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Fiba suspende CBB até janeiro do ano que vem

Meu negócio aqui é NBA e eu evito me arriscar a falar de outra coisa aqui para não cometer uma gafe ou erro de informação. Em todo caso, não dá para se alienar e deixar de lado a notícia mais importante do momento. A Fiba, entidade de comanda o basquete mundial, suspendeu a Confederação Brasileira de Basquetebol (CBB) até  o final de janeiro do ano que vem por conta da péssima gestão da confederação, pelo não cumprimento de uma série de compromissos assumidos e pela multiplicação da dívida da instituição.

Com a punição, de imediato, os clubes e seleções brasileiras ficam impedidas de participar de qualquer competição internacional – Flamengo e Bauru não podem jogar a Liga das Américas, por exemplo. Se a suspensão for prorrogada, até a participação brasileira nos mundiais adultos de 2019 fica ameaçada, com a possibilidade de afastamento das competições classificatórias.

A treta toda vem se agravando desde que a CBB não honrou o pagamento de uma dívida gerada junto à Fiba pela participação no Mundial de 2014, quando o Brasil entrou como convidado. A cobrança chegou a ameaçar a presença brasileira nas olimpíadas do Rio, mas a federação internacional adiou uma suposta punição naquele momento. Depois, a CBB cancelou a participação das suas seleções de base em competições internacionais por falta de dinheiro. Na gestão do atual presidente Carlos Nunes, a dívida da confederação saltou de R$ 1 milhão para R$ 17 milhões.

Agora, a Fiba exige que estes débitos sejam sanados e que um plano administrativo para a próxima gestão seja apresentado a tempo.

A situação é deplorável e o estado de coma do basquete brasileiro é triste, com reflexos negativos em todos os entes, jogadores, clubes e torcedores. A CBB se disse surpresa com a suspensão, apesar da Fiba já ter anunciado uma intervenção na atual administração há alguns meses, em um claro sinal de que as coisas não estavam caminhando bem.

Sou ignorante quanto aos procedimentos legais possíveis, como uma antecipação das eleições marcadas para março de 2017 ou uma administração de transição até a saída da atual diretoria, mas é fato que a suspensão é a prova definitiva da péssima condução da modalidade no país nos últimos anos.

Que o basquete brasileiro sobreviva a estas pessoas.

Adiós, Magnano

A Confederação Brasileira de Basquetebol (CBB) confirmou a saída do técnico argentino Rubén Magnano do comando da seleção brasileira masculina. O encerramento do vínculo com o treinador já era esperado depois da eliminação no torneio olímpico ainda na primeira fase e simboliza o final de uma era no time nacional. Ao meu ver, o trabalho foi razoável, o final foi melancólico e a saída foi natural. O desafio futuro não combina com o seu trabalho de seis anos comandando o elenco brasileiro.

Antes de qualquer coisa, vou fazer uma ressalva básica: a análise aqui se restringe ao trabalho técnico de Magnano. Ainda que ser treinador de uma seleção por seis anos signifique uma conivência com os rumos da Confederação Brasileira de Basquete, eu encaro que o ambiente de merda da CBB é um atenuante para a avaliação do legado do Magnano exclusivamente. Não que isso possa servir como desculpa, mas se o cenário fosse outro, as chances de melhores resultados seria consideravelmente maiores.

De um modo geral, acho que o trabalho realizado por ele foi bem decente. Foi bem justificável a aposta em um técnico campeão olímpico para comandar a primeira geração brasileira com jogadores da NBA. Ainda que tenha demorado um tempo e seja fruto de uma característica individual de alguns jogadores do elenco, sob seu comando o time definitivamente conseguiu assumir uma identidade de forte defesa e movimentação frenética da bola – e, convenhamos, que não é fácil implementar um modelo de jogo num elenco que se reúne a cada dois anos somente.

Os resultados, no entanto, não foram tão bons – aliás, salvo o quinto lugar nas Olimpíadas de Londres, em 2012, eles foram bem decepcionantes. Nada muito diferente do que Lula Ferreira e Moncho Monsalve conseguiram com esta mesma geração, mas convenhamos que a expectativa com Ruben Magnano era ligeiramente maior.

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Magnano montou um time com cara e identidade, mas com resultados decepcionantes

Outro problema, que ficou bem evidente nos últimos jogos, foi a insistência em fazer uma rotação que ignora o momento da partida, o calor do jogo e o desempenho individual dos atletas. Eu entendo que é importante ter convicções, mas é fundamental saber rever seus conceitos rotineiramente – e isso parece que nunca passou pela sua cabeça.

No final das contas, aquele papo de que “o Brasil não tem um jogador que decide” pode ser muito bem resultado de um esquema de jogo que não permite que um jogador se destaque a este ponto – e enquanto a seleção brasileira tinha dez atletas jogando 15 minutos, os rivais tinham jogadores que metiam 40 pontos por jogo. Quem sabe se Nene, Leandrinho ou qualquer outro tivesse esta liberdade, não seria um jogador “que decide” como os dos outros times…

Na reta final, Magnano também perdeu a chance de contribuir com o legado do basquete brasileiro e fazer uma seleção do povo, botando os jogadores em contato com a torcida nas vésperas do torneio do Rio. Ele preferiu a atitude antipática de blindar o elenco – o que se provou, no mínimo, ineficiente.

Diante do resultado dos jogos, então, sua saída era natural – ainda que eu ache que não foi um vexame. Ser um técnico bom, mas cabeça-dura não é uma combinação interessante para o desafio da seleção brasileira para os próximos anos.

É necessário contar com alguém que esteja alinhado com a formação dos jogadores no Brasil e que não tenha muito compromisso com os resultados imediatos – por sorte, a próxima grande competição é só daqui três anos, no Mundial de 2019 na China. Um técnico como José Neto vai muito mais ao encontro da renovação necessária para o escrete.

Dito tudo isso, adiós, Magnano.

Equilíbrio insano

Estava na cara, desde o princípio, que o Grupo B do basquete masculino das Olimpíadas, onde o Brasil tinha caído, era absurdamente equilibrado. Eram cinco times quase que em paridade de forças lutando por quatro vagas. Tirando o fato da seleção brasileira ter se dado mal nessa conta, a classificação final do grupo é o retrato perfeito da disputa mais parelha possível.

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Sim, todos os classificados, do primeiro ao quarto, terminaram rigorosamente empatados com oito pontos (três vitórias e duas derrotas). Argentina e Lituânia, que lideraram a tábua durante as quatro primeiras rodadas, caíram para as suas últimas posições de classificação. Espanha, que podia ser eliminada caso perdesse o último jogo, passou para a segunda colocação e Croácia, que chegou pela repescagem e era alegadamente o time mais fraco dos cinco (até que o Brasil, em tese), fechou em primeiro. Loucura total.

O critério de desempate era, a grosso modo, o confronto direto. Quando há mais de dois times empatados, deve se considerar a pontuação conquistada somente nos confrontos entre os times envolvidos. Desta forma, Croácia e Espanha pulam na frente de Lituânia e Argentina (já que as derrotas para Nigéria e Brasil são ‘desconsideradas). Daí, no confronto direto entre os times, croatas superaram os espanhóis e lituanos derrotaram os argentinos.

O alento para torcida brasileira, que sofreu tanto nas duas prorrogações contra a Argentina e mais ainda quando eles entraram em quadra meio moles contra a Espanha – quando o Brasil precisava que argentinos vencessem espanhóis na última rodada, é ver que esta derrota dos ‘hermanos’ sacramentou o cruzamento com os EUA logo no primeiro jogo do mata-mata.

Não foi vexame

Claro que poderia ser muito melhor, que poderia se classificar e até avançar no mata-mata dependendo do cruzamento da segunda fase, mas o resultado da seleção brasileira no torneio de basquete não foi vergonhoso, como muita gente tem dito neste momento.

O grupo do Brasil era muito foda. Das seis equipes, cinco tinham plenas condições de se classificar. O problema é que eram apenas quatro vagas – e os brasileiros que ficaram de fora.

Eu até concordo que as rotações de Magnano foram esquisitas, que o time foi amador em um ou outro momento decisivo, mas não acho que exista um grande culpado pela eliminação.

Olhando jogo a jogo, o Brasil teve boas condições de vencer todos eles. Começou muito mal contra uma Lituânia que acertava tudo, mas quase conseguiu buscar uma diferença de 29 pontos. Contra a Croácia, fez um jogo honesto, mas do outro lado tinha um Bogdanovic endiabrado. Superou o melhor elenco do grupo, os espanhóis, e perdeu para a Argentina em um jogo com mais méritos dos hermanos, que teve muita estrela em buscar dois empates nos segundos finais, do que deméritos do Brasil.

Da mesma forma que perdeu três destes jogos, poderia ter vencido mais um, mais dois, ter perdido mais um. Foi tudo decidido muito no detalhe. A verdade é que as coisas estavam equilibradas a ponto de que todos os times tinham chances de classificação na ultima rodada do grupo – Argentina podia se classificar do 1º ao 4º lugar, Croácia idem, ou dependendo do resultado da Lituania, os quatro classificados podem terminar empoados, num cenário de paridade surreal.

O problema é que o ufanismo toma conta da rapaziada nessas horas e nem sempre conseguimos ver a dificuldade de um torneio olímpico – basta ver o que a rapaziada me xingou quando eu disse que jogar em casa não garante medalha pra ninguém. Com muita sorte nos cruzamentos dava pra ir mais longe, mas seria uma campanha que desafiaria a lógica do torneio e o favoritismo de outros times.

Claro que, apesar de não achar que foi um grande vexame, eu esperava um pouco mais. Achava que o Brasil tinha elenco pra superar pelo menos Croácia e Argentina. Ia achar sensacional um jogo, mesmo que fosse uma eliminação anunciada, contra os Estados Unidos com um ginásio incendiado pela torcida. E, por fim, torcia muito por uma campanha histórica pra esta geração que se despede da seleção e não vê muitas alternativas de renovação.

Mas não rolou. Diante de todas as circunstâncias, acontece…

Hoje tem que dar Brasil… e Argentina!

Esqueça o jogo insano do final de semana. Esqueça a rivalidade histórica, esqueça as piadas, a treta Pele e Maradona ou qualquer coisa do gênero: hoje não basta uma vitória do Brasil para que a seleção passe para a segunda fase. É preciso também que a Argentina, já garantida na segunda fase, encontre motivação para ganhar o jogo contra a Espanha para que o time brasileiro fique entre os quatro times classificados para o mata-mata dos Jogos Olímpicos.


Quanto ao jogo do Brasil, acho que não vai ser difícil bater a Nigéria. Os africanos têm o pior time do grupo, apesar da vitória sobre a Croácia – que derrotou o Brasil… – e mostraram formar um elenco mais instável que o dos brasileiros.

O ‘pepino’ da rodada é depender dos nossos simpáticos vizinhos. O grande problema, ao meu ver, é que eles já estão em uma posição muito confortável na liderança garantida do grupo.

Há quem diga que eles poderiam fazer corpo mole para eliminar o Brasil. Eu duvido. Não que eles não queiram a eliminação brasileira ou que hesitem entregar um jogo na fase de classificação, mas acho que os argentinos preferem limar a seleção da Espanha, que pode ser mais ameaçadora do que o Brasil um cruzamento futuro.

Ainda que os dois estejam cambaleando na competição, historicamente esse elenco espanhol cresce com o desenrolar dos torneios e os argentinos sabem disso – ou talvez esse seja o enredo que eu escolhi acreditar para ter alguma esperança de classificação brasileira…

Sei lá. Nunca é bom depender dos outros, muito menos de um rival, mas não restam alternativas.

São 17h30 e meu braço está formigando até agora

Pelo amor de deus, eu não estou preparado pra isso! O jogo entre Brasil e Argentina acabou faz quase uma hora e até agora eu estou meio zonzo, atordoado. O que nós acabamos de assistir foi um dos roteiros mais épicos, insanos e absurdos que o basquete pode nos proporcionar – infelizmente com um desfecho ruim para os brasileiros.

Na real se você não viu a partida, procure agora a programação dos canais de esporte e assista a reprise de madrugada. Qualquer descrição do jogo vai ser insuficiente para explicar a atmosfera da partida. Só assistindo para entender toda a aflição das quase três horas de embate. Mas se é possível resumir de alguma maneira, foi um jogo com duas prorrogações em um ginásio lotado de torcedores das duas equipes e decidido nos últimos segundos – e em vários momentos meu braço deu aquela formigada, num sinal claro de PRINCÍPIO DE INFARTO.

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Vai se foder, Nocioni

Apesar da tristeza de perder um jogo assim e decretar o destino fatal de enfrentar os americanos nas quartas de final, é preciso entender que vimos um dos maiores jogos da história das olimpíadas, com uma atmosfera que impressionou o mundo inteiro – os jornalistas americanos, especialmente, surtaram por nunca terem assistido uma partida com duas torcidas tão barulhentas e intensas em uma quadra de basquete.

Não vou tentar explicar a derrota – o Brasil errou em algumas jogadas, mas da mesma forma os argentinos vacilaram em diversos momentos e isso que fez o jogo ser pegado. Só vou lamentar que a vitória não tenha vindo. Seria o tipo de superação perfeito para o enredo de uma medalha olímpica. Vencer os rivais argentinos desta maneira poderia ser a passagem de bastão de um time que conseguiu um milagre olímpico para outro que tenta um feito parecido. Não rolou.

O final foi triste, o enredo foi nervoso, mas foi um puta jogo – e é por isso que nós amamos essa merda (nas derrotas é uma merda mesmo) de esporte.

Lance-livre ganha jogo – de novo

O Brasil conseguiu uma vitória empolgante contra a Espanha na segunda rodada do campeonato de basquete das Olimpíadas do Rio. A cinco segundos do fim, Marquinhos deu um tapinha no rebote ofensivo e deu a liderança para o time brasileiro no placar: 66 a 65 sobre um dos favoritos do torneio.

Existem inúmeros fatores que dão ou tiram uma vitória dessas das mãos de uma equipe em jogos tão apertados e é irresponsável atribuir a apenas um destes, mas nestes dois primeiros jogos, o time brasileiro teve uma alteração decisiva e flagrante no seu desempenho: o aproveitamento de lances-livres.

Na derrota na partida de estreia, o Brasil acertou apenas 22 de 35 (62,9%) arremessos da linha, enquanto os lituanos converteram 15 de 18 (83,3%) tentados. No placar, apesar da reação impressionante no segundo tempo, os brasileiros perderam por seis pontos. Hoje, contra a Espanha, o Brasil meteu 16 de 21 (76,2%) e os rivais acertaram 22 de 33 (66,6%). Em especial, Pau Gasol, principal jogador espanhol, errou sete arremessos do lance-livre – e dois decisivos no último minuto, que obrigariam o Brasil a chutar de três pontos no lance seguinte.

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Este tipo de análise vale, atribuindo uma derrota ou uma vitória em grande parte ao aproveitamento dos free throws, porque é a única jogada do basquete em que o time depende exclusivamente da sua capacidade e do seu equilibrio emocional – excluindo a capacidade de defesa do adversário, os esquemas táticos, os matchups, o ritmo da partida, que influenciam nos outros arremessos e jogadas. Um time excelente neste fundamento, vai ganhar boa parte dos jogos disputados lance a lance e um time pouco confiável vai oscilar quando depender disso para vencer – é bem básico.

No final das contas, o Brasil só teve condições de fazer valer seu aproveitamento porque se manteve na partida a todo momento. Sem o apagão nos momentos finais dos torneios anteriores e sem a moleza com que entrou em quadra na estreia.

Marcelinho Huertas controlou o ataque do time e Nene, além de ser um point guard dentro do garrafão, foi monstruoso na defesa. Augusto Lima mostrou que tem que tomar todos os minutos de Hettsheimer e Marquinhos conseguiu entrar no jogo melhor do que fez nos amistosos e na estreia. O time apresenta um desempenho crescente, que é o mais importante em uma competição de tiro curto como esta.

O caminho para medalha é longo e não tem nada garantido, mas o Brasil está pelo menos fazendo o básico – o que a Espanha, um dos seus maiores rivais nesta caminhada, não fez.

 

Não foi de todo mal

O Brasil perdeu na estreia do torneio masculino de basquete para a equipe da Lituânia por 82 a 76. Apesar da derrota, há o que tirar de bom do primeiro jogo do campeonato. Depois de começar o terceiro quarto de jogo perdendo por 58 a 29, o time brasileiro conseguiu uma reação impressionante e chegou a diminuir a vantagem para apenas 4 pontos.

Jogos de estreia em torneios curtos não são fáceis, especialmente jogando em casa, em uma situação que o apoio da galera pode se transformar em nervosismo. Nem acho que foi exatamente este o caso – pelo menos não ficou evidente isso. Na primeira metade de jogo, principalmente no segundo quarto, o time Lituano deu uma aula de ataque contra defesa, em que eles acertavam tudo na frente diante de uma defesa totalmente apática do Brasil.

Tivesse sido este o teor até o final do jogo, a seleção brasileira sairia arrasada de quadra para sua próxima partida. Não foi assim. Nos dois quartos seguintes, o time fez 23 a 12 no terceiro tempo e 24 a 12 no último. A defesa se acertou e o ataque passou a jogar simples, buscando as cestas no garrafão e a forçar a falta nos pivôs lituanos.

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O Brasil fez valer seu banco. Marcelinho Huertas, Alex e Heittsheimer estiveram muito mal. Até mesmo Leandrinho, maior pontuador do time com 21 pontos, não esteve bem com a formação principal e errou quase tudo na primeira parte da partida. Quando Raulzinho – salvo o último chute a cinco passos da linha de três que ninguém entendeu -, e Felício entraram por mais tempo na segunda etapa, o Brasil se acertou. Leandrinho e Nene, titulares, passaram a jogar demais nos dois lados da quadra e o time quase virou um jogo que estava perdido.

Fica o alerta para o apagão que a equipe teve – muito característico deste elenco, ainda que o mais recorrente seja o time estar vencendo e sofrer um lapso no final e tomar a virada. Dos males, o menor: foi no primeiro jogo onde isso ainda poderia acontecer. Também é bom ficar mais atento aos lances-livres e aos chutes de fora, de onde o Brasil teve um desempenho fraco (22/34 do free throw e 2/14 dos três).

É bom para o time entrar no clima da competição. O time lituano é excelente e não é um desastre perder para eles. O grupo tem tudo para ser decidido na última rodada. Até lá, o time já deve ter encontrado sua formação titular.

Olimpíadas: jogar em casa não rende medalhas

Na série de posts que comecei com análises sobre os times (especialmente Brasil e EUA) e grupos do torneio olímpico, muita gente comentou que a seleção brasileira vai ganhar medalha e que até tem chances de vencer os americanos. Apesar da notória e clara diferença de qualidade, o pessoal se prende naquele lance de que os jogos são aqui, a torcida vai empurrar o time e os caras vão se superar em quadra. Eu até acho que o Brasil pode conseguir um resultado acima da sua qualidade, ganhando uma medalha (de bronze ou de prata, dependendo do cruzamento da segunda fase), superando times mais fortes como Sérvia e França, mas acho impossível que vença os EUA. Mas aqui, sobretudo, quero desmistificar esse papo de que o ‘fator casa’ é tão favorável nos torneios de basquete de seleções. Pelo menos no histórico recente, jogar em casa não tem sido uma vantagem grande o suficiente para levar um time ao título.

Isso é tão flagrante que, mesmo quando o time é um dos favoritos no torneio, o título não vem – mais difícil ainda quando não é a melhor equipe, como é o caso do Brasil. Nas Copas do Mundo de Basquete, por exemplo, até os EUA perderam em casa na última vez que sediaram o mundial. A Espanha, maior força europeia dos últimos anos, ficou apenas em quinto quando o campeonato foi realizado por lá – sendo que tinha sido duas vezes medalhas de prata nas olimpíadas anteriores e campeã mundial dois torneios antes.

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Nas olimpíadas, a vantagem do time da casa é ainda menor e chega a dar a impressão que os times têm um desempenho PIOR quando jogam em casa. Só os EUA foram campeões jogando em seus domínios – o que não é nenhuma novidade, já que eles foram medalhistas de outro em 14 dos 18 torneios de basquete nos jogos. Fora isso, só a União Soviética conseguiu ser medalhista em casa – o que não é exatamente um bom resultado, já que os EUA não participaram daquela edição e os soviéticos eram os francos favoritos.

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Falo tudo isso, porque percebi que existem duas correntes muito fortes e distintas entre os fãs de basquete. Uma turma acha que o Brasil vai tomar pau invariavelmente. Outros se alimentam da ilusão que o time tupiniquim vai chegar forte para ganhar dos seus principais rivais, inclusive os EUA.

A verdade é que há um equilíbrio muito grande. Os americanos são muito melhores do que todos, mas, de resto, tudo pode acontecer. Mesmo sendo pior que Espanha, Sérvia e França – e no mesmo nível que Lituânia e Argentina – dá para ganhar de todos em um dia bom. Ou perder em um dia infeliz. Só é preciso ter em mente que o Brasil não se torna favorito só por jogar no Rio de Janeiro.

Olimpíadas – o caminho da medalha

Já falei aqui que a competição olímpica é muito difícil. São poucas equipes, muitas no mesmo nível e o tiro é curto. Da mesma forma que o Brasil tem time para ficar entre os quatro melhores times, pode perfeitamente cair logo no primeiro jogo do mata-mata e ficar com a oitava posição. No final das contas, a sorte nos cruzamentos é o fator mais decisivo para a longevidade da seleção brasileira na competição. Vou detalhar aqui o roteiro ideal para que Nene e companhia belisquem a melhor medalha possível – e, sendo bem otimista, acho que até uma prata é possível, ainda que não seja o mais provável.

Eu estou considerando que o Brasil passa da primeira fase, claro. Ainda que exista alguma dúvida, já que existem cinco potenciais classificados no grupo para quatro vagas, acho que Croácia e Argentina estão um passo atrás de Espanha, Lituânia e Brasil. Mas, como já disse, as coisas são tão equilibradas que meio que tudo pode acontecer.

Em termos de elenco, saúde, momento e entrosamento, considero que Espanha é o time a ser batido no grupo e Brasil e Lituânia estão no mesmo nível como segunda força. O Brasil até tem condições de ganhar todos os jogos, mas o natural seria ficar em segundo ou terceiro do grupo.

Pensando nos cruzamento da segunda fase, caso não seja possível ser o líder do grupo – o que faria o time ficar no outro lado da chave dos EUA e ainda pegaria uma Austrália ou Venezuela nas quartas-de-final, o melhor dos confrontos -, a melhor posição para terminar a primeira fase é em terceiro lugar, porque jogaria um possível confronto contra os americanos somente para a final.

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Ainda assim, o Brasil já enfrentaria uma pedreira logo de cara, sem margem para derrota: França ou Sérvia. No último mundial, a seleção brasileira derrotou os sérvios na fase de grupos, mas perdeu no mata-mata – e eles acabaram com o vice-campeonato do torneio. Seja quem for, é um cruzamento muito difícil, mas possível de superar.

Passando essa fase, o Brasil, considerando que foi primeiro ou terceiro do grupo, pegaria algum rival da primeira fase (Espanha ou Lituânia de volta). Como eu falei acima, uma pedreira, mas não imbatível. Caso tenha ficado em segundo do próprio grupo e passado das quartas, o adversário é o time americano – e daí, só resta sonhar com o bronze.

Digamos que vença Espanha ou Lituânia mais uma vez na semi, chega à tão sonhada final do torneio olímpico contra os EUA. Sinceramente eu não vejo nenhuma chance de ganhar, ainda que o Brasil tenha um histórico de bons jogos contra os astros da NBA.

Mesmo assim, já seria uma baita campanha terminar com a prata e presentear a torcida com uma final contra o melhor time do mundo. É difícil e depende de uma série de fatores, mas dá para sonhar.

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