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Os possíveis destinos de Kyrie Irving

Não sou muito afeito a isso, mas dado o terremoto causado pelo anúncio de que Kyrie Irving pediu para ser trocado e a falta de notícias na liga neste período do ano, fazer um exercício de achismo total sobre o destino do jogador pode ser divertido.

Antes de analisar quais times poderiam se interessar numa troca por Kyrie, qual deles deveriam realmente se esforçar em uma negociação e o que poderia seduzir o Cleveland Cavaliers, é preciso fazer um esclarecimento muito importante – que muita gente tem ignorado por aí: Irving NÃO TEM poder sobre o seu futuro neste contrato atual (que vai até 2019). O Cavs é que decide para onde ele vai e SE vai para algum lugar. Por mais que o jogador tenha supostamente indicado alguns destinos de sua preferência, o que vai determinar esta negociação é qual o melhor troco que o Cleveland consegue.

O fato de Carmelo Anthony estar nas conversas para trocas há algum tempo pode causar alguma confusão neste sentido. O ala do Knicks tem uma cláusula em seu contrato dizendo que ele não pode ser trocado sem sua ciência e aprovação. Na prática, ele que escolhe se e para onde pode ser negociado. Mas pouquíssimos jogador têm termos deste tipo nos seus contratos – e Kyrie não é um deles. Logo, tudo depende da conveniência e boa vontade do Cavs.

Bom, sobre as suposições a seguir, lembrem que é só um exercício completo de achismo. Como vocês verão, acho bem difícil que saia algum negócio. Portanto, todas as propostas de trocas são absolutamente hipotéticas. Ah, e não considerei trocas envolvendo três times para não entrar em um espiral infinito de possibilidades.

Vamos às hipóteses que eu considero mais realistas:

Continua no Cleveland

Por mais que o jogador tenha pedido a negociação, o time pode não seguir esta recomendação. A verdade é que não sabemos o exato teor da conversa e como anda a relação do jogador, colegas e franquia. Não se sabe o quão urgente é essa saída, por exemplo. Com as trocas de Jimmy Butler, Paul George e Chris Paul, os nomes mais interessantes disponíveis já foram realocados, reduzindo as possibilidades do Cleveland conseguir algo de valor equivalente em troca.

Mesmo em um cenário em que Kyrie quer sair para se antecipar a um movimento do Lebron no ano que vem, acho que o mais prudente seria tentar segurar o grupo junto por mais uma temporada. Ir para o tudo ou nada. Um improvável título poderia mudar as coisas de cenário, também. Não vejo muito risco para o Cleveland apostar nisso.

New York Knicks

Dentre os times preferidos de Irving, o Knicks é o menos ameaçador para o Cavs. Logo, seria mais inteligente privilegiar a franquia, caso fosse mesmo atender o pedido do armador. Também atenderia melhor a vontade de Kyrie de ser dono do time, além de formar uma dupla animadora com Kristaps Porzingis. A chance de rolar jogo aqui é convencer Carmelo a ir para Cleveland – os reports dão conta que hoje o jogador está determinado a ir para Houston.

O desafio maior seria fazer os salários baterem, já que Irving recebe menos que Anthony e o Cavs está absolutamente afogado além do limite salarial – portanto, não pode receber contratos maiores do que os que está enviando. Neste caso, precisaria envolver mais jogadores no rolo.

Coloquei aqui Iman Shumpert na negociação. Ele perdeu algum espaço no time na última temporada e seria ‘muito Knicks’ repatriar um cara desse tipo em algum momento. Mas poderia ser qualquer outro cara desse calibre.

Chicago Bulls

Bom, aqui vou seguir o raciocínio de que o Cleveland iria preferir mandar Kyrie para times que não o ameaçam. Usando como critério que Lebron James MEIO QUE MANDA no Cavs e quer jogar com seus amigos, uma troca possível seria com o Bulls pelo Dwyane Wade. Não acho que seria a negociação mais inteligente para qualquer um dos lados, mas dá para imaginar uma reunião entre os jogadores ainda saudáveis do Big3, assim como acharia bem provável o Bulls fazer algo bem incoerente com seus últimos movimentos (que no caso seria pegar mais um point guard).

Wade também recebe um salário maior do que Kyrie, o que demandaria algum ajuste para que a negociação saísse do papel. Como os contratos são mais parecidos, qualquer troco do Cavs já seria suficiente.

Denver Nuggets ou Phoenix Suns

Acho possível que o Cleveland tope conversar com algumas equipes, digamos, ‘periféricas’ da conferência Oeste. Denver e Phoenix são dois times que estão bem empenhados em se reforçar e a adição de ‘star power’ poderia elevar consideravelmente o patamar das equipes.

O Suns tem sido envolvido em várias suposições, muitas delas em trocas de três times. O nome mais cotado para sair do time, neste caso, é Eric Bledsoe. Além dele estar meio descontextualizado no atual elenco do Suns – que tem duzentos jogadores sub-21 -, acredito que teria um encaixe interessante ao lado de Lebron. Seria um downgrade para o Cavs na armação, mas também uma oportunidade de se reforçar na defesa e pensar em um esquema diferente para parar o Golden State Warriors.

Para compensar as coisas, simulei a ida de Dragan Bender para Cleveland, já que tornaria a proposta bem mais interessante para o time. Como o jogador não performou o esperado nos primeiros meses de jogo, acho que seria a aposta mais dispensável do Suns.

Vejo o Denver Nuggets mais ou menos na mesma situação. O time quer muito um armador e tem muita gente para, eventualmente, formar um pacotão para o Cavs. A vantagem aqui é que o Denver tem bastante gente nova e com contratos baratos para oferecer. Caso o front office do Cleveland sinta que é inevitável a saída de Lebron no ano que vem, seria um primeiro passo interessante para formar um elenco jovem e promissor para o futuro sem ter que passar por um traumático processo de tanking.

Ajuda o fato que Nuggets e Cavaliers já vinham se falando para uma possível troca envolvendo Kevin Love. Logo, é possível que alguns atletas do Colorado interessem ao Cavs.

Miami Heat ou Milwaukee Bucks

Seria bem irônico o desmoronamento do Cleveland passar por Miami. Por mais que eu não acredite que o Cavs vá entregar seu segundo melhor jogador para um rival assim, este é um dos destinos preferidos de Kyrie, então é preciso ao menos considerar a possibilidade.

Só consigo imaginar alguma coisa saindo aqui se o Heat mandasse Goran Dragic e algum dos seus jovens talentos. Como desprezo completamente Josh Richardson e Tyler Johnson, simulei aqui com Justise Winslow, um desejo hipster de vários times da NBA quando entrou na liga, mas que passou boa parte da última temporada lesionado. Mesmo assim, não acredito numa troca assim.

Coloco no mesmo bolo o Milwaukee Bucks porque o time é um rival direto do Cavs que seria automaticamente alçado ao posto de favorito no Leste caso Kyrie desembarcasse por lá. Considerando o fato que o time não tem armadores que sejam do mesmo nível do resto do elenco, acho que o Milwaukee gostaria de contar com Irving no time.

A pegada aqui é dar alguma juventude ao Cavs, em um esquema parecido ao que fiz com o Denver – sem que o Bucks abrisse mão das suas principais apostas para o futuro. Não acho provável, mas…

San Antonio Spurs e Minnesota Timberwolves

Por fim, fecho a lista de especulações (que saíram da minha cabeça exclusivamente) com dois dos times que completam a lista de preferências de Kyrie. Acho até plausível que o Cavs considere mandá-lo para a conferência Oeste, mas a chegada do armador a qualquer uma destas equipes poderia fazer delas rivais reais do Golden State Warriors, tirando do Cleveland o posto de segunda melhor equipe da liga.

O Minnesota tem o empecilho que Jeff Teague, novo armador do time, só pode ser trocado em dezembro – e não vejo muita possibilidade de uma negociação sair ali sem envolvê-lo. Em todo caso, dá para brincar imaginando algo meio surreal levando Andrew Wiggins ao time que o draftou há três anos. Acho que seria ruim para o Cavs e não seria algo da vontade do Wolves, mas não consigo pensar em outra coisa – o time de Minneapolis não colocaria Towns ou Butler no negócio, acho.

Fiz uma troca meio nada a ver considerando que Wiggins está negociando uma extensão gigantesca de contrato e os valores salariam podem mudar nos próximos dias.

Spurs é outro time que vem sendo cotado nas conversas. Não acho que Irving, apesar da qualidade, seja o armador dos sonhos da franquia e nem que o cenário ao lado de Kawhi seja o mais apropriado para um cara que quer ser franchise player. Em todo caso, o time parece que tem ouvido propostas por Lamarcus Aldridge e uma mudança neste sentido não seria a coisa mais absurda do mundo – apesar de muito improvável.

Por tudo dito acima, apesar das propostas, acho bem difícil que Kyrie saia já. Mas é um bom assunto para ocupar o vazio da offseason.

Não desista: ainda há motivos para assistir as finais de conferência

As finais de conferência não podiam estar mais desinteressantes. No Oeste, o Golden State tem passeado em quadra desde a lesão de Kawhi Leonard, que não deve jogar hoje a noite, facilitando as coisas para o time californiano fechar a série em quatro partidas. No Leste, o Cleveland Cavaliers aplicou duas lavadas monumentais fora de casa e ontem deixou escapar mais um jogo ganho. Para piorar, o Boston Celtics não terá mais Isaiah Thomas, machucado.

Por mais que pareça uma perda de tempo parar para assistir duas séries que não estão nada competitivas, ainda há algo em jogo em cada uma delas.

Possível despedida de Manu Ginóbili – O argentino até agora não anunciou se vai se aposentar ou se volta para mais uma temporada. Ainda que algumas das últimas atuações lembrem o craque multi-campeão pelo Spurs, Manu completa 40 anos daqui dois meses e discrição da sua participação ao longo da temporada sugere que vai ser difícil o jogador enfrentar mais uma maratona de 82 jogos no campeonato que vem. Ele já se despediu da seleção e o jogo desta segunda tem boas chances de ser o último dele na NBA.

Show de Kevin Durant/Stephen Curry – A dupla de scorers do Golden State Warriors tem sido espetacular nos playoffs, especialmente na série contra o Spurs. Na primeira partida, ambos somaram mais de 70 pontos para virar um jogo que parecia perdido. Nos dois confrontos seguintes, cada vez um apareceu para acabar com a partida.

Quem será útil ao Boston ano que vem? – Um dilema toma a direção do Boston Celtics para o ano que vem. O time é excelente, tem bons jogadores para todas as posições, mas praticamente só tem uma estrela de fato – não que seja pouco, mas não é o suficiente para fazer frente aos supertimes que dominam a liga hoje. Os últimos jogos da temporada podem servir como uma peneira para definir quem será útil na próxima temporada e que papel cada jogador poderá ter. Jaylen Brown, por exemplo, tem ganhado espaço com uma defesa disciplinada e ousadia no ataque. Marcus Smart foi fundamental na única vitória do time na série, colocando em cheque o quanto mais um armador vai poder contribuir para a franquia.

(David Liam Kyle/NBAE via Getty Images)

Lebron James persegue Michael Jordan – Pode não valer mais nada, mas cada vez que Lebron James entra em quadra nos playoffs pode resultar em uma performance histórica ou render em uma jogada lendária. A aura de jogador decisivo e vencedor vem se confirmando neste ano. É neste mata-mata, também, que Lebron tem alcançado Michael Jordan em alguns atributos – já passou em roubadas de bola e está a poucos jogos de superar em pontos.

Super Kevin Love – O ala-pivô do Cleveland Cavaliers já vinha recuperando sua melhor forma técnica ao longo da temporada, com performances comparáveis aos seus tempos de Minnesota Timberwolves, mas no mata-mata Love está especialmente bem. Este deve ser o último jogo em que ele vai atuar com alguma liberdade de ação no perímetro, já que contra o Warriors a marcação de Kevin Durant e Draymond Green deve ser implacável. Uma boa oportunidade para emplacar uma statline gorda.

Sem Kawhi, sem chance

Ontem, na abertura da série da final da conferência Oeste, tivemos dois jogos. Um com Kawhi Leonard, em que o San Antonio Spurs massacrou o Golden State Warriors, e outro sem o jogador, lesionado, em que o time de Oakland devolveu a porrada e atropelou o rival. O azar do Spurs – e sorte do Warriors – é que tudo isso valeu pela primeira partida da série e na soma final dos fatos, o Golden State saiu com uma ligeira vantagem que rendeu a vitória e o 1-0.

O começo de jogo foi surreal. O San Antonio Spurs, que enfrentou algumas dificuldades contra Memphis Grizzlies e Houston Rockets, foi absolutamente superior ao Golden State Warriors, que não tinha passado sufoco ainda nos playoffs. No primeiro quarto, foram 30 a 16. Ao intervalo, 62 a 42.

A diferença, que chegou a 25 pontos, foi construída com uma defesa muito forte do Spurs e um ataque cadenciado e eficiente. O time também estava dominando completamente os rebotes. Mais de 1/3 dos arremessos errados foram recuperados no ataque. Além de Kawhi Leonard, um dos melhores defensores da NBA, Jonathon Simmons, Patty Mills, Danny Green e, PASMEM, David Lee estavam sufocando qualquer tentativa de ataque organizado do Warriors.

Isso tudo até Kawhi cair no chão com dores no tornozelo, que já vinha baleado desde a série contra o Houston. Primeiro, ele se enroscou com alguém do próprio banco. Depois, caiu sobre o pé de Zaza Pachulia – aqui vai um parêntesis: ao contrário de muita gente, não acho que dê para afirmar categoricamente que Zaza deixou o pé na maldade para Kawhi se machucar. O pivô, de 125 quilos, vinha correndo para contestar o chute. No movimento de defesa, é compreensível que ele tenha dado um passo a mais para tentar parar o corpo, o que fatalmente causou a lesão de Leonard. Por tudo isso, dou o benefício da dúvida ao Pachulia.

Mas intencional ou não, a jogada mudou o destino do jogo. Sem Kawhi, o Spurs desmoronou tática e psicologicamente. O Warriors emplacou 18 pontos seguidos para diminuir a diferença para menos de 10 pontos. Apesar da apatia total de Klay Thompson e de um jogo discreto de Andre Iguodala, Kevin Durant e Stephen Curry se endiabraram. Passaram a acertar tudo quanto é chute. O Golden State se recuperou na briga pelos rebotes e inverteu a lógica de até então, buscando todas as bolas erradas até que os chutes se encaixassem. O time californiano, correndo contra o relógio, também conseguiu impor seu ritmo rápido de jogo, cheio de contra-ataques. Depois da lesão, o Golden State Warriors fez 58 pontos contra apenas 33 do Spurs.

Sem Kawhi no seu encalço, por exemplo, teve 85% de true shooting. Somados, ele e Curry tiveram 74 pontos. Além da contribuição de ambos, há relatos de que Kerr fez um discurso motivacional sinistro no intervalo do jogo – o técnico acompanhou o jogo dos vestiários. Sabe-se lá o quanto isso influenciou o jogo…

Acredito que o San Antonio até tinha uma vantagem confortável para segurar o ímpeto do rival – jogou sem Kawhi contra o Houston e ganhou, por exemplo. Mas a qualidade do Golden State é surreal. Kevin Durant e Stephen Curry são simplesmente os dois pontuadores mais letais da NBA atual, ao lado de James Harden.

Apesar do enredo – talvez por causa dele -, a série começou mais competitiva do que se imaginava. No entanto, a saúde de Kawhi Leonard para os próximos jogos é preocupante. A exemplo do que aconteceu ontem, é bem provável que o San Antonio Spurs tenha chances muito reduzidas de aguentar o tranco caso ele fique de fora algum jogo. Por outro lado, se voltar, parece que o time tem bala na agulha para jogar de igual para igual contra o melhor time da NBA hoje. Tomara.

[Previsão dos Playoffs] Final do Oeste: Warriors x Spurs

Jogo 1 – Dom.  14 de maio,  San Antonio @ Golden State, 16h30 (ESPN)
Jogo 2 – Ter.  16 de maio,  San Antonio @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 3 – Sab. 20 de maio,  Golden State @ San Antonio, 22h (ESPN)
Jogo 4 – Seg.  22 de maio,  Golden State @ San Antonio, 22h (ESPN)
Jogo 5 * Qua. 24 de maio,  San Antonio @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 6 * Sex. 26 de maio, Golden State @ San Antonio, 22h (ESPN)
Jogo 7 * Dom. 28 de maio,  San Antonio @ Golden State, 22h (ESPN)

Temporada regular: Spurs 2 x 1 Warriors

Palpite: Warriors em 6

O tão aguardado confronto de playoffs entre o sempre competitivo San Antonio Spurs e o recentemente dominante Golden State Warriors finalmente vai acontecer. Nos últimos dois anos, quando o time californiano despontou efetivamente como a maior força da NBA atual, os mais de 150 jogos de temporada regular funcionaram como um período de espera para quando, já no mata-mata, o GSW teria fatalmente sua real prova de fogo ao enfrentar o time texano.

Nos dois anos, o Spurs caiu no meio do caminho. Em 2015, perdeu numa série épica contra o Los Angeles Clippers. No ano passado, quando Spurs e Warriors registravam duas das melhores performances em temporadas regulares de toda a história, foi o Oklahoma City Thunder que se meteu na história. Tardou, mas aconteceu: Spurs conseguiu superar Grizzlies e Rockets para cruzar com o Warriors nos playoffs.

O contexto das coisas sugere que, infelizmente, o embate deste ano tem boas chances de ser menos equilibrado do que os hipotéticos confrontos aguardados nos anos passados. Em 2015, o Warriors não tinha alcançado seu auge ainda. Em 2016, apesar do rival estar voando, o Spurs parecia estar quase no mesmo nível. Neste ano, o Golden State se reforçou com Kevin Durant e amadureceu – deixou de lado a pira pelos recordes e passou a fazer o básico para vencer todo mundo com certa tranquilidade. Na contramão, o San Antonio perdeu Tim Duncan para o INSS e remontou seu esquema de jogo ao redor de Kawhi Leonard, que entra na série baleado com uma lesão no tornozelo.

O Warriors, mais do que nunca, tem uma defesa móvel e versátil. Tem a vantagem de poder colocar Andre Iguodala, Draymond Green, Klay Thompson ou Kevin Durant na marcação do melhor jogador rival sem medo de torrar um deles com faltas. Do outro lado, Kawhi, Jonathon Simmons e Danny Green terão que se desdobrar para parar um ataque ainda mais frenético, rápido e letal que o do Rockets, que em alguns momentos da série passada acabou com o SAS.

Os últimos 20 anos de basquete nos ensinaram que Gregg Popovich é capaz de qualquer coisa e que Manu Ginobili pode acabar com uma partida de playoff. Também não acho que o fato do Golden State ter sobrado nos playoffs até aqui e o Spurs ter sofrido bem mais seja vantagem para um ou para o outro – os rivais de cada um tinham níveis bem diferentes e nem sempre ficar uma semana descansando faz tanta diferença assim, já que o Spurs chega com mais ‘sangue no olho’ pra partida.

Mas, sem dúvida, o Warriors está em um momento melhor. Diferente dos anos anteriores, em que o nível dos dois times eram muito próximo, agora o Spurs teria que superar suas limitações e as certezas do rival para igualar a série. E essa é uma tarefa muito difícil.

O maior massacre dos playoffs

O confronto entre San Antonio Spurs e Houston Rockets tinha tudo para ser o mais equilibrado dos playoffs até aqui. Ironicamente, foi o maior massacre de todas as partidas do mata-mata deste ano. O time vermelho (que estava de preto) massacrou o rival do Texas: 126 a 99 fora de casa. E só não foi mais porque o Houston levou a partida em banho-maria na sua metade final – na volta do intervalo, o Rockets estava com praticamente o dobro de pontos do Spurs.

Vi muita gente falando ~nas redes sociais~ que vitória por 1 ou por 30 pontos valem a mesma coisa numa série de playoffs, que contam como 1×0 da mesma forma. Numa análise bem fria, isso é verdade. No entanto, o genocídio cometido na quadra do AT&T Center tem uma influência brutal no desenrolar do confronto.

Para começo de conversa, o nó aplicado por Mike D’Antoni foi surpreendente. Por mais que existisse o risco do Houston emplacar seu jogo corrido e acertar tudo de fora, ninguém com o mínimo de sanidade imaginava que a vitória seria tão tranquila. James Harden e companhia expuseram todas as fraquezas de San Antonio ao longo dos 48 minutos de jogo.

(Mark Sobhani/NBAE via Getty Images)

Para começo de conversa, ficou claro que o Spurs não pode jogar com tantos defensores fracos de pick and roll. A maioria esmagadora das cestas do Houston saiu de jogadas que começavam com um corta na cabeça do garrafão e Harden soltava a bola no jogador do bloqueio (Clint Capela para a enterrada ou Ryan Anderson para o chute de fora) ou distribuía para outro jogador aberto na lateral (Eric Gordon ou Trevor Ariza), livre por causa da dobra de marcação. Nisso, David Lee e Pau Gasol pareciam juvenis, correndo atrás de Harden e sem tempo de reação para recuperar a posição marcando um segundo jogador.

Lamarcus Aldridge e Tony Parker também estiveram muito mal. O primeiro mostrou não ter velocidade para acompanhar Trevor Ariza e o segundo foi totalmente apagado no ataque e na defesa. Danny Green e Kawhi Leonard não foram capazes de, sozinhos, parar o arsenal do Rockets. O primeiro, para completar, também não acertou nada.

O Houston, por sua vez, emplacou 22 bolas de três e seis jogadores com mais de dez pontos. Das 40 cestas que fez, 30 foram assistidas.

É preciso ponderar que este primeiro jogo teve o que o Houston pode oferecer de melhor e o que pode acontecer de mais desastroso para o San Antonio – uma combinação improvável de se repetir. Mesmo assim, é um sinal muito claro de que o time de D’Antoni começou mais preparado a série do que a equipe de Gregg Popovich.

[Previsão dos Playoffs] Semifinal do Oeste: Spurs x Rockets


Jogo 1 – Seg. Maio 1 Rockets @ Spurs, 22h30
Jogo 2 – Qua. Maio 3 Rockets @ Spurs, 22h30
Jogo 3  – Qui. Maio 5 Spurs @ Rockets, 22h30
Jogo 4 – Dom. Maio 7 Spurs @ Rockets, 22h
Jogo 5 – Qua. Maio 9 Rockets @ Spurs, se necessário
Jogo 6 – Sex. Maio 11 Spurs @ Rockets, se necessário
Jogo 7 – Seg. Maio 14 Rockets @ Spurs, se necessário

Confrontos na temporada regular: 3×1

Palpite: Spurs em 7

É a disputa de nível mais alto das quatro semifinais, já que reúne os únicos dois times que, ao meu ver, têm alguma chance de entrar de penetra na final da NBA.

Prevejo uma disputa longa e muito equilibrada. Os dois times têm pontos fortes muito distintos e, ao mesmo tempo, armas para neutralizar as vantagens do rival. O Houston Rockets, por exemplo, é muito difícil de se vencer quando seus jogadores estão com a mão calibrada – é o time que mais chuta de três na liga. Ao mesmo tempo, o San Antonio tem excelentes defensores e um esquema que deixa poucos espaços livres para o arremesso.

O San Antonio Spurs, do outro lado, consegue variar seu jogo como poucos times. Via de regra, ataca lentamente, com inteligência, muitos passes e baseado na versatilidade de Kawhi Leonard. Mas tem qualidade no garrafão e bons chutadores de fora. Ao mesmo tempo, a transição insana do Rockets e o ritmo acelerado do time podem quebrar o ritmo cadenciado do rival do Texas.

Os pontos-chave do confronto são três, ao meu ver. Danny Green vai se capaz de desacelerar James Harden? Ou Gregg Popovich vai colocar Kawhi Leonard sob o risco de carregá-lo de faltas (o Barba é o maior cavador de faltas da liga na atualidade)? Difícil saber qual tática será mais eficiente e qual vai comprometer menos outros aspectos do jogo, como, por exemplo, preservar as pernas e o pulmão de Leonard no ataque.

O encaixe do pick and roll do Houston e a defesa do Spurs nestas jogadas também são pontos cruciais. David Lee e Pau Gasol não são bons defensores e conseguem ser ainda piores na hora de subir para a cabeça do garrafão e trocar no momento do bloqueio. Da mesma forma que Enes Kanter pareceu um inútil completo na série do Rockets contra o Thunder, Gasol e Lee correm o risco de não poderem jogar muitos minutos para que o Spurs não sofra com isso. A solução do Spurs seria dar muitos minutos a Dewayne Deadmon, que defende bem este tipo de jogada, mas que não acrescenta nada no ataque.

Por fim, qual será o matchup de Kawhi Leonard e como a defesa do Houston vai se sair. Trevor Ariza é o defensor mais indicado para a situação, mas o ‘pinball’ ofensivo do Spurs é tão frenético que muitas vezes Leonard vai acabar sobrando para James Harden, Ryan Anderson e outros jogadores do Houston que não são tao talentosos na marcação.

Sinceramente, não acho absurdo que o Rockets passe, uma vez que tem talento de sobra para vencer qualquer time, mas escolho o Spurs única e exclusivamente pelo mando de quadra – que é o critério de desempate que escolhi. Minha única surpresa seria ver uma série decidida em menos de seis jogos.

Playoffs em looping eterno

Por mais que cada ano seja um campeonato novo na NBA, algumas coisas parecem se repetir em um looping eterno. Sinceramente, não sei explicar. Particularmente eu não acredito em ‘peso de camisa’, que tal time ou jogador ‘afinam’ e etc. Acredito na coincidência, no azar e na sorte, mas algumas coisas insistem em sinistramente se repetir todos os anos.

Não importa o que acontecer, por exemplo, o Cleveland Cavaliers vai varrer qualquer intruso da conferência Leste. A menos que seja algum time que consistentemente reafirmou seu ‘merecimento’ na pós-temporada ao longo de todo o ano, invariavelmente o Cavs vai passar por cima – independente da fase do time, do clima, do número de jogadores à disposição ou lesionados. Foi assim ano passado, quando dizimou o Detroit Pistons e o Atlanta Hawks, e neste ano contra o Indiana Pacers.

Também parece que todo ano o Toronto Raptors vai penar para passar toda e qualquer rodada dos playoffs, das mais iniciais às mais avançadas. Em 2014 perdeu em um 4 a 3 melancólico na primeira fase, em 2015 foi varrido pelo Washington Wizards mesmo com a vantagem do mando de quadra e na temporada passada passou dos dois primeiros rounds, contra Pacers e Heat, levando a disputa até o sétimo jogo. Neste ano, contra o ‘juvenil’ (porém talentoso) Milwaukee Bucks, as dificuldades parecem ser as mesmas e a série está empatada em 2-2, apesar do time canadense ter um elenco muito qualificado e milhares de quilômetros mais rodado que o rival.

Neste caso, o que se repete é a falta de consistência dos seus melhores jogadores. Demar Derozan e Kyle Lowry, ainda que estejam entre as cinco melhores duplas de armadores da NBA de qualquer pessoa, parecem incapazes de jogarem bem ao mesmo tempo em partidas de playoffs. Uma coincidência triste para a franquia, que se bate para derrotar times mais fracos mesmo quando o Raptors deveria sobrar na disputa.

Do outro lado do mapa, algumas coisas também parecem funcionar como um ponteiro do relógio  – que passa o tempo e no dia seguinte, no mesmo horário, estará marcando, naturalmente, a mesma hora. A primeira delas é que Damian Lillard vai jogar tudo que pode e vai endurecer o confronto que for. Se tiver uma brecha, vai descolar uma vitória aqui ou ali contra um rival muito mais forte e, até, com sorte, se classificar (2014 contra o Houston e ano passado contra o Clippers, por exemplo).

Neste ano, assim como no passado, o Portland Trail Blazers tem conseguido jogar de igual para igual contra o Golden State Warriors em muitos momentos da partida, especialmente escorado no desempenho de Lillard e CJ McCollum. Mas uma dupla não é suficiente para derrotar o melhor time da liga – apesar de em alguns momentos dar indícios de que os jogos podem ser equilibrados.

Entra ano, sai ano, o Spurs vai jogar o fino sem ninguém notar e o Grizzlies vai pegar pesado e engrossar para o rival. Ano sim, ano não, os dois vão se enfrentar e, num choque de realidades, vai sair faísca.

Por último, é batata: alguém do Clippers vai se machucar e reduzir à migalhas as chances do time de ir a uma final de conferência. Quando não é Chris Paul, é Blake Griffin. Em regra, na verdade, os dois vão se lesionar. Não é urucubaca – aliás, torço muito para que o armador fique inteiro neste ano – mas tem sido assim nos últimos cinco anos, infelizmente.  É triste, uma vez que todo ano, também, a franquia começa a temporada como uma das mais talentosas da liga e uma das apostas para melar os planos dos favoritos. No entanto, quando os playoffs começam, alguma maldição desgraçada ronda por lá.

Isso que os playoffs começaram há pouco mais de uma semana e o primeiro round ainda está na metade para a maioria dos times. Com o passar dos jogos, certamente algumas histórias vão se repetir, mesmo que não tenha uma explicação lógica para isso acontecer. No que mais você aposta?

[Previsão dos Playoffs] Primeiro round do Oeste

Já soltei aqui os meus palpites do Leste. Agora é a vez de mostrar quais serão os confrontos da conferência Oeste, quem venceu os duelos da temporada regular e o que dá para esperar de cada matchup. Confere aí:

1º Golden State Warriors x 8º Portland Trial Blazers

Jogo 1 – Dom.  Abril 16  Portland @ Golden State, 16h30
Jogo 2 – Qua.  Abril 19  Portland @ Golden State, 23h30
Jogo 3 – Sab. Abril 22  Golden State @ Portland, 23h30
Jogo 4 – Seg.  Abril 24  Golden State @ Portland, 23h30
Jogo 5 * Qua. Abril 26  Portland @ Golden State, a definir
Jogo 6 * Sex. Abril 28  Golden State @ Portland, a definir
Jogo 7 * Dom. Abril 30  Portland @ Golden State, a definir

Confrontos na temporada regular: 4×0

Palpite: Warriors em 4 jogos

O time do Blazers é guerreiro, cresceu na reta final, buscou a vaga que estava com o Denver Nuggets, mas não vai ser páreo para o Golden State Warriors completo. O argumento é simples: ano passado o Blazers era melhor, o Warriors pior, estava baleado com a lesão do Curry e mesmo assim o time da California não teve muitas dificuldades para superar o rival. Neste ano, a tendência é que a fatura seja liquidada ainda mais cedo, já que o Warriors conseguiu gerenciar melhor o tempo de jogo dos seus atletas ao longo do ano e chega para o mata-mata em um grande momento.

A série serve para o Golden State encontrar a melhor forma de Kevin Durant, que volta de lesão.

2º San Antonio Spurs x 7º Memphis Grizzlies

Jogo 1 – Sab. Abril 15  Memphis @ San Antonio, 21h
Jogo 2 – Seg. Abril 17  Memphis @ San Antonio, 22h30
Jogo 3 – Qui. Abril 20  San Antonio @ Memphis, 22h30
Jogo 4 – Sab. Abril 22  San Antonio @ Memphis, 21h
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Memphis @ San Antonio,  a definir
Jogo 6 * Qui. Abril 27  San Antonio @ Memphis, a definir
Jogo 7 * Sab. Abril 29  Memphis @ San Antonio, a definir

Confrontos na temporada regular: 2×2

Palpite: Spurs em 6

Os embates do Oeste parece que foram escolhidos todos sob medida. Neste caso, é o Spurs contra um time que sempre sonhou em ser o Spurs. As propostas têm suas semelhanças e imagino que o Memphis poderia ter uma melhor sorte contra qualquer outro rival. Contra o Spurs, no entanto, não imagino qualquer possibilidade de sucesso. A criatura não vai superar o criador.

Grizzlies tem como arma a possibilidade de puxar seus pivôs para fora do garrafão e causar algum desconforto em Pau Gasol, Lamarcus Aldridge e David Lee, mas a cobertura feita por Kawhi Leonard e Danny Green é inteligente o suficiente para neutralizar essa tentativa.

A segunda unidade do Spurs também tem tudo para massacrar os reservas do Memphis, dando mais tranquilidades aos titulares.

3º Houston Rockets x 6º Oklahoma City Thunder

Jogo 1 – Dom. Abril 16  Oklahoma City @ Houston, 22h
Jogo 2 – Qua. Abril 19  Oklahoma City @ Houston, 21h
Jogo 3 – Sex. Abril 21  Houston @ Oklahoma City, 22h30
Jogo 4 – Dom. Abril 23  Houston @ Oklahoma City, 16h30
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Oklahoma City @ Houston, a definir
Jogo 6 * Qui. Abril 27  Houston @ Oklahoma City, a definir
Jogo 7 * Sab. Abril 29  Oklahoma City @ Houston, a definir

Confrontos na temporada regular: 3×1

Palpite: Thunder em 7

De verdade, qualquer aposta em sete jogos é uma loteria só. Meu palpite se baseia em algumas coisas. A primeira delas é que Russell Westbrook está em um outro nível nas últimas partidas, levemente acima do que James Harden tem feito. Confio também na capacidade do armador do Thunder em entrar numa série com mais sangue no olho do que o barba – os playoffs do ano passado servem como exemplo.

Outra coisa que confio é na capacidade do OKC atrapalhar a vida de Harden. Billy Donovan se mostrou um bom estrategista no ano passado para neutralizar os pontos fortes dos rivais em séries de playoffs. Andre Roberson, por exemplo, é o jogador contra o qual Harden tem o pior aproveitamento da sua carreira nos arremessos (30%).

Por último, penso um pouco diferente da grande maioria das pessoas que argumenta que o elenco do Thunder é um catadão de perebas. Acho o time bem decente, com um talento bem comparável ao do Rockets. E a série é uma boa oportunidade para que eles mostrem isso.

Em todo caso, não espero nada menos do que uma guerra em quadra!

4º Los Angeles Clippers x 5º Utah Jazz

Jogo 1 – Sab. Abril 15  Utah @ L.A. Clippers, 23h30
Jogo 2 – Ter. Abril 18  Utah @ L.A. Clippers, 23h30
Jogo 3 – Sex. Abril 21  L.A. Clippers @ Utah, 23h
Jogo 4 – Dom. Abril 23  L.A. Clippers @ Utah,  22h
Jogo 5 * Ter. Abril 25  Utah @ L.A. Clippers, a definir
Jogo 6 * Sex. Abril 28  L.A. Clippers @ Utah, a definir
Jogo 7 * Dom. Abril 30  Utah @ L.A. Clippers, a definir

Confrontos na temporada regular: 3×1

Palpite: Clippers em 6

Outro confronto que promete ser muito equilibrado. Aposto no Clippers pela experiência do time e pela capacidade do time jogar bem com Chris Paul em quadra. São 10 vitórias e apenas 2 derrotas nas últimas partidas, quando o time remontou sua formação principal.

O quinteto titular, aliás, tem uma performance de elite: pontua e defende como o Golden State Warriors, em média.

Jazz é uma equipe excelente, se posta de uma forma que pode fazer jogo duro contra qualquer rival, mas não vejo talentos individuais tão capazes quanto os do rival. Em todo caso, Quin Snyder e seus comandados sairão mais cascudos da série, mesmo com a derrota.

Todo o equilíbrio desta temporada

O melhor jogo da temporada até o momento, Golden State Warriors x Houston Rockets na madrugada de ontem, é o melhor e mais vivo exemplo de como a disputa neste ano está boa. O Houston derrotou o Warriors em um jogo de duas prorrogações em São Francisco numa batalha épica, com placar apertado em 90% do tempo, defesa brigada e ataque preciso e ágil dos dois lados.

Só do Rockets, um time que ano passado era uma zona completa com jogadores absolutamente desmotivados, conseguir emplacar uma partidaça destas contra o Warriors, que jogava em casa, onde quase nunca perde, e vinha de uma sequência impressionante de vitórias, já mostra como tudo está mais achatado.

Mas os exemplos disso são vários: o Clippers se mostrar vivo, mesmo depois de embarcar numa sequência sinistra de derrotas, e bater o atual campeão em Cleveland; o San Antonio Spurs já ter perdido quatro jogos em casa, sendo o último deles para o caótico Orlando Magic; o Oklahoma City Thunder desfigurado e o Memphis Grizzlies repaginado continuarem no cangote dos líderes do Oeste; Toronto Raptors e Charlotte Hornets ganhando do time mais forte da liga num dia e tomando pau para uma equipe de lottery no outro; e etc.

Ainda que tivesse sua graça em ver San Antonio Spurs, Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers destroçando todos os recordes possíveis na temporada passada, é muito mais divertido ver um campeonato totalmente em aberto, com muito mais gente brigando pelas cabeças.

Cavs e Warriors ainda são os melhores times das suas respectivas conferências, mas não é um absurdo pensar que Clippers e Spurs terminem na frente no Oeste ou que Raptors assuste no Leste. Numa série de playoffs, Hornets e Hawks podem ganhar de qualquer um. Com sorte, até Bulls e Celtics podem assustar (o primeiro começou muito bem e o segundo está em uma arrancada convincente). O mesmo dá para dizer de Jazz e Blazers no Oeste.

A rodada de terça-feira mostrou isso: TODOS os times com pior campanha, com mais derrotas do que vitórias, ganharam seus jogos diante dos favoritos. Estatisticamente falando, as chances daquela combinação de resultados acontecer daquela forma era menor do que 1%. Mas não quando as coisas estão mais imprevisíveis do que nunca.

Até os times que tinham tudo para ‘tankar’ e jogar a toalha estão fazendo os melhores times suar. Los Angeles Lakers é o melhor exemplo disso, disputando partida a partida uma chance de ir para os playoffs (sendo um dos únicos três times que já derrotou o GSW nesta temporada). Mas mesmo aqueles que não têm qualquer chance estão fazendo jogos muito melhores do que no ano passado: não é mais uma completa perda de tempo assistir Brooklyn Nets e Philadelphia 76ers.

Para se ter uma ideia, a essa altura do campeonato passado o Warriors estava invicto, com 20 triunfos. Lakers, Nets e Sixers tinham, somados, seis vitórias acumuladas.

No geral, mais de 20 times estão com uma diferencia média entre pontos feitos e tomados menor do que 5 – um equilíbrio incomparável com o ano passado, quando menos da metade estava nesta situação e Spurs e Warriors, em contrapartida, emplacavam recordes históricos nesta estatística.

Isso é ótimo. Dá mais gosto enfrentar, assim, a maratona de 82 jogos da temporada regular. Quando as coisas acontecem como no ano passado, a temporada regular vira uma corrida em que cada time testa seu próprio limite, sem uma competição de fato entre eles. Do jeito que as coisas estão neste ano, o clima de disputa é maior, dando uma boa medida da guerra que os playoffs podem se transformar.

Tomara que continue assim!

Draymond Green e a busca pelo reconhecimento

Quase não há meio termo com Draymond Green. O jogador é detestado por boa parte dos torcedores e amado pela outra parcela. Há quem ache ele sujo demais e falastrão além da conta. Do outro lado, é considerado o último representante do jogo duro e um dos jogadores mais completos da liga. É difícil achar alguém que pondere os aspectos positivos e negativos para fazer seu julgamento sobre Green. Em geral, ele é considerado ou uma coisa só ou outra.

Essa polaridade de opiniões tem custado a Draymond Green o reconhecimento que, segundo suas declarações, ele considera mais importante a respeito do seu jogo: o posto de melhor defensor da liga.

Difícil dizer se ele é O MELHOR mesmo. Se de um modo geral no ataque, em que temos centenas de estatísticas e métricas precisas, já é foda cravar categoricamente quem é o melhor jogador, na defesa este trabalho é ainda mais árduo.

Em todo caso, este clima de “ame ou odeie” em relação a Green já custou a ele um título de Defensive Player of the Year – nos últimos dois anos, ele ficou em segundo, atrás de Kawhi Leonard. Ainda que Kawhi seja um monstro também e mereça os títulos, em 2014/2015, Draymond foi o melhor jogador de defesa do melhor time defensivamente da liga – assim como Leonard esteve nesta situação na temporada passada.

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Naquela oportunidade, Green chegou a receber mais votos para ser eleito o melhor defensor da NBA, mas como a premiação soma a pontuação das escolhas de primeiro, segundo e terceiro lugar, Kawhi acabou levando o troféu na somatória dos pontos. Enquanto a maioria dos jornalistas achou que o jogador do Warriors era o melhor defensor da NBA, quase um terço não se dignou a colocá-lo nem no top3 – um sinal claro do quanto Green divide opiniões.

O início de temporada e, principalmente, a mudança no plantel dos times sinaliza que este pode ser o ano em que Draymond vai superar esta polarização e vir a ser reconhecido como o melhor jogador de defesa da NBA – pelo menos ganhar o título de DPOY.

A chegada de Kevin Durant ao Warriors redefiniu os papéis de cada jogador do time. As prioridades no ataque e na defesa foram revistos e coube a Draymond Green assumir boa parte das responsabilidades defensivas de Andrew Bogut e Harrison Barnes.

Green está no top 10 em tocos e assistências, além de seu time conseguir segurar o ataque rival em 6 pontos abaixo da média a cada 100 posses quando ele está em quadra – uma média excelente. Foi ele que desmanchou a última jogada do Milwaukee Bucks na prorrogação do jogo de sábado. E é ele quem tem segurado as pontas lá atrás para o Golden State se manter como o ataque mais letal da liga.

Kawhi, ainda que continue sendo o melhor defensor da liga ao seu lado, tem outras preocupações nesta temporada, já que virou o principal jogador do Spurs nos dois lados da quadra. Uma condição que pode tirar o foco dos ‘eleitores’ do título de DPOY de Kawhi e migrar para Green.

Claro, tem muita coisa para rolar. Rudy Gobert e Deadre Jordan vem tão fortes quando Draymond nesta briga – mas acho que o ala tem a vantagem de ser mais versátil e defender qualquer posição na quadra.

Em todo caso, tudo se desenha para que este seja o ano que Green mais tem condições de se consagrar como o melhor defensor da liga, apesar dos haters.

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