors, e Chris Paul, no ótimo Los Angeles Clippers. Não estivessem Russell e Harden tão sinistros, não poderiam sequer ser cogitados.

Todo o equilíbrio desta temporada

O melhor jogo da temporada até o momento, Golden State Warriors x Houston Rockets na madrugada de ontem, é o melhor e mais vivo exemplo de como a disputa neste ano está boa. O Houston derrotou o Warriors em um jogo de duas prorrogações em São Francisco numa batalha épica, com placar apertado em 90% do tempo, defesa brigada e ataque preciso e ágil dos dois lados.

Só do Rockets, um time que ano passado era uma zona completa com jogadores absolutamente desmotivados, conseguir emplacar uma partidaça destas contra o Warriors, que jogava em casa, onde quase nunca perde, e vinha de uma sequência impressionante de vitórias, já mostra como tudo está mais achatado.

Mas os exemplos disso são vários: o Clippers se mostrar vivo, mesmo depois de embarcar numa sequência sinistra de derrotas, e bater o atual campeão em Cleveland; o San Antonio Spurs já ter perdido quatro jogos em casa, sendo o último deles para o caótico Orlando Magic; o Oklahoma City Thunder desfigurado e o Memphis Grizzlies repaginado continuarem no cangote dos líderes do Oeste; Toronto Raptors e Charlotte Hornets ganhando do time mais forte da liga num dia e tomando pau para uma equipe de lottery no outro; e etc.

Ainda que tivesse sua graça em ver San Antonio Spurs, Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers destroçando todos os recordes possíveis na temporada passada, é muito mais divertido ver um campeonato totalmente em aberto, com muito mais gente brigando pelas cabeças.

Cavs e Warriors ainda são os melhores times das suas respectivas conferências, mas não é um absurdo pensar que Clippers e Spurs terminem na frente no Oeste ou que Raptors assuste no Leste. Numa série de playoffs, Hornets e Hawks podem ganhar de qualquer um. Com sorte, até Bulls e Celtics podem assustar (o primeiro começou muito bem e o segundo está em uma arrancada convincente). O mesmo dá para dizer de Jazz e Blazers no Oeste.

A rodada de terça-feira mostrou isso: TODOS os times com pior campanha, com mais derrotas do que vitórias, ganharam seus jogos diante dos favoritos. Estatisticamente falando, as chances daquela combinação de resultados acontecer daquela forma era menor do que 1%. Mas não quando as coisas estão mais imprevisíveis do que nunca.

Até os times que tinham tudo para ‘tankar’ e jogar a toalha estão fazendo os melhores times suar. Los Angeles Lakers é o melhor exemplo disso, disputando partida a partida uma chance de ir para os playoffs (sendo um dos únicos três times que já derrotou o GSW nesta temporada). Mas mesmo aqueles que não têm qualquer chance estão fazendo jogos muito melhores do que no ano passado: não é mais uma completa perda de tempo assistir Brooklyn Nets e Philadelphia 76ers.

Para se ter uma ideia, a essa altura do campeonato passado o Warriors estava invicto, com 20 triunfos. Lakers, Nets e Sixers tinham, somados, seis vitórias acumuladas.

No geral, mais de 20 times estão com uma diferencia média entre pontos feitos e tomados menor do que 5 – um equilíbrio incomparável com o ano passado, quando menos da metade estava nesta situação e Spurs e Warriors, em contrapartida, emplacavam recordes históricos nesta estatística.

Isso é ótimo. Dá mais gosto enfrentar, assim, a maratona de 82 jogos da temporada regular. Quando as coisas acontecem como no ano passado, a temporada regular vira uma corrida em que cada time testa seu próprio limite, sem uma competição de fato entre eles. Do jeito que as coisas estão neste ano, o clima de disputa é maior, dando uma boa medida da guerra que os playoffs podem se transformar.

Tomara que continue assim!

Procurado: Steve Franchise

Um Iverson com disciplina“. O cara que cravou essa definição sobre Steve Francis lá no final dos anos 90, há quase 20 anos, foi um iluminado. Ainda que o futuro tenha provado que ele estava errado, já que Francis conseguiu a incrível proeza de ter uma biografia ainda mais conturbada que a de Iverson, a pertinência da comparação é impressionante: ambos foram atletas profissionais improváveis cujos talentos superaram as limitações físicas e que, no final das contas, acabaram boicotados pelos seus péssimos hábitos fora das quadras.

O leitor um pouco mais novo talvez não se lembre, mas Steve Francis foi um protótipo de Russell Westbrook que transitou pela NBA no começo dos anos 2000.

Em um relato pessoal, foi nessa época que eu comecei a ver basquete com mais cuidado mas, ao mesmo tempo, ainda não estava contaminado por essa obsessão muitas vezes chata de assistir o jogo pensando em eficiência, números e tudo mais. Ver um cara de 1,90m enterrar por cima de todo mundo e descolar triple-doubles no meio dos pivôs lendários dos anos 90 era algo fascinante. Por um período, eu me convenci que Steve Franchise, como era chamado, era a melhor coisa da NBA.

Steve Francis

Mas o seus feitos como jogador não são nada se comparados à sua atividade, digamos, extra-quadra – aliás, isso é que aparentemente fez a carreira de atleta de Francis ser tão curta.

O currículo de estrela universitária, calouro do ano e três convocações para o All Star Game nem se comparam à lista de bizarrices e problemas que enfrentou após a aposentadoria precoce da NBA, aos 29 anos.

Aliás, ele era tão bom que, quando começou a decair como atleta, ninguém entendeu muito bem, Tudo bem, teve uma lesão ou outra, mas nada tão sério a ponto daquele jogador, até pouco tempo fabuloso, virar uma peça descartável de uma hora para outra.

As coisas começaram a ficar um pouco mais claras quando as primeiras imagens de Francis após derrocada começaram a surgir. Em uns dois anos, o jogador parecia ter envelhecido uns quinze.

Ele é esse senhorzinho da esquerda

Ele é esse senhorzinho da esquerda

As imagens eram tão chocantes, que Francis teve que vir a público dizer que não estava virado nas drogas. Que apenas estava envelhecendo como qualquer outra pessoa – de 30 e poucos anos com uma lata de 50…

Vira mexe, pitavam umas imagens mais intrigantes ainda do jogador. Numa delas, jogando champangne no rosto enquanto CHORAVA cantando Drunk in Love da Beyoncé. Na outra, era enforcado pelo também ex-jogador e também maloqueiro Stephen Jackson.

Neste meio tempo, notícias davam conta que Francis estava completamente quebrado, sem dinheiro, apesar do mais de 103 milhões recebidos em salários. Para descolar uma grana, tentou jogar na liga chinesa – numa época em que a liga chinesa era menos competitiva ainda – e não mostrou qualquer condição de voltar a praticar um esporte.

Agora, parece que chegou ao fundo do poço. Nesta semana Francis foi parado por dirigir bêbado e acima da velocidade permitida nas ruas de Houston. Acabou mantido preso por estar sendo procurado por roubo – alguns meses atrás ele teria estourado um carro e roubado mais de 7 mil reais em pertences. Arrependido ou alterado, ele até procurou a polícia para confessar o crime aos prantos, mas foi liberado pelos policiais que não entenderam nada. Alguns dias mais tarde, com a denúncia do crime em mãos, a polícia da Florida passou a procurá-lo pelo crime e o classificou como fugitivo. Pesado…

Incrível que, ainda jovem, ainda sem grandes indícios do que viria pela frente, tenham soltado aquela comparação com Iverson. Realmente, com alguma razão, mas definitivamente sem a tal disciplina.

[Previsão 16/17] Rockets: 100% ataque, 0% defesa

Eu já disse algumas vezes aqui, mas um dos times que mais me empolga é essa nova versão do Houston Rockets. Eu não tenho tanta convicção de que vá dar realmente certo – apesar de torcer muito para que funcione -, mas tenho certeza que vai ser um time divertido de se assistir.

A julgar pelo histórico de James Harden e do novo técnico Mike D’Antoni, as partidas do time serão peladas em que a defesa nada mais é do que um hiato no tempo entre um ataque e outro.

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A estratégia do time será entregar a bola na mão de Harden no ataque, o colocando como armador do time. Basicamente, James vai dominar a bola, arremessar o quanto quiser, correr o máximo que puder e distribuir a bola quando não tiver mais alternativa. Na defesa, em tese, o povo só descansa.

A tática é ousada – a tendência hoje na liga é de supervalorizar o esforço defensivo -, mas é válida. Depois de um ano fracassado, as coisas precisavam mudar completamente de figura em Houston. Para o bem ou para o mal, isso aconteceu.

Offseason
A aposta do front office da franquia foi bem coerente com as características do novo treinador: o elenco foi carregado de armas ofensivas que não são reconhecidas pelo trabalho na marcação. Ryan Anderson e Eric Gordon são os principais nomes.

Na tentativa de agradar Harden, a franquia também não fez questão de segurar Dwight Howard – os dois tinham não se davam muito bem.

De resto, o time ainda precisa renovar com Josh Smith ou Donatas Montejunas para ser reserva de PF.

Time Provável
PG – Patrick Beverley / Pablo Prigioni / Tyler Ennis
SG – James Harden / Eric Gordon
SF – Trevor Ariza / Sam Dekker / Corey Brewer
PF – Ryan Anderson
C – Clint Capela / Nene

Expectativa
A grande vantagem do Rockets é que o resultado do ano passado foi um lixo – principalmente em relação à campanha do ano anterior -, tirando um pouco da pressão por uma campanha muito boa neste ano. A ida para os playoffs entre a quinta e a oitava posição me parece o mais provável.

Sem bigode, sem salvação

Eu realmente estava empolgado com a dupla Mike D’Antoni, novo técnico do Houston Rockets, e James Harden. O jogador é uma piada defendendo, mas entra na discussão se ele não é uma das forças ofensivas mais letais da liga atualmente. Com D’Antoni, um técnico conhecido por montar ataques avassaladores e não saber defender, eu imagino que a dupla tem tudo para formar uma das equipes mais divertidas de se assistir: todo jogo deve ser uma pelada sem compromisso defensivo, mas com um ataque imparável.

Mas confesso que perdi toda essa empolgação quando vi o técnico dando uma entrevista nesta semana. Na verdade, nem sei o que ele estava falando. Só notei que ele estava diferente. Parecia que tinha uma mascara na cara ou que a boca dele tinha o dobro de dentes de um ser humano normal… Não. Depois de alguns segundos eu percebi o que era: MIKE D’ANTONI NÃO TEM MAIS BIGODE.

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Sai daqui com essa cara cheia de dentes

Se você é um fã novo da NBA não deve entender o que isso significa, mas saiba que o apelido de Mike é Mr Pringles, em alusão ao bigodudo que estampa a lata das batatinhas belgas. Definitivamente a cabeleira facial do ‘italiani’ era um monumento do basquetebol moderno e, sem qualquer explicação, foi extinto. No fundo, boa parte da graça de ter D’Antoni na liga é ele ter um monumental bigode.

Para quem acha que eu estou supervalorizando um fator ‘extra campo’, eu não vou muito longe: você não perderia completamente o respeito por James Harden se ele aparecesse hoje com a cara pelada, sem a barba diabólica? Alguns caras criam símbolos que, de tão grandes, não pertencem mais a eles. Neste caso, só seria aceitável que D’Antoni tirasse o ‘mustache’ depois de um plebiscito ou algo do gênero.

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Bons tempos

Para mim, aliás, há até um paralelo entre a decadência da carreira dele com a sua negação ao bigode. Quando ele se orgulhava do ornamento, ainda comandava o quase imbatível Phoenix Suns de Nash, Stoudemire e companhia. Ainda mantinha o buço robusto quando foi técnico do Knicks e do Lakers – e mesmo que não tenha feito grandes campanhas, foi aos playoffs com as duas equipes, o que, nos últimos tempos, já é um feito e tanto.

Neste ano, apareceu com apenas uma penugem na cara, dando indícios de que cometeria os maiores erros da sua vida: carimbou seu currículo sendo ‘associate head coach’ do Philadelphia 76ers deste ano, o último colocado da liga, e que mais tarde rasparia o bigode por completo.

NBA: Minnesota Timberwolves at Philadelphia 76ers

Tava na cara que ia rolar isso

Depois disso tudo, não tenho como torcer para dar certo. Uma pena.

Nene em Houston é melhor que Nene em Washington

O pivô brasileiro Nene acertou com o Houston Rockets para esta temporada. Não é uma contratação que vá abalar o mercado da NBA ou mudar os rumos de uma franquia, mas acho que foi uma escolha boa para o jogador.

Nem acredito que Nene terá uma participação muito importante no time. Acho até que poderia ter mais minutos em outro time mais irrelevante na NBA hoje. Mas imagino que com a contratação do técnico Mike Dantoni, o Houston Rockets tem tudo pra ser uma das equipes mais divertidas para se acompanhar na próxima temporada – especialmente se você não torcer para o time e quiser ver os jogos de maneira despretensiosa – e a capacidade de Nene em atacar como um trato e passar a bola podem combinar com o estilo de jogo que se prevê para o time.

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Contrato de Nene é de um ano, apenas

Imagino um Houston muito rápido com a bola. Harden puxando o contra-ataque de forma alucinante, com Trevor Ariza e Ryan Anderson sempre abertos nas laterais prontos para chutar de três. Dos jogadores de garrafão do Rockets, Nene com certeza é a opção com melhor visão de jogo e mais capacidade de encontrar quem está livre fora do arco. Não imagino que ele jogue como titular, mas nos momentos em que estiver em quadra pode ser bem útil.

Falando um pouco mais sobre o Rockets, pode não dar nada certo, já que um time sem defesa tem seu destino reservado para o fracasso em boa parte das vezes, mas tenho certeza que vai ser uma evolução brutal em relação ao esquema das últimas duas temporadas, que se baseavam basicamente em Harden batendo bola até encontrar uma brecha para infiltrar e cavar a falta – cobrou 200 lances livres a mais do que o segundo colocado na liga neste período.

Voltando ao Nene: no Washington, ela já era uma figura cada vez mais desimportante. Gortat era um cara que adicionava ao time as mesmas ferramentas que Nene tinha capacidade de prover, mas com muito mais vigor físico que o brasileiro. Já tinha dado pra ele por lá.

No Houston, deve ser reserva de Clint Capela, que combina muito mais com a correria esperada com Dantoni e que se desenvolve para ser uma ameaça defensiva mais imponente do que Nene é. Mesmo assim, devem pintar uns minutos para o brasileiro. E, como eu disse, se não é para jogar muito lá nem cá, que pelo menos seja no time com um basquete mais divertido.

Se é pra não jogar muito lá ou cá, que pelo menos seja divertido e com mais chances de ir longe nos playoffs que, neste caso, é com o Houston Rockets.

 

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