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O anúncio mais sem sal possível

Os recordes de James Harden ou de Russell Westbrook? O impacto defensivo de Rudy Gobert dentro do garrafão, de Kawhi Leonard no perímetro ou a versatilidade de Draymond Green? A capacidade de Erik Spoelstra ou o ressurgimento de Mike D’Antoni? O fenômeno Joel Embiid ou a regularidade de Malcolm Brodgon e Dario Saric? As discussões sobre quem são os merecedores dos prêmios individuais da NBA neste ano foram das mais acirradas de todos os tempos, mas a escolha por fazer a divulgação dos awards em um show semanas depois das finais da temporada foi uma péssima decisão.

Tudo isso porque o anúncio vai ser justamente no momento em que ninguém mais se importa com os resultados. A poeira da temporada regular já baixou, a falta de competitividade dos playoffs deu um banho de água fria em todos, o draft abriu a nova temporada e a loucura da offseason já tomou o noticiário.

Não sei se é só impressão minha, mas parece que a briga jogo a jogo de Harden e Westbrook aconteceu há muito tempo. Nem lembro mais quantos mil triple doubles cada um fez, quantas partidas com mais de 30, 40 ou 50 pontos os dois emplacaram. O que é recorde de um e o que é de outro – coisa que há dois meses estava na ponta da língua dos torcedores nos seus argumentos para eleger o merecedor do MVP.

Sinceramente, nunca fui muito simpático à ideia – zzzzzz show apresentado pelo Drake zzzzz -, mas mesmo quem achou interessante concentrar o anúncio em um único dia, em um evento grandioso e tal, tem que admitir que o timming foi péssimo.

Não que a decisão sobre isso deveria ser tomada com este critério apenas, mas imagine que sensacional seria se o vencedor do MVP fosse anunciado durante a série de playoffs entre Houston e Thunder? Ou o Coach of the Year durante Rockets e Spurs? O melhor jogador de defesa justamente no encontro entre Kawhi Leonard e Draymond Green nos playoffs? Sempre foi assim e com certeza seriam fatores que fariam das disputas ainda melhores – no caso dos jogos contra o Warriors, poderiam dar alguma graça a série.

Ao longo de toda a história da liga, a forma como os prêmios eram divulgados (ao longo dos playoffs) mudou a narrativa das disputas do mata-mata. Michael Jordan querendo tirar o sangue do Utah Jazz na final após Karl Malone ser eleito o melhor jogador de 1997 numa eleição apertadíssima, Hakeem Olajuwon usando a perda do prêmio para David Robinson para aniquilar o Spurs na final de conferência e muitos outros casos que entraram para a história do basquete.

Há, ainda, outras desvantagens brutais deste modelo: com muito mais tempo entre a entrega dos votos (que acontece ao final da temporada regular) e a divulgação dos ganhadores, há muito mais chances do resultado vazar (aparentemente muita gente já sondou quem são os vencedores), além de, no futuro, permitir que o MVP, COY e etc sejam reconhecidos quando já nem estiver mais defendendo a equipe pela qual ele foi eleito (em 2010, por exemplo, se o show jé existisse, Lebron James seria anunciado como MVP DEPOIS de ter feito toda aquela cena para ir para o Miami Heat). Anticlímax total.

Que o vexame deste ano sirva de exemplo para os próximos.

Nem uma atuação de Space Jam fez Westbrook salvar o Thunder

O volume de jogo de Russell Westbrook é colossal. Melhor jogador disparado de um time meia boca, ele se vê na responsabilidade de carregar todo mundo nas costas, decidir sozinho. Resultado: nunca, em toda a história, uma série de jogos decisivos viu um jogador concentrar tanto as ações da partida. O seu Usage Rate de 47% nestes playoffs foi o maior da história para jogadores com pelo menos 20 minutos jogados. Isto quer dizer que metade das jogadas do seu time terminavam com Westbrook arremessando, indo pra linha do lance-livre ou perdendo a bola.

Esta atitude, digamos, centralizadora dividiu as opiniões: para uma parte, a única chance do OKC vencer o Houston Rockets era se Westbrook fizesse isso mesmo, para outra, o ataque ‘monotemático’ foi o que matou o Thunder, já que nem sempre Russell está tão inspirado assim.

A concentração foi tamanha que em toda a história documentada do basquetebol mundial em que foi possível fazer esta mesma conta, só uma vez um jogador teve uma ‘taxa de uso’ comparável a esta: quando Michael Jordan reuniu a Tune Squad e enfrentou o time dos Monstrars no filme Space Jam.

Não é sacanagem, um cara de Harvard fez esta conta há alguns anos para mostrar como o box score da partida do filme foi absurdo – como se um filme em que extraterrestres invadem a terra para sequestrar personagens de desenho e roubam os talentos de jogadores da NBA em uma batalha diplomática decidida em um jogo de basquete fosse algo sensato – e calculou que, naquela partida, Michael Jordan foi usado em 44% das posses de bola do seu time.

Fora isso, descontando as duas atuações, uma que definia o futuro do OKC e outra, o destino da Terra, NENHUM jogador centralizou tanto as ações do seu time em uma série de playoffs, nem o mesmo Jordan nos tempos de Chicago Bulls, nem Kobe Bryant ou Allen Iverson nos seus momentos mais fominhas. O máximo que qualquer outro jogador conseguiu chegar no mata-mata – quando naturalmente os melhores atletas dominam as ações – de Usage Rate foi 39%.

Comparações esdrúxulas e fantasiosas a parte, não dava para imaginar nada de diferente. Westbrook e o Thunder jogaram assim a temporada toda. Impossível é dizer o quanto isso prejudicou ou ajudou o time. Por ser quem faz tudo no time, obviamente o sucesso e o fracasso do time são frutos do seu trabalho, mas é leviano dizer que poderia ser melhor ou pior se fosse diferente.

A única conclusão que dá para tirar disso tudo é que é quase impossível ter sucesso sem um time realmente coeso, com um grupo de jogadores realmente competitivo. Mesmo que seu melhor jogador faça de tudo em quadra. Uma dupla não basta – e foi isso que tirou Kevin Durant de Oklahoma – e uma estrela solitária é ainda mais inofensiva. A única exceção é Michael Jordan jogando contra os Monstars.

O bem e o mal do Thunder

Não é surpreendente, mas o Oklahoma City Thunder está perdendo por 2 a 0 para o Houston Rockets. Na primeira partida, o jogo se manteve equilibrado no placar até o final do segundo quarto, mas logo o Houston desgarrou no jogo e fechou com 31 pontos de diferença. No jogo de ontem, o Thunder manteve uma vantagem confortável de mais ou menos 10 pontos até a metade final do terceiro quarto, mas não aguentou a pressão final e acabou entregando a virada para o rival no final da partida.

Nos dois jogou, ficou clara uma impressão óbvia e outra ingrata sobre Russell Westbrook, melhor jogador do Thunder e meu escolhido para MVP: ele é o responsável por colocar o time na disputa do jogo e, ao mesmo tempo, em fazer com que o time seja batido no final das contas.

Não há dúvidas que é ele que alçou o time à condição de 6º colocado no Oeste, com 47 vitórias, e que fez a equipe brigar com o Houston, 3º lugar na conferência jogando em casa. Mas, especialmente ontem, a responsabilidade da inoperância nos minutos finais e da virada também foi de Russell.

Óbvio que não é nada fácil meter um triple-double, fazer 51 pontos, atrair toda a atenção da defesa rival e etc, mas os 26 arremessos errados ao longo da partida foram um recorde em playoffs – só no último período, Westbrook chutou 18 bolas, mais do que qualquer um dos seus colegas fez a partida inteira, e acertou somente 4.

Arremessos no 4º quarto: mais alguém pegou na bola?

E não só pelo volume exagerado, mas as escolhas de Russell não foram as melhores. Forçou muitos chutes completamente marcados, deu um punhado de airballs, deixou de passar para companheiros que estavam em melhores condições – no vídeo abaixo ele deixa, no último quarto, de passar para Doug McDermott (4/5 FG no jogo) e Jerami Grant (1/1 3PT naquele momento) para forçar totalmente a barra.

Sem falar o quanto ele tem deixado a desejar na defesa – entendo, uma vez que todos os seus esforços estão se concentrando no ataque, mas é uma pena, já que ele sabe jogar lá atrás quando quer.

Há quem defenda uma performance destas alegando a falta de qualidade do time do Thunder. Eu discordo. Ano passado, nos playoffs, vários dos coadjuvantes que ainda estão na equipe ajudaram muito o OKC a bater o Spurs e quase vencer o GSW, principalmente Steven Adams e Enes Kanter. Ontem, o primeiro chutou três bolas e o segundo quatro. Uma miséria.

Entendo que deva ser frustrante carregar um time nas costas uma partida inteira e, nos minutos finais, a coisa virar. Mas deve ser bem frustrante, também, estar em quadra um jogo inteiro e assistir um colega errar tantas bolas, tomar tantas decisões equivocadas.

Para os próximos jogos, das duas, uma: ou Westbrook tem que mostrar mais o que tem de bom ou menos o que tem de mau.

NBA Awards: quem eu acho que merece e quem eu acho que vai ganhar cada prêmio

A temporada regular acabou na quarta-feira passada e os jornalistas que votam nos prêmios individuais da NBA tiveram até sexta-feira para entregar suas escolhas. Enquanto os times ainda aquecem seus motores nos playoffs, aqui vai quem eu acho que deveria ganhar cada um dos prêmios, quem eu acho que vai ganhar (são coisas diferentes) e quem vocês escolheram por meio de uma enquete que ficou aberta ao longo de três dias – aliás, muito obrigado pelas QUINHENTAS participações!

Infelizmente, a NBA mudou um pouco o ritual neste ano e só saberemos os vencedores ao final da temporada, em uma cerimônia que acontecerá em junho, dias depois das finais (antigamente os anúncios eram feitos gradativamente ao longo dos playoffs).

Mas vamos lá com os palpites e daqui dois meses nós conferimos o que foi quente e o que estava furado.

Most Improved Player

Quem eu acho que merece ganhar : Giannis Antetokounmpo
Quem eu acho que vai ganhar: Giannis Antetokounmpo
Quem vocês escolheram: Giannis Antetokounmpo

Geralmente eu acho a escolha de jogador que mais evoluiu bem fraca. Via de regra, ganha aquele cara que já estava comendo a bola no ano anterior, mas que vira titular na temporada seguinte, dobra a minutagem e, naturalmente, aumenta as estatísticas. Neste ano, não. Giannis é um cara que realmente evoluiu, independente do tempo de quadra – que se manteve praticamente o mesmo, aliás.

O Greek Freak deixou de ser uma aberração física com flashes de genialidade para se tornar o líder de um time em ascensão. Virou um all star. Foi o primeiro cara na história da liga a ficar entre os vinte maiores pontuadores, reboteiros, passadores, roubadores de bola e bloqueadores da temporada.

Nikola Jokic é um bom nome aqui, mas acho bem natural que jogadores no segundo ano tenham uma evolução significativa. É mais o curso natural das coisas do que uma escalada digna de um prêmio individual.

Defensive Player of the Year

Quem eu acho que merece ganhar: Rudy Gobert
Quem eu acho que vai ganhar: Rudy Gobert
Quem vocês escolheram: Kawhi Leonard

Sofri para fazer a minha escolha aqui. Até pouco tempo atrás estava decidido que era o ano de Draymond Green. Sem dúvidas ele está jogando muito, teve seu melhor ano defensivo da carreira e é o mais versátil defensor da NBA – o que é fundamental em um momento do jogo em que se exige que todos os jogadores façam de tudo em quadra. No entanto, acho que Rudy Gobert merece mais. O pivô francês é o grande responsável pelo Jazz ter a terceira melhor defesa da liga. Prova disso é que seu ‘defensive plus/minus’, que compara o impacto de um jogador na defesa quando está em quadra e quando está no banco, é o maior da NBA – o Golden State, dono da segunda melhor defesa, pode dividir melhor os méritos entre seus jogadores.

Rookie of the Year

Quem eu acho que merece ganhar: Dario Saric
Quem eu acho que vai ganhar: Dario Saric
Quem vocês escolheram: Joel Embiid

Joel Embiid é, sem dúvidas, o melhor jogador a estrear na NBA neste ano, mas acho injusto colocá-lo no mesmo balaio dos demais depois de ter treinado com seu time por duas temporadas. Além disso, suas restrições no tempo de jogo e a nova lesão fizeram com que ele jogasse pouquíssimos minutos no total. Saric, por sua vez, é o líder em pontos totais entre os jogadores que chegaram à NBA neste ano, além de ser o vice-líder em rebotes e assistências.

6th Man of the Year

Quem eu acho que merece ganhar: Eric Gordon
Quem eu acho que vai ganhar: Andre Iguodala
Quem vocês escolheram: Eric Gordon

Assim como o Houston Rockets, Eric Gordon teve um ano de retomada. Depois de várias temporadas sofrendo com lesões e diminuindo as expectativas que todos tinham sobre ele, finalmente Eric se encontrou como peça fundamental em um time que explore todos os seus talentos. Como James Harden é um combo guard intocável no time titular, Gordon faz muito bem o seu papel vindo do banco. Quando está em quadra, é o reserva que mais impacta o jogo.

Acho que Andre Iguodala vai acabar ganhando como um prêmio de consolação por ter sido preterido nos anos anteriores e por ter segurado a onda no período em que Kevin Durant ficou fora por lesão – e quando o Warriors emplacou sua maior sequência de vitórias na temporada. Pesa aqui também o fato do melhor momento de Gordon ter sido na primeira metade da temporada, enquanto Iguodala e Lou Williams, outro concorrente forte, terem crescido muito nas últimas partidas.

Coach of the Year

Quem eu acho que merece ganhar: Brad Stevens
Quem eu acho que vai ganhar: Mike D’Antoni
Quem vocês escolheram: Mike D’Antoni

Reconheço que a história mais empolgante da temporada seja a do técnico do Houston Rockets: pegou um time em baixa, mudou o estilo de jogar, o colocou entre os três melhores da conferência e ainda transformou seu melhor jogador em um potencial MVP. Como disse no ano passado, a combinação realmente era ótima. Mas eu relativizo um pouco o impacto de Mike por alguns motivos: o time do Rockets foi finalista do Oeste há dois anos, Harden já tinha sido ‘quase’ o MVP na mesma temporada e neste ano o time investiu no elenco. Ao meu ver, era um time já bom que foi reforçado e que apostou em um técnico bom que combinava com as características da equipe.

Acredito que Brad Stevens teve um trabalho mais importante. Na sua mão, Isaiah Thomas deixou de ser um armador que oscilava entre um bom pontuador e um jogador reserva para se transformar em uma estrela (e já não era mais um garoto). Jae Crowder e Avery Bradley também mudaram de patamar. Coletivamente, o Boston saiu do meio da tabela para se transformar em uma das melhores equipes da liga. E, por fim, roubou o primeiro lugar no Leste do Cleveland Cavaliers, algo impensável no início da temporada.

Most Valuable Player

Quem eu acho que merece ganhar: Russell Westbrook
Quem eu acho que vai ganhar: James Harden
Quem vocês escolheram: Russell Westbrook

Antes de qualquer coisa, qualquer jogador que vencer entre Russell Westbrook, James Harden, Kawhi Leonard e Lebron James vai ser merecedor do prêmio. Não é ‘ser sabonete’, mas é reconhecer que a temporada teve performances individuais absurdas, com alguns dos melhores jogadores da geração em seus auges. Mas a votação existe e só um deles sairá vencedor – ainda que exista o papo de co-MVP.

Esta votação, aliás, tem alguns vícios, algumas regras implícitas. A principal delas é a de que o MVP deve estar em uma equipe vencedora. Isso quer dizer, que o seu time tem que ser um dos melhores da temporada – historicamente, um dos dois melhores da conferência.

Acontece que os dois jogadores que mais chamaram a atenção ao longo do ano não estão em times tão bons assim. Harden levou o Rockets à terceira posição no Oeste e Westbrook chegou com o Thunder na sexta colocação. Mas até quanto esse costume é saudável para ser o fiel da balança em uma temporada tão atípica?

Ao meu ver, não é o melhor critério. O campeonato foi dominado por uma batalha estatística. Ambos quebraram dezenas de recordes. Ambos fizeram dezenas de doubles-doubles e triples-doubles (o que, pra mim, não deve ser o tira-teima também, já que as médias dos dois são muito parecidas).

Mas o meu critério vai ser o de quem foi ‘o dono’ da temporada. Neste quesito, acho que Russell Westbrook está um degrau acima de James Harden. Por mais que isso seja completamente subjetivo, é a ‘história da temporada’ que determina o MVP geralmente. A campanha de Stephen Curry ano passado foi surreal, mas foi o enredo que fez dele o primeiro MVP unânime, e não a sua supremacia sobre os demais. Neste ano, Westbrook teve os principais highlights e os game winners mais marcantes. Liderou viradas mais heroicas. Protagonizou a grande rivalidade da temporada (a treta com Kevin Durant) e mostrou que podia ser o dono do time.

Em uma disputa tão equilibrada, é o clima do campeonato que decide o meu voto – mas, em tempo, não acho nenhum absurdo Harden ganhar, já que até pouco tempo era ele o dono do meu palpite.

Acho, inclusive, que ele é que vai vencer a votação da NBA. Acredito nisso por todo aquele costume em votar no jogador de melhor campanha e pela forma como a eleição acontece – cada jornalista enumera um top 5 de jogadores e cada posição recebe uma pontuação. Nesse esquema, acho que muita gente vai colocar Kawhi em primeiro por estar no time com melhor posição na tabela. E a tendência é que estas pessoas coloquem Harden na segunda colocação. Na soma geral, Harden deve estar na primeira ou segunda colocação de quase todas as cédulas, enquanto Westbrook e Kawhi devem ficar em terceiro em vários rankings. Como já aconteceu em outros anos, acho bem possível que Westbrook seja o cara com maior número de votos como MVP, mas não termina na liderança da soma de pontos.

All NBA Team

Quem eu acho que merece ganhar:
(1) Westbrook/Harden/Lebron/Kawhi/Davis
(2) Curry/Thomas/Butler/Durant/Gobert
(3) Wall/Derozan/Giannis/Green/Gasol
Quem eu acho que vai ganhar:
(1) Westbrook/Harden/Lebron/Kawhi/Davis
(2) Curry/Thomas/Butler/Giannis/Gobert
(3) Wall/Derozan/Durant/Green/Towns
Quem vocês escolheram:
(1) Westbrook/Harden/Lebron/Kawhi/Davis
(2) Curry/Thomas/Giannis/Durant/Cousins
(3) Wall/Irving/Hayward/Green/Towns

Bom, como são muitos nomes, vou me justificar basicamente nas diferenças. Acho que o primeiro time é inquestionável, exceto pela dúvida se vão escolher Davis como pivô ou como ala, o que o faria cair para o 2nd All NBA Team.

Nos armadores, escolhi Demar Derozan para meu 3rd Team porque ele foi o cara do Toronto Raptors, quinto cestinha da temporada e deu conta do recado quando Lowry se machucou. Mais ou menos pelos mesmos motivos coloco Jimmy Butler no 2nd Team: foi a única coisa que se salvou de uma equipe completamente confusa. Gasol entra no terceiro time por ter tido alguns períodos espetaculares, como aquele mês em que o time inteiro do Memphis se machucou e ele venceu quase todos os confrontos sozinho.

Em junho a gente confere quem acertou o que!

A diferença entre a planilha e a quadra

Uma das poucas unanimidades no basquete diz respeito ao melhor jogador de todos os tempos. Uma boa maneira de comprovar essa sensação é evocar algumas estatísticas avançadas que medem a contribuição dos atletas em quadra. Ele é líder disparado nos índices de eficiência (PER), impacto ofensivo (ORTG), contribuições para vitórias no tempo que fica em quadra (Win Shares) e aproveitamento nos arremessos (True Shooting %). “Se os números não mentem”, não há como negar que Boban Marjanovic é o melhor jogador que já pisou numa quadra de basquete.

O problema aqui é que, na verdade, os números podem mentir, sim. Ainda que muita gente pense que eles são a ferramenta ideal para uma discussão objetiva, a verdade é que, como qualquer dado, informação e argumento, eles podem ser usados para nos confundir. Em um momento da NBA em que o uso das estatísticas está tão acessível, é bem comum que recortes sejam mal feitos e as discussões fiquem completamente contaminadas por eles, afinal, “contra fatos não há argumentos”.

Bom, por mais que Boban Marjanovic destroce Michael Jordan em todas estas estatísticas, é óbvio que o gigante sérvio não tem bola sequer para lamber os tênis do camisa 23. Aqui os motivos para a distorção estatística são bem óbvios: Boban jogou pouquíssimos minutos na liga (801 em dois anos), abaixo da linha do que pode ser sequer considerado, e sua amostra de tempo é minúscula, completamente incompatível com a discussão sobre os melhores jogadores da história (a título de comparação, Jordan jogou 40 mil minutos na NBA).

Foi foda achar uma foto boa do Boban porque ele quase não joga

No pouco tempo em que fica em quadra, Boban se aproveita dos seus 2,22 metros de altura para chutar todas as bolas que passam pela sua mão. Boa parte das vezes está em quadra com o jogo já decidido e enfrenta os piores reservas do rivais, o que infla seus números.

No entanto, nem sempre que a argumentação estatística entra em cena fica tão claro o que é relevante e o que não é, mas vale o alerta: forçar a barra ao evocar os chamados ‘números avançados’ é quase que uma regra.

Não que isso seja feito deliberadamente de má fé, mas na tentação de comprovar uma tese é comum se seduzir por aquela stat que parece comprovar que fulano é melhor que beltrano.

A corrida para MVP da temporada é um ótimo exemplo. Com performances individuais históricas, há números e argumentos de sobra para qualquer um que quiser eleger Russell Westbrook, James Harden, Kawhi Leonard ou qualquer outro como o melhor da temporada.

Não vou nem questionar o principal argumento da discussão, que diz respeito ao recorde de triple-doubles e a média de mais de 10 pontos, rebotes e assistências. Para começar, triple-double é apenas ‘o nome’ de um statline e, ainda que seja impressionante, não dá para dizer que isso é melhor do que uma média de 27 pontos, 11 assistências e 8 rebotes por partida – que é a média de Harden e que gera mais pontos para o time do que a média alcançada por Westbrook. As duas são insanas, históricas e ponto final. Pra mim, uma não vale mais do que a outra simplesmente porque uma se chama ‘triple-double’ e a outra não foi batizada ainda.

Vou mais no cerne da questão aqui do modismo dos analytics, que aprofundam a leitura rasa dos box scores e, em tese, medem melhor a colaboração de cada jogador em quadra – e são usados como fatos mais inquestionáveis pela turma.

Um deles é de que o San Antonio Spurs ficava com uma defesa mais vulnerável com Kawhi Leonard em quadra, ainda que ele seja indiscutivelmente o melhor jogador de defesa entre aqueles que disputam o prêmio de MVP. A cada 100 posses de bola em cada situação, o time sofre 106 pontos quando o ala está jogando e 98 quando ele está no banco. Este número, isoladamente, poderia ser suficiente para convencer alguém de que Kawhi, na verdade, não é um bom defensor. O que falta, no entanto, é explicar o contexto – os times tendem a isolar o jogador marcado por Kawhi, transformando boa parte dos lances em jogos de 4 contra 4, se aproveitando da inabilidade defensiva dos colegas de Leonard (Parker, Gasol, Lee e Aldridge ‘têm suas dificuldades’).

Na real, Kawhi é tão sobrenatural na defesa, que o simples fato dele estar em quadra faz com que os rivais desenhem um ataque inteiramente novo só para tentar diminuir seu impacto – e quando ele está no banco, os times abrem mão deste esquema.

Ainda sobre a defesa: Harden, que é considerado um dos marcadores mais relaxados da liga, é o líder em contestação dos chutes adversários na temporada. Ele foi o único jogador em toda a NBA que tentou defender mais do que mil arremessos adversários ao longo do campeonato. Os 1056 chutes de rivais marcados por ele são quase o dobro do que seu principal adversário na corrida para MVP, Russell Westbrook, que defendeu ‘apenas’ 579 arremessos.

Mas Harden não era uma mãe na defesa? Esse, inclusive, não era um dos argumentos para tirá-lo da briga pelo prêmio de melhor jogador (“afinal, uma partida é jogada dos dois lados da quadra”)? Bom, neste caso, os motivos da diferença brutal entre os dois podem ser vários: os rivais podem explorar a deficiência defensiva do barba e ‘buscar’ arremessar com a sua marcação, o Houston joga com um ritmo muito maior que os outros times, gera mais posses de bola e naturalmente seus jogadores terão números absolutos que os demais, Westbrook abriu mão da marcação de chutes para buscar rebotes ou até Harden pode não ser tão ruim defensor quanto os compilados maldosos de youtube sugerem. Enfim, mas definitivamente o volume de DFGA não é determinante para dizer se ele é melhor defensor do que os seus concorrentes.

No ataque, a principal crítica a Westbrook é que seus números são inflados pelo tempo que fica com a bola na mão, enquanto Harden seria mais eficiente em fazer o seu time jogar. Aqui, o número mágico evocado é que o armador do Rockets foi o líder em pontos feitos combinados com os pontos gerados a partir das suas assistências. No total, usando esse critério, o barba ‘criou’ 4540 pontos. Ok, é o líder da temporada, mas com apenas QUATRO pontos de vantagem perante Westbrook. Seria isso suficiente para dizer que um é mais solidário, envolve mais seus colegas e a partir daí definir o voto para MVP? Por favor…

Sem contar que o ritmo do Rockets é muito maior do que o do Thunder, o que favorece os números totais do Harden na temporada. Se levarmos em conta o número de pontos gerado por cada um deles em relação ao ‘pace’ de cada time, Westbrook toma a liderança de Harden.

Enfim, seria possível enumerar uma centena de argumentos furados. E todos eles poderiam ser contra argumentados com outros números fora de contexto. Não sou contra o avanço das estatísticas no jogo – elas nos ensinaram a enxergar coisas que o olhar viciado e ‘peladeiro’ não conseguia ver, mas qualquer estatística isolada pode ser tanto uma fotografia de um cenário, quanto o negativo dela.

Fica o alerta para não confiar cegamente em qualquer dado elaborado por aí. E o conselho para não usá-los como verdades absolutas, especialmente fora de contexto. No final das contas, não dá pra escolher o melhor jogador da temporada olhando somente para uma planilha cheia de números. É preciso confrontá-los com o que acontece em quadra. Afinal, é lá que o jogo é decidido.

Ninguém merece ser co-MVP. Nem Harden, nem Westbrook.

Dias atrás, Kobe Bryant levantou a bola de que, neste ano, a NBA poderia pela primeira vez na história dar o prêmio de MVP a dois jogadores. A ideia seria agraciar James Harden e Russell Westbrook como co-MVPs, dividindo o prêmio.

Em outros prêmios isso já aconteceu: Jason Kidd e Grant Hill já foram co-Rookie of the Year, Elton Brand e Steve Francis idem, Kobe e Shaquille O’neal já dividiram o prêmio de melhores jogadores do All Star Game em um ano e etc. Em uma disputa tão acirrada como a de melhor jogador da temporada, a proposta de agraciar Harden e Westbrook ganha força neste ano.

No entanto, acho a ideia uma besteira tremenda. Não faz o menor sentido sugerir uma divisão do prêmio entre os dois.

Para começar, o critério de escolha minimiza completamente as chances disso acontecer. Em uma votação em que jornalistas escolher os cinco melhores jogadores da temporada, em ordem, e em que a cada posição uma pontuação é atribuída, é quase impossível que os dois empatem.

Nas votações mais apertadas da história (como em 90, quando Magic Johnson superou Charles Barkley e 97, quando Karl Malone bateu Michael Jordan), o MVP teve mais do que 20 pontos de votação acima do segundo colocado.

Quando esse empate aconteceu no prêmio de calouro do ano, a votação era muito mais simples e muito mais suscetível para um empate na pontuação.

A única chance de uma divisão acontecer, seria com uma canetada da NBA. No entanto, isso seria a mesma coisa do que RASGAR E JOGAR NO LIXO os critérios de escolha usados nos últimos anos. Seria uma piada.

Mas ok, mesmo imaginando que Adam Silver estivesse disposto a isso, eu acho que seria uma baita de uma sacanagem com todos os outros jogadores que ‘quase foram MVP’ no passado e, principalmente, com James Harden e Russell Westbrook.

Ainda que seja uma pena imaginar que um dos dois vá sair de mãos abanando nesta temporada, é um absurdo pensar que, se fosse dividido, uma temporada impressionante como esta carregaria para sempre um asterisco justificando que a escolha foi diferente das demais.

Em uma competição de alto nível como esta, do prêmio individual máximo da temporada, alguém TEM que ganhar. Dividir o título como consolação não serve para isso. Muito menos para dois jogadores que estão batalhando tanto para superar um ao outro. Não funciona assim.

Seja lá quem for o vencedor da votação, merece o título só para ele. Absoluto. Inquestionável. Como sempre foi.

Eles não precisam ser amigos

O Washington Wizards entrou na temporada regular cercado de dúvidas quanto ao seu real potencial. O time vinha de uma sequência estranha. Em 2014-2015, teve uma campanha animadora nos playoffs e, não fosse por uma lesão de Wall, tinha boas chances de alcançar uma final de conferência. Na temporada seguinte, a decepcionante décima colocação e não ida ao mata mata.

A história que era usada como álibi para a inconstância do time e sobretudo de John Wall e Bradley Beal, promissora dupla de armadores da franquia, era a de que os dois não se bicavam. De fato, frustrados com tudo que rolava na equipe, os dois trocaram alfinetadas públicas. Wall reclamou da baixa frequência de Beal, atormentado por lesões, no time. Beal, por sua vez, se incomodou com o domínio absoluto de Wall na posse da bola. Ficou famosa a frase que os dois tinham “tendência a não se gostar”. Como quase sempre acontece, a treta e os resultados ruins foram diretamente ligados.

Agora o time voltou a ganhar, emplacou a melhor sequência de vitórias em casa na temporada e já registra a melhor campanha da NBA desde janeiro. Não só está próximo de se garantir matematicamente nos playoffs, como é o time que atualmente mais ameaça o reinado do Cleveland Cavaliers na liderança do Leste. E, claro, muita gente tenta atribuir a uma suposta sintonia entre Beal e Wall fora da quadra.

Sinceramente não tenho como dizer se os dois são amigos, se não são. O meu ponto é que, dadas as declarações dos jogadores, dado o histórico de caras que declaradamente se odiavam mas jogavam muito, a amizade entre estrelas do mesmo time como receita do sucesso é uma balela. Apesar de ser muito bonito para os torcedores acreditarem naquilo e para a imprensa criar um enredo, é quase sempre irrelevante se jogadores dividem quarto, se jantam juntos, trocam mensagens ou se sequer se suportam.

Apesar do exemplo mais clássico disso ser a dupla Kobe Bryant e Shaquille Oneal, acho errado colocá-los no mesmo balaio. Ambos figuram possivelmente entre o top 10 da NBA em todos os tempos. Mesmo que um boicotasse o outro, as coisas dariam certo no Lakers. Mesmo no auge do ódio mutuo, o time foi tricampeão. Sem comparação.

Vou trabalhar com exemplos mais ‘terrenos’. Rajon Rondo e Ray Allen também não se gostavam. Um nunca foi muito fã do outro em quadra e, para completar, uma vez Allen disse que Doc Rivers e Danny Ainge não gostavam de Rondo e por isso iriam tentar trocar a dupla para Phoenix. Rondo não gostou, achou que Ray estava inventando alguma coisa para se livrar da negociação e a coisa melou de vez entre os dois. Mesmo assim, em quadra, em cinco anos de parceria, o Boston foi campeão uma vez, vice outra e chegou à final de conferência em mais uma. Rondo foi o jogador que mais deu assistências neste período e Ray Allen era o principal alvo dos seus passes.

Até ano passado, Kevin Durant e Russell Westbrook formavam a dupla mais talentosa da NBA. Por terem entrado na liga mais ou menos na mesma época, terem crescido como profissionais juntos e não terem muito mais colegas de qualidade ao redor, presumia-se que os dois eram muito próximos, quase irmãos. A revelação de que os dois nunca foram nada mais do que ‘colegas de trabalho’ se deu depois que Durant saiu do time. Muita gente achou absurdo que o ala ‘só’ mandou uma mensagem no celular de Russell avisando que deixaria o time, mas, apesar das rusgas ‘institucionais’ da separação, ambos confirmaram que nunca foram muito próximos fora da quadra. Mesmo assim, a parceria funcionou bem, no limite máximo dos seus talentos, independente deles serem super amigos ou só jogarem juntos.

Voltado ao Wizards, ao meu ver, é mais correto dizer que o time passou ganhar por outros motivos mais claros, como a habilidade do técnico Scott Brooks em transformar bons prospectos em jogadores de verdade, como Kelly Oubre e Otto Porter, e filtrar o elenco em uma rotação mais enxuta e eficiente. O time também passou a ter o ataque iniciado por mais jogadores, ao invés de concentrar todas as decisões em Wall – que, por outro lado, se tornou uma opção mais eficaz nos arremessos. A criatividade de Beal na armação do pick and roll, uma referência no fundamento entre os shooting guards, também passou a ser explorada com mais frequência. Com isso, a dupla alcançou o melhor momento da carreira individual e coletivamente – independente de serem amigos ou não.

Não é raro vermos a associação da melhora no rendimento a uma suposta amizade que estaria florescendo entre ambos. Eles não são bobos de negar, claro, mas o fato de Beal já ter reclamado que basicamente SÓ PERGUNTAM ISSO a ele é uma pista de que definitivamente não é a isso que eles creditam esta evolução.

Não digo que problemas de vestiário não influenciam na performance de um time. É claro que sim. Mas não ser amigo de alguém não é problema algum. Atletas jogam para ganhar, fazer seu trabalho, e não amar uns aos outros, amar uma camisa. Pouco importa com quem eles vão com a cara se jogarem tudo que sabem.

Beal, Wall, Shaq, Kobe, Rondo, Allen e companhia são as provas disso.

Uma média de triple double não é suficiente

A temporada de Russell Westbrook não precisa de mais nada para entrar para a história como uma das performances individuais mais bestiais de todos os tempos. Além da absurda e antes tida como impossível de se repetir média de triple double por jogo, Russell é o cestinha da temporada (único com mais de 30 pontos por jogo) e vem colecionando uma série de marcas do tipo “um dos dois jogadores a conseguirem múltiplos jogos seguidos com mais de tantos pontos, rebotes e assistências”, sempre igualando ou batendo marcas de lendas do jogo como Michael Jordan, Oscar Robertson, Wilt Chamberlain e afins.

Apesar disso, o mais provável é que isso não faça de Westbrook o MVP da temporada. Desta vez não vou nem entrar no mérito de que o prêmio de melhor jogador da liga é entregue a um jogador de um dos melhores times e da posição do Thunder na tabela. Mas o fato é que é preciso mais do que um desempenho individual absurdo para ser agraciado com o troféu de jogador mais valioso.

Parece até ingrato e ranzinza exigir ‘mais do que isso’, eu concordo, mas é assim que as coisas funcionam na NBA nestas horas. Quando teve médias de 50 pontos e 25 rebotes por jogo, Wilt Chamberlain ficou apenas em quarto na votação para MVP. Quando pela primeira e única vez até hoje que um jogador teve média de triple double, Oscar Robertson ficou em terceiro lugar na disputa pelo prêmio. As melhores temporadas em termos estatísticos de Michael Jordan (86-87), Lebron James (05-06) e Hakeem Olajuwon (94-95) também não foram contempladas com o ‘award’.

Isso acontece porque a forma como as coisas são conduzidas influenciam muito mais a cabeça dos votantes do que meros números impressos numa planilha – o que é bem justo, na real. A história da temporada, a narrativa do time e do jogador e coisas assim são os fatores que darão luz a este ou aquele cara, fazendo dele o MVP do ano ou não.

Neste caso, o fato de James Harden ter batido na trave na votação de melhor jogador de dois anos atrás, perdendo para o absurdo Stephen Curry, ter tido um ano de merda na temporada passada e ter voltado com tudo, com um jogo renovado, inteligente e, pasmem, altruísta, com um time que parece ter cacife para derrotar qualquer um na busca pelo título acaba valendo muito mais do que 30 pontos, 10 rebotes e 10 assistências por jogo.

Também pesa contra o Westbrook alguns aspectos que inflam estas estatísticas e, para alguns, colocam em dúvida a eficiência de uma média como esta.

Seu chute não é lá dos mais efetivos. Seu true shooting %, que mede a frequência de acertos dos arremessos ponderando chutes de lance livre, dois  e três pontos é apenas 0 147º da liga.

Sua média de rebotes é inflada. 7,8 dos seus rebotes por partida são pegos livres, quando ninguém mais disputa a bola – apenas 12% das bolas que recupera na defesa são ‘brigadas’ com algum rival, de longe a menor média entre os jogadores com mais de 5 rebotes por jogo na liga.

Para completar – e ser bem chato – seu win share, estatística que mede o suposto número de vitórias que um jogador rende para seu time, é menor que o de Kawhi Leonard, James Harden, Lebron James, Isaiah Thomas e Stephen Curry.

Particularmente, não acho que a média de triple double deixe de ser impressionante, mas de fato é de se ponderar o quanto ela é eficaz o suficiente para fazer de Westbrook o melhor jogador do ano, especialmente quando fica claro que há uma forçação de barra para atingir os números – uma crítica que é mais difícil de se fazer a James Harden, seu principal concorrente na disputa.

É mais ou menos o que rolou quando Kobe Bryant, com 35 pontos por jogo e um time meia boca, perdeu o prêmio de MVP para Steve Nash, que não tinha números tão impressionantes. Pesou o fato do primeiro chutar mais de 27 bolas por partida para atingir a média e o segundo estar num time que mudou o jogo naquele momento.

Isso não é diminuir os feitos de Westbrook. Mas, ao mesmo tempo, não é o suficiente para ser MVP.

O dever da torcida do Thunder é atormentar Kevin Durant hoje

Hoje é o típico dia que a torcida justifica a sua existência. Hoje é o dia que a torcida do Oklahoma City Thunder tem o dever de infernizar a vida de Kevin Durant.

Não me entendam mal: eu acho Durant espetacular e já entendi que ele tinha todo o direito de trocar de time. Foi bom para o Thunder enquanto esteve por lá, mas acabou. Sua vida agora é com outro uniforme e pronto.

Também nem acho que ele e Russell Westbrook se odeiem de verdade. Ok, os últimos dois jogos entre os times foram tensos, mas me parece mais uma tentativa de ambos fazerem moral com suas torcidas do que efetivamente um ódio mútuo – o próprio Durant falou sobre isso essa semana.

Apesar destas ponderações, deste balde de água gelada na rivalidade, acho que o papel da torcida do Thunder é fazer o máximo para implodir a moral do rival.

O único compromisso do torcedor é com o seu time. Se for necessário esquecer por alguns minutos que Durant foi o jogador mais importante da franquia nos últimos anos para desestabilizá-lo, que seja assim. Se for necessário ser injusto com sua história para aumentar as chances de vitória do OKC, que todos o façam. Mesmo aqueles que já superaram a partida do astro e entendem que o time deve seguir seu rumo devem adotar este tom. Este é o papel do cara que está na arquibancada.

De quebra, acho que Westbrook é o tipo de cara que cresce muito nestas situações, com um ginásio pegando fogo. Uma boa dose de hostilidade ao rival parece ser um bom combustível para deixar Russell ensadecido.

Hoje é o dia do torcedor do Thunder enaltecer a lealdade de Russell, que renovou contrato com a franquia assim que Durant partiu, e atormentar os rivais. Pouco importa que, na realidade, Durant não seja um traidor execrável, que ele tenha feito muito pela franquia e que ele e Westbrook nem se odeiem de verdade.

Que as homenagens e honras da casa fiquem para a próxima visita de Durant. Hoje é dia da arquibancada do Thunder odiá-lo.

Palpites para reservas do All Star Game

Divulgados os titulares do All Star Game do dia 19 de fevereiro, agora é o momento de especular quem deve ser reserva do jogo. A discussão tem sua importância porque o número de vezes que um jogador vai para o Jogo das Estrelas é um critério usado desde os gatilhos de contrato (‘se fulano for all star tantas vezes, seu salário aumenta em 10%’, ocupando ainda mais a folha salarial e impactando na formação dos times) até para entrada ou não no Hall da Fama.

A definição dos titulares, você sabe, é um ‘concurso de popularidade’, que neste ano teve algumas mudanças de regras e ponderações. Até por isso, os reservas são escolhidos pelos head coaches, com, em tese, critérios técnicos sobre quem está melhor na temporada.

Levando isso em conta, aqui vão os meus palpites para reservas do All Star Game (lembrando que em cada conferência devem ser escolhidos dois armadores, três alas ou pivôs e dois ‘coringas’ de qualquer posição):

LESTE

Armadores
Isaiah Thomas – Na minha opinião, foi a grande ausência entre os titulares. Além de ser um dos cinco caras mais decisivos da liga atualmente e estar carregando o time do Boston a uma briga pelo segundo lugar da conferência, Isaiah é a cara do All Star Game. Precisa ser um malabarista para sobreviver em um jogo em que os menores rivais são pelo menos 20 centímetros maiores do que ele.

John Wall – A função de ‘armador na conferência Leste’ é a que tem o mercado mais saturado na NBA atualmente. Tem muita gente boa, o que faz desta segunda escolha a mais difícil de todo o conjunto de reservas. Vou de John Wall por estar com uma temporada insana, ser o líder de um Washington Wizards em ascensão, quase imbatível em casa. Pesa aqui o fato do jogador ser um craque na defesa também, ser acrobático, rápido, atlético e ter plenas condições de dar show no jogo (ele já foi até campeão no torneio de enterradas!).

Alas/pivôs
Kevin Love
– Se tinha alguém que poderia ameaçar pintar no trio titular do frontcourt do Leste no lugar de Jimmy Butler, era Kevin Love. O jogador do Cleveland Cavaliers ressuscitou nesta temporada, voltando à forma mais parecida possível da época que era uma estrela solitária no Minnesota Timberwolves.

Paul George – George está levemente abaixo das expectativas neste ano. Talvez por conta do time não ter decolado como se esperava ou por estar em uma posição diferente dos últimos dois anos, não sei, mas a verdade é que eu imaginava que ele fosse se consolidar como segundo melhor jogadores do Leste nesta temporada. Mesmo assim, ainda merece uma vaga no jogo. Seu desempenho nos momentos decisivos da partida fazem dele um dos atletas mais ‘clutch’ da atualidade.

Paul Millsap – O ala do Atlanta Hawks é um robô. Extremamente eficiente, craque nos dois lados da quadra e líder de uma equipe que se mantém na metade de cima da zona de classificação do Leste, mesmo completamente reformulada. Quase ninguém nota, mas Millsap mantém as mesmas médias excelentes há quatro anos – e nos últimos três foi all star, logo não há porque questionar se ele vai ou não para o jogo neste ano. Ah, tudo isso TEMPERADO pelo fato de que ele é um dos nomes mais frequentes na rede de boatos de trocas da temporada. Mesmo assim, continuou bem.

Coringas
Kyle Lowry – Dependendo do critério, Lowry poderia ser titular do Leste, já que é efetivamente o cara que faz todo mundo no Toronto jogar melhor, inclusive Demar Derozan, seu colega que está no quinteto principal – a imprensa hipster dos EUA defende essa tese, inclusive. Não discordo disso, mas acho que Lowry é refém da sua eficiência discreta e de uma competição cruel na armação do Leste. Derozan tem a seu favor o fato de ser shooting guard, de ser o cestinha do time e de estar mais vezes nos ‘melhores momentos’. Neste ano, então, Demar ficou com ‘a cota do Raptors’ para ser o titular. Coloquei Lowry atrás de Wall e Thomas apenas pelo ‘fator espetáculo’.

Kemba Walker – Sim, mais um armador aqui. Kemba começou a temporada com um desempenho digno de ser titular do All Star Game, pontuando muito e carregando o Hornets para uma das melhores campanhas do Leste (na época, terceiro lugar). De dezembro em diante, o time caiu de rendimento e agora está apenas no bolo para se classificar. Em todo caso, Kemba continua sendo um baita pontuador, mais consistente que seus concorrentes pela última vaga no jogo.

Podem aparecer
Eu queria muito colocar Joel Embiid, ser humano mais maravilhoso do planeta Terra nos últimos meses. Seus números são excelentes, ele teria entrado como titular pela votação popular e seria legal ter um pivozão de ofício pra brigar com os ‘bigs’ do Oeste, mas o número restrito de partidas jogadas e os poucos minutos fazem com que ele fique com menos chances de entrar na seleção. Também acho que Jabari Parkers, ala do Milwaukee Bucks, seria um bom nome para figurar no time. Correndo por fora, Hassan Whiteside tem alguma chance, mas não é um cara que me agrade muito – caiu muito de rendimento e o time é um lixo.

OESTE

Armadores
Russell Westbrook – Não tem nem o que comentar. Principal ausência entre os titulares. Entendo que Stephen Curry tenha sido escolhido, ainda que Westbrook e Harden sejam os melhores jogadores da temporada. Curry é um dos atletas mais populares da NBA na atualidade e vem de dois anos surreais. Mas não é possível que os três estejam entre os titulares, então Westbrook é, com certeza, uma presença garantida entre os reservas.

Klay Thompson – Escolha muito difícil aqui. Naturalmente o correto seria colocar Chris Paul, mas ele está machucado e terá que ser substituído por alguém (a lesão pode fazer com que os técnicos nem o escolham, não sei). Como não há nenhuma unanimidade entre os demais armadores do Oeste, fui naquele que acho que é o mais talentoso, está no melhor time e teve performances mais impressionantes – Klay marcou 60 pontos neste ano já em uma partida.

Alas/pivôs
Demarcus Cousins
– Acho que Cousins ameaçava a posição de Anthony Davis entre os titulares, mas o desempenho de Davis nos últimos meses e suas estatísticas o garantiram entre os cinco. O pivô do Sacramento é espetacular, não existe qualquer discussão se ele merece ou não estar nesta lista. Seu único problema seria se fosse TROCADO antes do jogo para um time do Leste, já que sempre está nos boatos de trocas.

Marc Gasol – O espanhol vem tendo uma temporada espetacular. Segurou a onda do time sozinho quando todo mundo do Memphis se machucou. Pela primeira vez na carreira está com uma média superior a 20 pontos por partida e em quase todos os outros atributos está com um desempenho melhor do que em 2014/2015, quando foi titular no jogo.

Draymond Green – Questiona-se se o Golden State Warriors merece quatro jogadores entre os all stars. Acho que sim. O time vem muito forte e conta com uma concentração absurda de talentos individuais. Green é um deles. É um dos sérios candidatos a melhor defensor do ano e é um monstro em todos os aspectos do jogo.

Coringas
Gordon Hayward – É impressionante a evolução do Utah Jazz ao longo das últimas temporadas e a personificação disso é Gordon Hayward. O ala do time vem melhorando sua participação gradativamente. Um exemplo disso é que ao longo das últimas seis temporadas, sempre Hayward aumentou sua média de pontos. Além disso, ele é um defensor exemplar no time que tem a melhor marcação da liga.

Damian Lillard – Aqui eu fiquei muito na dúvida, mas coloquei o jogador que eu acho que é mais craque. Lillard é um dos jogadores com basquete mais vistosos da liga. Um talento puro. Além disso, tem anotado excelentes números.

Podem aparecer
Eu fiquei muito na dúvida entre Lillard e Mike Conley, armador do Memphis Grizzlies e jogador mais bem pago da NBA. Conley tem sido excelente, com médias superiores aos anos anteriores. Além disso, ninguém esperava que o time fosse a quarta força do Oeste. Muito disso se deve a ele. Rudy Gobert é outro nome que pode pintar, mas duvido que coloquem tantos pivôs assim na reserva – se ele entrar, Gasol sai, acho.

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