Tag: San Antonio (Page 2 of 3)

Todo o equilíbrio desta temporada

O melhor jogo da temporada até o momento, Golden State Warriors x Houston Rockets na madrugada de ontem, é o melhor e mais vivo exemplo de como a disputa neste ano está boa. O Houston derrotou o Warriors em um jogo de duas prorrogações em São Francisco numa batalha épica, com placar apertado em 90% do tempo, defesa brigada e ataque preciso e ágil dos dois lados.

Só do Rockets, um time que ano passado era uma zona completa com jogadores absolutamente desmotivados, conseguir emplacar uma partidaça destas contra o Warriors, que jogava em casa, onde quase nunca perde, e vinha de uma sequência impressionante de vitórias, já mostra como tudo está mais achatado.

Mas os exemplos disso são vários: o Clippers se mostrar vivo, mesmo depois de embarcar numa sequência sinistra de derrotas, e bater o atual campeão em Cleveland; o San Antonio Spurs já ter perdido quatro jogos em casa, sendo o último deles para o caótico Orlando Magic; o Oklahoma City Thunder desfigurado e o Memphis Grizzlies repaginado continuarem no cangote dos líderes do Oeste; Toronto Raptors e Charlotte Hornets ganhando do time mais forte da liga num dia e tomando pau para uma equipe de lottery no outro; e etc.

Ainda que tivesse sua graça em ver San Antonio Spurs, Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers destroçando todos os recordes possíveis na temporada passada, é muito mais divertido ver um campeonato totalmente em aberto, com muito mais gente brigando pelas cabeças.

Cavs e Warriors ainda são os melhores times das suas respectivas conferências, mas não é um absurdo pensar que Clippers e Spurs terminem na frente no Oeste ou que Raptors assuste no Leste. Numa série de playoffs, Hornets e Hawks podem ganhar de qualquer um. Com sorte, até Bulls e Celtics podem assustar (o primeiro começou muito bem e o segundo está em uma arrancada convincente). O mesmo dá para dizer de Jazz e Blazers no Oeste.

A rodada de terça-feira mostrou isso: TODOS os times com pior campanha, com mais derrotas do que vitórias, ganharam seus jogos diante dos favoritos. Estatisticamente falando, as chances daquela combinação de resultados acontecer daquela forma era menor do que 1%. Mas não quando as coisas estão mais imprevisíveis do que nunca.

Até os times que tinham tudo para ‘tankar’ e jogar a toalha estão fazendo os melhores times suar. Los Angeles Lakers é o melhor exemplo disso, disputando partida a partida uma chance de ir para os playoffs (sendo um dos únicos três times que já derrotou o GSW nesta temporada). Mas mesmo aqueles que não têm qualquer chance estão fazendo jogos muito melhores do que no ano passado: não é mais uma completa perda de tempo assistir Brooklyn Nets e Philadelphia 76ers.

Para se ter uma ideia, a essa altura do campeonato passado o Warriors estava invicto, com 20 triunfos. Lakers, Nets e Sixers tinham, somados, seis vitórias acumuladas.

No geral, mais de 20 times estão com uma diferencia média entre pontos feitos e tomados menor do que 5 – um equilíbrio incomparável com o ano passado, quando menos da metade estava nesta situação e Spurs e Warriors, em contrapartida, emplacavam recordes históricos nesta estatística.

Isso é ótimo. Dá mais gosto enfrentar, assim, a maratona de 82 jogos da temporada regular. Quando as coisas acontecem como no ano passado, a temporada regular vira uma corrida em que cada time testa seu próprio limite, sem uma competição de fato entre eles. Do jeito que as coisas estão neste ano, o clima de disputa é maior, dando uma boa medida da guerra que os playoffs podem se transformar.

Tomara que continue assim!

Draymond Green e a busca pelo reconhecimento

Quase não há meio termo com Draymond Green. O jogador é detestado por boa parte dos torcedores e amado pela outra parcela. Há quem ache ele sujo demais e falastrão além da conta. Do outro lado, é considerado o último representante do jogo duro e um dos jogadores mais completos da liga. É difícil achar alguém que pondere os aspectos positivos e negativos para fazer seu julgamento sobre Green. Em geral, ele é considerado ou uma coisa só ou outra.

Essa polaridade de opiniões tem custado a Draymond Green o reconhecimento que, segundo suas declarações, ele considera mais importante a respeito do seu jogo: o posto de melhor defensor da liga.

Difícil dizer se ele é O MELHOR mesmo. Se de um modo geral no ataque, em que temos centenas de estatísticas e métricas precisas, já é foda cravar categoricamente quem é o melhor jogador, na defesa este trabalho é ainda mais árduo.

Em todo caso, este clima de “ame ou odeie” em relação a Green já custou a ele um título de Defensive Player of the Year – nos últimos dois anos, ele ficou em segundo, atrás de Kawhi Leonard. Ainda que Kawhi seja um monstro também e mereça os títulos, em 2014/2015, Draymond foi o melhor jogador de defesa do melhor time defensivamente da liga – assim como Leonard esteve nesta situação na temporada passada.

150607232931-20150607-botn-00002201-1280x720

Naquela oportunidade, Green chegou a receber mais votos para ser eleito o melhor defensor da NBA, mas como a premiação soma a pontuação das escolhas de primeiro, segundo e terceiro lugar, Kawhi acabou levando o troféu na somatória dos pontos. Enquanto a maioria dos jornalistas achou que o jogador do Warriors era o melhor defensor da NBA, quase um terço não se dignou a colocá-lo nem no top3 – um sinal claro do quanto Green divide opiniões.

O início de temporada e, principalmente, a mudança no plantel dos times sinaliza que este pode ser o ano em que Draymond vai superar esta polarização e vir a ser reconhecido como o melhor jogador de defesa da NBA – pelo menos ganhar o título de DPOY.

A chegada de Kevin Durant ao Warriors redefiniu os papéis de cada jogador do time. As prioridades no ataque e na defesa foram revistos e coube a Draymond Green assumir boa parte das responsabilidades defensivas de Andrew Bogut e Harrison Barnes.

Green está no top 10 em tocos e assistências, além de seu time conseguir segurar o ataque rival em 6 pontos abaixo da média a cada 100 posses quando ele está em quadra – uma média excelente. Foi ele que desmanchou a última jogada do Milwaukee Bucks na prorrogação do jogo de sábado. E é ele quem tem segurado as pontas lá atrás para o Golden State se manter como o ataque mais letal da liga.

Kawhi, ainda que continue sendo o melhor defensor da liga ao seu lado, tem outras preocupações nesta temporada, já que virou o principal jogador do Spurs nos dois lados da quadra. Uma condição que pode tirar o foco dos ‘eleitores’ do título de DPOY de Kawhi e migrar para Green.

Claro, tem muita coisa para rolar. Rudy Gobert e Deadre Jordan vem tão fortes quando Draymond nesta briga – mas acho que o ala tem a vantagem de ser mais versátil e defender qualquer posição na quadra.

Em todo caso, tudo se desenha para que este seja o ano que Green mais tem condições de se consagrar como o melhor defensor da liga, apesar dos haters.

Não era para Jonathon Simmons estar ali – mas ele está

“Who are you? Who are you?”, cantou ironicamente a torcida do Milwaukee Bucks quando o técnico Gregg Popovich colocou Jonathon Simmons em quadra na casa do adversário. Com uma dose de razão nos berros, os torcedores queriam intimidar o jogador, calouro, apesar dos seus 26 anos. Simmons respondeu a sacanagem com 18 pontos em 20 minutos e a vitória para o time visitante.

Anteontem, mais uma vez, o ala-armador do San Antonio Spurs saiu do nada para acabar com o jogo de estreia contra o superpoderoso Golden State Warriors. Fez 20 pontos, deu um toco à lá Lebron James em Stephen Curry e cravou uma das maiores enterradas do ano, no primeiro dia da temporada, na cara de Javale Mcgee. Nos 28 minutos que esteve em quadra, o time texano fez 33 pontos a mais do que o rival da California – um impacto maior do que Kawhi, Lamarcus ou Ginobili.

Mas se ontem ele estava com o diabo no corpo na principal partida da primeira rodada, se em janeiro ele calou um ginásio inteiro que sequer sabia da sua existência, há três anos Simmons era o retrato do fracasso no esporte profissional americano.

Jonathon estava fodido. Depois de ter saído da universidade e ter sido rejeitado no draft, Simmons jogava de graça pelo Sugar Land Legends, da semi-profissional e recém-criada American Basketball League (ABL). Ele só queria aparecer para algum time. Não contava que o campeonato seria interrompido por problemas financeiros depois de um mês de disputa e ele sequer teria um lugar para jogar.

Sem muito rumo na vida, o jogador tentou uma peneira do Austin Toros, time da D-League, liga de desenvolvimento da NBA, ligado ao San Antonio Spurs. Teve que pagar 150 dólares que não tinha para fazer o teste. Com quatro filhas desde a época da faculdade – quando os jogadores não podem receber para jogar -, apostar uma grana dessas num teste para um time de segunda categoria não era a melhor das ideias. Mesmo assim tentou. E passou.

Foi dos selecionados entre 60 caras que estavam na mesma merda que ele. Os treinadores recomendaram então que ele voltasse dali algumas semanas para o trainning camp do time, quando o Austin formaria um grupo para jogar a temporada da liga de desenvolvimento. A D-League funciona como uma ‘reserva técnica’ dos times da NBA, que despacham alguns jogadores do elenco para jogar por lá enquanto não têm espaço nos times principais. Para dar condição para estes caras atuarem com alguma frequência, completam o elenco com peladeiros profissionais como Simmons.

160418_simmons-austin_700

Jonathon se saiu bem e a equipe o ofereceu um contrato de quase 2 mil dólares por mês. Em dois anos de atividade, ele foi o primeiro jogador a integrar o elenco vindo de uma peneira pública. A grana até era boa se comparada com o que ele tinha ganhado com basquete até aquele momento – no caso, nada -, mas não o suficiente para sobreviver e bancar as quatro filhas que tinha deixado na sua cidade natal, Houston.

Na sua primeira temporada estava cumprindo um papel razoavelmente digno, mas nada de muito destaque. Outros colegas de time ganhavam vez ou outra chances no San Antonio Spurs quando algum jogador do elenco principal se lesionava (Austin Daye, Ronald Murray, Bryce Cotton), mas nada dele ser chamado.

Um dia chegou ao treino decidido a largar mão da vida de atleta de segunda categoria e trabalhar em algum emprego tradicional – sua mãe queria que ele fosse barbeiro – , mas foi demovido da ideia pelo então membro da comissão técnica do time, Earl Watson, que hoje é técnico do Phoenix Suns. Watson e seus colegas de Austin estavam de olho no talento de Simmons, aguardando uma oportunidade para recomendá-lo para o staff principal de San Antonio.

Foram duas temporadas de insistência sem muitos frutos até que na offseason de 2015 o Brooklyn Nets o convidou para jogar nas Summer League de Orlando. Três jogos depois, foi a vez do San Antonio Spurs dar uma oportunidade a ele, desta vez para o torneio de verão de Las Vegas, o mais tradicional de todos. Atuou bem e foi nomeado o melhor jogador do campeonato.

Dois dias depois de receber o prêmio, o front office do San Antonio o procurou para oferecer um contrato para a temporada seguinte. Seriam 500 mil dólares não garantidos para ser inscrito como um dos 15 jogadores do Spurs para disputar a NBA!

maxresdefault

Como tudo na vida dele é dolorosamente sofrido, na data final para inscrição dos elencos, Simmons foi mandado de volta para o time de Austin – o alento era que, desta vez, era um atleta contratado da equipe principal que só jogaria temporariamente pelo time reserva.

Não durou um mês para, no mesmo jogo, Manu Ginobili e Kawhi Leonard se lesionarem e o time precisar de um suplente para a posição. Foi a deixa necessária para que Simmons estreasse na NBA, calouro aos 26 anos.

Desde então, teve algumas idas e vindas entre San Antonio e Austin, mas já jogou 56 partidas pela principal liga do mundo. Duas delas como titular. Foi vaiado em Milwaukee. Foi estrela contra o Golden State.

Hoje é uma peça garantida na rotação mais democrática e talentosa da liga, arranca elogios do principal técnico da NBA e, mais impressionante de tudo, venceu todos os prognósticos de ser um ninguém.

[Previsão 16/17] Spurs: o metodismo fantástico

Sabe qual foi a última vez que o San Antonio Spurs ganhou menos do que 50 jogos na temporada regular? Em 1999, quando o locaute (greve dos patrões) encurtou a temporada da NBA quase pela metade. Mesmo assim, o time ganhou 3/4 das partidas daquele ano e conquistou seu primeiro título.

E sabe quando foi a última vez que não foi aos playoffs? No pré-histórico ano de 1997, quando perdeu tudo que podia de propósito só para buscar Tim Duncan no draft seguinte.

Fora isso, a franquia não vacila. São 44 playoffs em 50 anos de história. É quase o mesmo número de mata-matas do que Philadelphia e Atlanta, com 20 anos a menos de história. Na frente deles, só a dupla Lakers/Celtics.

Tudo isso para provar que não é porque Tim Duncan, maior jogador da história da franquia, se aposentou, que a coisa vai degringolar no interior do Texas. San Antonio continuará ganhando mesmo sem seu principal nome das últimas duas décadas.

O provável sucesso deste time é a prova de que o Spurs chegou a um nível de metodismo que independe de quem está em quadra: o basquete será praticamente o mesmo.

New Orleans Pelicans v San Antonio Spurs

Claro que o time é impecável na renovação dos talentos do elenco, algo fundamental para que o plano da franquia seja colocado em prática. Aliás, dá para notar a renovação? Enquanto Ginóbili, Duncan e Parker iam se aposentando gradualmente em quadra, Kawhi Leonard foi se transformando no melhor defensor da liga e em um dos mais letais arremessadores do jogo. O time ainda conseguiu atrair um dos jogadores mais eficientes e menos badalados da NBA, Lamarcus Aldridge, para segurar a barra no garrafão. A melhor renovação é aquela que a gente mal consegue notar!

É possível que enfrente alguns obstáculos mais cascudos neste ano. Depois de vir de uma temporada com um dos melhores desempenhos defensivos de todos os tempos, o time terá que se acostumar com um Pau Gasol no comando do garrafão – que é excelente no ataque, quebra um bom galho na defesa onball, mas não é um gênio na cobertura como era Tim Duncan.

Mas, mesmo que demore um tempo para engrenar, não há qualquer outro motivo para apostar contra o time de Gregg Popovich.

Offseason
A maior baixa foi a aposentadoria de Tim Duncan. Perdeu ainda David West para o rival Warriors e Boban Marjanovic para o Pistons. Repôs bem com Pau Gasol e David Lee.

Time Provável
PG – Tony Parker / Patty Mills
SG – Danny Green / Manu Ginobili / Jonathon Simmons
SF – Kawhi Leonard / Kyle Anderson
PF – Lamarcus Aldridge / David Lee
C – Pau Gasol / Dewayne Dedmon

Expectativa
Nada de diferente dos últimos anos. Mesmo com rivais muito mais badalados, o time deve fazer uma campanha boa suficiente para ser um dos primeiros do Oeste e, na pós-temporada, brigar pelo título.

Gasol e Spurs nasceram um para o outro

Pau Gasol é um dos jogadores mais injustiçados desta geração. Em algum momento alguém o viu jogar mais com a cabeça do que com os bíceps, não gostou e botou um carimbo de ‘soft’ na sua testa – que colou mesmo no jogador especialmente pelo apelido realmente muito bom de GaSOFT e por ter tomado algumas enterradas lendárias na cara mesmo e ter reagido de forma meio ‘blase’.


Mas a real é que Pau Gasol nunca foi exatamente frouxo (numa tradução livre e ainda mais pejorativa de ‘soft’). Gasol só foi sempre um cara que soube que é mais esperto fazer a bola rodar sozinha enquanto os jogadores se movimentam discretamente sem ela do que carregar a pelota para os quatro cantos da quadra. Ou então aquele cara que sabia que uma largadinha precisa vale os mesmos pontos que a enterrada na cara do adversário.

Em resumo: Gasol sempre jogou o ‘Spurs ball’, esquema de muitos passes, movimentação sem a bola e basquete coletivo, mesmo jogando a sua carreira toda somente no Grizzlies, Lakers e Bulls. Apesar de nunca ter jogado no time multicampeão do Texas, parece que a carreira inteira entrou em quadra sendo orientado por Gregg Popovich.

Agora já no final da carreira, Gasol vai finalmente vestir a camisa do Spurs. Achei a contratação mais interessante entre as negociações não muito badaladas desta offseason. Além de parecer um casamento perfeito, Gasol não só preenche a lacuna deixada por Tim Duncan, como é um excelente complemento para o jogo de Lamarcus Aldridge, que é um ala-pivo que gosta de chutar de meia distância e que vai saber aproveitar muito bem os espaços abertos por Gasol no ataque.

Mesmo que o time a ser batido ainda seja o Golden State Warriors, o San Antonio Spurs vai continuar na cola.

Festa a fantasia dá início às férias antecipadas do San Antonio Spurs

A temporada do San Antonio Spurs terminou de forma decepcionante. O time venceu 67 jogos na temporada, fazendo uma das dez melhores campanhas de todos os tempos. Registrou uma das sete maiores diferenças médias de pontos de toda história da NBA e fechou o ano com a melhor campanha dentro do seu ginásio desde o início da liga, empatando com o Boston Celtics dos anos 80. Se esperava, no mínimo, uma final de conferência Oeste contra o Golden State Warriors, em um clima praticamente de final antecipada. Não rolou.

Mas, se o campeonato acabou mal, mais cedo do que se imaginava, as férias, pelo menos, começaram de maneira épica. Boris Diaw postou ontem na sua conta do Instagram uma foto maravilhosa da festa à fantasia que o time organizou para fechar a temporada.

spurs party

Eu estou encantado com essa foto. É quase como uma versão moderna da “Última Ceia”, de Leonardo da Vinci. Infelizmente não dá para identificar exatamente todos os jogadores – o que, de certa forma, faz com que o registro seja ainda mais intrigante. De certo, Diaw aparece na ponta vestido de esqueleto, Manu Ginóbili é o egípcio (aliás, que performance…), parece ser Tony Parker vestido de Luigi e Matt Bonner de ‘dude’ de camisa roxa.

E aí, consegue identificar mais alguém?

Apesar da decepção, Spurs tem lenha para queimar

A campanha recordista do Golden State Warriors desviou a nossa atenção disso, mas o San Antonio Spurs teve uma temporada regular para entrar na história. Em mais de 60 anos de NBA, só 9 times conseguiram ter um aproveitamento maior de vitórias do que o Spurs deste ano, que fechou a fase classificatória com 67 vitórias e 15 derrotas. A franquia também registrou a sétima maior diferença média entre pontos feitos e tomados por jogo, registrou uma performance defensiva entre as cinco melhores de todos os tempos e um ataque extremamente eficiente. Por tudo isso, cair diante do Oklahoma City Thunder e não enfrentar o Golden State Warriors na final de conferência, numa potencial final antecipada como todos esperavam, foi um desfecho decepcionante para o time de Gregg Popovich.

Não que o time do Thunder não seja bom o suficiente – até falei aqui que o OKC merecia passar -, não que o Spurs fosse garantidamente jogar de igual para igual contra o Warriors, mas pela temporada história que registraram, pela forma como atropelaram o Memphis Grizzlies na primeira fase do mata-mata, todos em San Antonio esperavam mais.

Apesar disso, certamente o San Antonio Spurs volta para a próxima temporada (e seguintes) como um dos postulantes ao título, sem sombra de dúvidas. O time conseguiu um feito único de aposentar (ainda que não seja certo se Ginobili e Duncan param de jogar) uma geração que ganhou tudo e imediatamente colocar em quadra um elenco com potencial parecido do anterior, sem ter uma ou duas temporadas na fossa.  De verdade, não lembro de nenhuma passagem na história da NBA parecida com isso.

920x1240

O quarteto é melhor que muito time por aí e tem contrato garantido por mais dois anos

O time tem um potencial MVP, Kawhi Leonard, garantido no time para os próximos cinco anos. Um ala-pivô de elite, Lamarcus Aldridge, para os próximos quatro. Um grupo de coadjuvantes excelentes e, melhor, baratos em Boris Diaw, David West, Patty Mills e Boban Marjanovic. Pode contar com a dupla da terceira idade, mas excelente, Tim Duncan e Manu Ginóbili. Só isso já garante uma vaga entre os seis melhores times do Oeste para os próximos anos. Se Danny Green e Tony Parker, com contratos até 2018, voltarem a entregar o que jogaram até o ano passado, continuam como contenders.

É difícil e errado fazer qualquer exercício de futurologia, mas o futuro do Spurs é mais garantido que o de Los Angeles Clippers, que pode ter que escolher entre Chris Paul e Blake Griffin para reestruturar seu time, e Oklahoma City Thunder, que vê os contratos de Russell Westbrook e Kevin Durant acabar sem a garantia de permanência da dupla.

Isso sem falar naquela possibilidade de Durant desembarcar no Texas – só com o que têm e com a capacidade de atrair bons e discretos coadjuvantes, Spurs ainda tem um futuro brilhante pela frente.

Às vezes, Diaw fica mais tempo em quadra pra perder peso

O ala-pivô francês do San Antonio Spurs Boris Diaw teve um perfil publicado na última edição da Sports Ilustrated em que confirmou todas as lendas maravilhosas a seu respeito, como a que instalou uma máquina de café espresso no vestiário do time e a de que planeja ainda viajar para o espaço depois que parar de jogar – qualquer hora reúno aqui todas as bizarrices. Mas, lá no meio do texto, quando falava sobre a sua relação com o técnico Gregg Popovich, admitiu que às vezes o comandante do time o deixa em quadra mais do que o necessário para ver se o jogador consegue perder os quilos a mais que ostenta.

É uma regra não-escrita: quando um time está, sei lá, 20 ou 30 pontos na frente do outro em uma partida que não tem mais como virar e o resultado não vai mudar muita coisa o rumo do campeonato, os times colocam em quadra os últimos jogadores da rotação. Não importa muito o que vai acontecer e as duas equipes abrem mão de defender: nessas horas, o que interessa é fazer o tempo correr para que a partida acabe e os jogadores que nunca tem minutos podem inflar um pouco suas estatísticas.

NBA: Washington Wizards at San Antonio Spurs

Branco engorda

Pois bem, nestes momentos, Popovich costuma deixar Diaw correndo de um lado para o outro com a pelegada para ver se afina a barriga e perde um pouco da ‘massa excedente’ da bunda – as duas partes do corpo mais, digamos, proeminentes de Boris. O jogador não é nenhum titular absoluto, mas é um reserva importante – geralmente não jogaria o chamado ‘garbage time’.

Diaw hoje é listado oficialmente com 250 pounds, ou 113,5 quilos. A silhueta roliça fez com que ele tivesse que mudar seu jogo ao longo dos anos. Lá em 2003, quando entrou na liga, o francês tinha 92 quilos e jogava como ala-armador. Ao ganhar peso e perder mobilidade, ele teve que se aproximar da cesta. Por sorte, sempre foi um jogador muito cerebral que faz a bola rodar e dá excelentes passes – uma característica que independe da forma física.

nba_g_diaw01jr_400x600

Bons tempos

Ano retrasado, algumas cláusulas do contrato de Diaw vazaram para a imprensa. Elas mostravam incentivos financeiros para que o jogador não ganhasse peso. Estipulava que Boris ganharia 150 mil dólares se se apresentasse no início da temporada com até 114 quilos, outros 150 mil se não ficasse mais gordo até o All Star Game e 200 mil se terminasse a temporada com o mesmo peso.

 

Perguntas sem respostas

Aqui vai uma lição para a vida, que extrapola as funções básicas deste blog em comentar basquete: não confie em alguém que tem respostas para tudo. Se o camarada surge com uma tese qualquer para questionamentos que você jamais pensou haver solução, desconfie dele.

Voltando agora para a NBA, eu acho que isso fica muito evidente quando as pessoas comentam resultado, seja de uma partida, de uma temporada, de uma troca de jogadores… Isso me ocorreu depois do jogo entre San Antonio Spurs e Golden State Warriors na noite de sábado.

Eu até demorei um tempo para escrever aqui sobre isso para ver se eu entendia melhor o que aconteceu na partida. E apesar de um monte de gente justificar um monte de coisas, eu não me convenci. O San Antonio venceu o jogo com uma defensa inteligente ou o GSW perdeu a partida por causa de uma noite desastrosa nos arremessos de fora? O time texano conseguiu anular Curry ou ele que errou tudo que tentou? É fácil arriscar qualquer palpite, mas é difícil sair com uma resposta definitiva. Para mim, que vê uma resposta óbvia aqui é cretino demais para refletir.

727x0

Um dia ruim para Curry ou um trabalho impecável da defesa do Spurs? Não sei.

Para tentar responder algumas coisas, é melhor esperar o filtro do tempo. Geralmente fica mais fácil tentar entender alguns fenômenos com maior distanciamento e uma amostra mais fiel das consequências. O que explica o Portland Trail Blazer ter se livrado de uma meia dúzia de jogadores, ter se preparado para reformular o elenco e, no final das contas, estar quase garantido nos playoffs?

Por outro lado, quem consegue cravar o motivo de alguns motivos que pareciam estar maduros para entrar no grupo do mata-mata, como Washington Wizards e New Orleans Pelicans, simplesmente não conseguiram deslanchar? As teses são inúmeras, mas há alguma garantia? Nada é tão claro.

Não é possível relativizar qualquer coisa, mas algumas perguntas simplesmente não têm respostas. Admitir isso já é o primeiro passo para tentar com o tempo entender. Ou simplesmente desistir de encontrar um motivo.

Um dia alguém pensou que Kawhi Leonard valia um George Hill

Algumas trocas são engraçadas. No momento em que acontecem ninguém dá a mínima, mas algum tempo depois, quando analisadas em retrospectiva, se mostram completamente desequilibradas.

Ontem foi o dia de lembrar uma destas trocas. Indiana Pacers e San Antonio Spurs se enfrentaram e colocaram frente a frente George Hill e Kawhi Leonard. Um jogador foi trocado pelo outro na noite do draft de 2011 – naquele dia Kawhi foi escolhido na 15ª posição e imediatamente enviado para San Antonio em troca de Hill. Naquele momento ninguém imaginou que poderia ser uma das maiores besteiras da história recente do Pacers e mais uma das grandes sacadas do Spurs, mas hoje fica bem claro o ~gap entre os dois jogadores. Leonard tem apenas 24 anos e já foi eleito MVP das finais e melhor jogador de defesa da liga. Seria um dos favoritos ao título de MVP da temporada se Curry não estivesse jogando completamente possuído pelo capeta. Hill, por sua vez, é um armador que não sabe armar, um shooting guard no corpo de point guard (isso não é um elogio).

2011 NBA Draft

O mais próximo que Kawhi esteve do Pacers: usou um boné do time assim que foi draftado

Claro que é um pouco cretino julgar a negociação agora com o destino dos dois jogadores selado. Na oportunidade Kawhi era apenas um calouro cru. Hill era um jogador com algum talento que era considerado um sonho antigo do Pacers desde que foi draftado três anos antes – o jogador tinha sido uma estrela local quando jogou no basquete universitário – a ponto do Pacers considerar trocar sua escolha de 2009 pelo jogador, mas desistiu quando viu que Paul George sobrou na 10ª escolha. Oportunista ou não, a crítica tem que ser feita e Spurs acertou a mão enquanto o Pacers deixou passar um excelente talento.

No final das contas, isso explica muito do sucesso do Spurs e como outras franquias dependem muito mais da sorte, dos talentos individuais e do acaso. Não sei dizer ao certo o que de fato acontece, mas muitos jogadores que não despertam a atenção das outras franquias acabam dando certo no time do Texas. Eles claramente enxergam algo que todos os outros têm alguma dificuldade de ver.

Do elenco atual, por exemplo, Danny Green era um jogador de 5 minutos por jogo no Cavaliers e se transformou em um dos melhores defensores do perímetro no Spurs. Boris Diaw rodou por meia liga, jogou em todas as posições e só se firmou na equipe de San Antonio, quando encontrou um time em que sua habilidade em rodar a bola fosse sobreposta ao seu físico nada atlético.

Até por isso, é difícil imaginar que Kawhi Leonard seria tão bom caso fosse draftado pelo Pacers, por melhor que o jogador seja hoje. Leonard tem a personalidade que melhor expressa a filosofia do time texano. É uma versão millenium de Tim Duncan, franchise player do Spurs ao longo dos últimos 20 anos – low profile, na dele, tudo que tem de técnico, não tem de marqueteiro. Por isso, é bem possível que ele só tenha chegado ao seu nível atual por ter sido um Spur.

Mesmo evidente que o mérito do Spurs seja uma qualidade rara, eu imagino que toda vez que Hill e Leonard entrem em quadra um contra o outro, como aconteceu ontem, o torcedor do Pacers se sinta desconfortável. Um erro amargo, mas que pode servir de exemplo para os próximos anos. Ainda dá para tentar copiar o Spurs.

Page 2 of 3

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén