Tag: Stephen Curry (Page 1 of 4)

[Previsão 17/18] Warriors: para confirmar seu lugar na história

Se você leu os outros trinta previews daqui do blog, você já deve estar meio cansado de ler que é quase impossível que algum time consiga bater o Golden State Warriors. Todos os times que se reforçaram e todos aqueles que já eram muito bons sempre foram analisados com a ressalva de que nada era o bastante para bater o atual campeão. E a verdade é essa: em condições normais de saúde, caso não aconteça uma ebulição inesperada no elenco, é muito difícil que o Golden State Warriors não termine o ano como o campeão da NBA.

Tudo que os outros times estão tentando fazer é correr atrás do GSW, que já era excelente nos outros anos e melhorou ainda mais com a chegada de Kevin Durant, um dos jogadores mais espetaculares da NBA atual. O encaixe foi perfeito, melhor do que era possível se imaginar, e as finais do campeonato passado mostraram como os outros times estavam a anos-luz do time do técnico Steve Kerr.

Nestas condições, claro, só a vitória interessa à franquia. E ela será fundamental para sedimentar melhor que lugar este time do Warriors ocupará no rol dos maiores times de todos os tempos.

Depois da campanha de 73 vitórias em uma temporada regular, o recorde histórico, muita gente se precipitou em dizer que aquele Warriors era a melhor equipe de todos os tempos. Outros também erraram a mão ao menosprezar o time depois da derrota para o Cleveland Cavaliers nas finais do mesmo ano.

No fundo, tudo isso só provou o quão é errado é tentar avaliar definitivamente qualquer coisa enquanto ela ainda acontece. Hoje é óbvio ver que o time não era o melhor de todos os tempos, visto que, tecnicamente, melhorou bastante com a chegada de Kevin Durant. É também evidente que não era qualquer porcaria e só perdeu para o Cleveland Cavaliers porque o time de Lebron James também é excelente.

Que a formação de Stephen Curry, Klay Thompson, Draymond Green e companhia sobra no jogo de hoje em dia é fácil dizer, mas fica difícil convencer alguém que este time pode ser tão bom quanto foi o Los Angelers Lakers cinco vezes campeão nos anos 80. Ou que seria páreo para o Bulls duas vezes tricampeão dos anos 90. Só não coloco o Boston dos anos 60 aqui porque o jogo era muito diferente, mas só aí dá para ter uma ideia de quantos times já foram realmente muito dominantes nas suas respectivas épocas – algo que o Warriors parece ser, mas ainda precisa confirmar, visto os outros exemplos históricos.

Agora, o que falta ao Warriors é registrar tudo que tem feito em quadra, jogo após jogo, em marcos históricos. Vitórias e mais vitórias. Títulos atrás de títulos. E, assim que tudo isso acabar, a gente contabiliza os feitos.

Claro que pode dar alguma merda nesse meio tempo. Um ou mais jogadores lesionados na reta final do campeonato seria arrebatador. Alguém se revoltar, tipo Kyrie Irving, e a química do grupo se abalar é algo possível, apesar de bem improvável. Mas o time tem elenco suficiente para amenizar qualquer evento sinistro deste tipo.

Em um exercício de abstração total, imagino também que o time ainda se sinta motivado o suficiente para manter a pegada dos últimos anos. Alguma desatenção, distração por achar as coisas ‘fáceis demais’ – como em algum momento aconteceu com o Bulls há vinte anos – pode vir, sim, mas acho que seria um problema mais provável para os próximos anos, não agora.

Offseason
Moderada mas precisa. O time foi atrás de jogadores que, de acordo com os números, encaixam perfeitamente no esquema de Kerr. Nick Young e Ormi Casspi são especialistas no chute e tem seus melhores aproveitamentos, nos maiores patamares da liga, nas situações de arremesso que o Warriors mais cria (chute de fora, aberto após o passe). O Warriors também draftou um jogador que dá a pinta de ser muito útil e voluntarioso, pronto para colaborar desde já, que é Jordan Bell.

Time Provável
PG – Stephen Curry / Shaun Livingston
SG – Klay Thompson / Patrick McCaw / Nick Young
SF – Kevin Durant / Andre Iguodala /Omri Casspi
PF – Draymond Green / David West / Jordan Bell / Kevon Looney
C – Zaza Pachulia / Javale McGee

Expectativa
Mais um ano sendo o melhor time da temporada, mais uma final da NBA. É, disparado, o time com mais chances de título. São todos contra o Golden State Warriors.

Quer receber as atualizações do blog em primeira mão? Siga o Dois Dribles no Twitter:

Não é só dinheiro

Stephen Curry completou, nas primeiras horas do período de free agency, a sua negociação com o Golden State Warriors e fechou o maior contrato da história da NBA. Serão 200 milhões de dólares por cinco anos – o primeiro jogador fora do baseball a assinar um contrato deste calibre.

Muito se especulava se Curry não poderia confirmar sua fama de bom garoto e assinar um contrato camarada com a equipe – a franquia está se metendo em uma bolha de salários que vai forçar o time a se livrar de algum dos seus principais jogadores daqui duas temporadas ou vai embarcar em um espiral perigoso de multas por ter extrapolado em muito o limite salarial da liga. O raciocínio era o seguinte: o jogador já é trilhardário e poderia assinar por um contrato abaixo do máximo para dar aliviar as coisas para o Warriors. Em troca, o time teria mais facilidade para entregar um elenco forte por mais anos.

Por mais que seja bem ingênuo pensar assim, tinha quem fizesse esse coro, engrossado pelo fato de que Kevin Durant já tinha anunciado que faria isso – e fez, assinando por 52 milhões por dois anos.

Acontece que nem sempre o assunto é ‘só’ dinheiro.

Descartando o fato de que 200 milhões é muita grana até para as pessoas mais ricas do universo, o simples fato deste ser o contrato mais gordo de toda a história da NBA, já faz com que sua assinatura tenha um valor além das cifras. É uma marca por si só.

É claro que Curry ‘poderia’ assinar por, sei lá, 160 milhões pelos mesmos cinco anos, continuar com uma grana infinita e ajudar o time, mas o papo aqui é sobre ego. É sobre ser o maior.

Numa relação parecida, é a mesma diferença entre ser MVP e ser eleito de forma unânime. O primeiro é um feito absurdo, mas o segundo é algo único.

Nem acho que ele deva esse tipo de esforço ao time. Curry já passou alguns anos subvalorizado com um contrato de 44 milhões por quatro anos, uma bagatela para os padrões atuais da NBA, especialmente se tratando de um dos jogadores mais decisivos da liga nos últimos anos. Este salário, inclusive, fez com que toda a montagem do Golden State Warriors atual fosse possível – em especial, fazer com que o time fosse um destino para Kevin Durant.

Os números de venda de camisa e materiais licenciados também comprovam que pagar alto por Curry é um investimento válido fora das quatro linhas. A camisa mais vendida da NBA pelo mundo atualmente é a 30 do Golden State.

Se era esperado algum sacrifício de Curry, ele já foi feito há algum tempo. Hoje, é mais do que merecido que ele seja o jogador mais bem pago do basquete.

[Previsão dos Playoffs] Final da NBA: Warriors x Cavaliers

Jogo 1 – Qui.  1 de junho,  Cleveland @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 2 – Dom.  4 de junho,  Cleveland @ Golden State, 21h (ESPN)
Jogo 3 – Qua. 7 de junho,  Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 4 – Sex.  9 de junho,  Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 5 * Seg. 12 de junho,  Cleveland @ Golden State, 22h (ESPN)
Jogo 6 * Qui. 15 de junho, Golden State @ Cleveland, 22h (ESPN)
Jogo 7 * Dom. 18 de junho,  Cleveland @ Golden State, 21h (ESPN)

Temporada regular: 1×1

Palpite: Golden State em 7

O cameponato deste ano foi muito bacana, uma série de histórias legais, feitos históricos e tudo mais. Mesmo assim, parece que foram meses de espera por um tira-teima histórico: a terceira final consecutiva entre Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors.

O ponto alto do confronto é que aparentemente as duas equipes se enfrentarão em no auge da técnica e sem contratempos de lesão – nos últimos dois anos, cada vez uma equipe foi prejudicada por ausência de alguns dos seus principais jogadores. Agora, o Golden State chega mais experiente, tranquilo e com o reforço incomparável de Kevin Durant. O Cleveland também está bem, com Lebron James jogando o melhor basquete da sua carreira, Kevin Love finalmente à vontade e Kyrie Irving sendo decisivo como sempre.

Acredito que nestas condições, o pico do Warriors é ligeiramente superior ao do Cavaliers, o que faz pender a balança do favoritismo para o time californiano. É verdade que na decisão do ano passado o potencial do Golden State já era superior ao do Cleveland, mas acho que a pressão por fazer uma temporada épica, com o maior número de vitórias da história não ajudou na hora do mata-mata decisivo. Neste ano, o time veio em ritmo de cruzeiro  – e mesmo assim não perde há meses.

Kevin Durant é um reforço que não pode ser menosprezado. Até se machucar, o ala estava jogando um basquete digno de MVP, com a maior precisão e eficiência ofensiva e maior impacto defensivo da sua carreira.

No ano passado, a inoperância de Harrison Barnes foi um dos fatores que levou o Cleveland à virada – a tática de deixar o jogador descaradamente livre na intenção de anular outras ameaças mais perigosas do Warriors funcionou e, mais do que isso, perturbou o time do Golden State. Na troca de Barnes por Durant, saiu o poste para entrar o gatilho.

Curry e Durant, ao invés de dividirem a bola, estão multiplicando as oportunidades de pontuação. Os dois se encaixaram mais rápido do que se imaginava. Juntos, o time cria mais oportunidades de arremessos livres e equilibrados, o que aumenta consideravelmente as chances de acerto dos chutes.

O entrosamento tem sido benéfico até para Draymond Green, que já era decisivo na defesa, mas vem tendo um desempenho ofensivo impecável nas últimas séries.

Para que o time emplaque seu esquema com primazia, falta apenas que Klay Thompson apareça um jogo ou outro. O jogador não tem passado pelo seu melhor momento, mas é uma ameaça constante no perímetro – especialmente diante uma defesa não muito dedicada do Cleveland Cavaliers.

Esta, inclusive, é a deficiência que faz com que o time de Ohio esteja um passo atrás na disputa. O ataque não tem muitos problemas. Por mais que a defesa do Warriors seja excepcional, Kyrie Irving, Kevin Love, Lebron James são os jogadores com mais recursos técnicos para vencer a barreira adversária. Channing Frye, Kyle Korver e os demais reservas do time também são letais. Mas, no saldo, é mais difícil que a defesa do Cavs atrapalhe o ataque rival do que o contrário.

Um caminho para o Cavaliers é desacelerar o jogo com a bola na mão. Diminuir o número de posses de bola e levar as partidas em um ritmo que não favorece tanto o rival. Fechado, com posses de bola longas e marcações ‘on ball’, a ineficiência pontual da defesa do Cavs fica muito menos evidente – e chega a favorecer Tristan Thompson, Lebron James e JR Smith.

E, por fim, o que torna a disputa ainda mais imprevisível, apesar da vantagem coletiva do Warriors, é a presença de Lebron James com a camisa 23 do Cavs. Mesmo que Curry, Kyrie, Durant ou seja lá mais quem sejam excelentes, Lebron é de outro mundo. Nestes momentos, então, ele faz ainda mais diferença.

Eu acho que teremos pelo menos seis jogos. Torço muito por sete. Acho que dá Warriors.

O passado é sempre melhor, mesmo que não seja de fato

Charles Barkley falou e virou notícia, mas é o típico papo que vai e vem numa insistência irritante: a NBA de hoje é fraca, os times são ruins, boas mesmos eram as equipes do passado, craques de verdade foram aqueles de gerações anteriores, aquilo que era basquete e etc.

Por mais que para mim seja óbvio que o jogo de hoje é mais completo, mais difícil, mais evoluído físico e tecnicamente (sim, tecnicamente também!), que o basquete da atualidade seja uma evolução do que foi jogado ao longo do século, a maioria esmagadora das pessoas tende a pensar que o esporte do passado é melhor do que o de hoje.

Isso acontece simplesmente porque o jogo que está na memória do cara é imbatível. Não dá para comprar uma recordação, repleta de imprecisões e de sentimentos, com o jogo nu e cru que está passando na TV neste exato momento.

Existe uma turma que adora proclamar que o basquete dos anos 90 é insuperável. Mas pense se é uma comparação justa colocar de um lado uma época em que assistir a um jogo da NBA era um evento sensacional, em que você era um pirralho deslumbrado com o basquete recém descoberto e que seu senso crítico era bastante questionável e do outro a nossa possibilidade de assistir a todos os jogos da rodada, sendo uma porrada deles ruins, depois de um dia inteiro de trabalho e em que o encantamento pelo esporte é completamente diferente.

O que as mentes saudosistas raramente se lembram é que os jogos dos anos 90 também tinham muitas coisas insuportáveis: formas de defesa que eram proibidas e limitavam os confrontos, insistência em determinados modelos de ataques, times recém-criados que eram muito mais fracos que os demais…

Sabiamente, a nossa memória evapora qualquer lembrança de um Los Angeles Clippers e Washington Bullets de 1993 – se é que existia a possibilidade de ver um jogo destes naquela época – para dar lugar aos melhores momentos de Chicago Bulls e Seattle Supersonics.

Partindo desta premissa, é perfeitamente possível imaginar que naquela época existia quem pensasse que “basquete de verdade era aquele jogado nos anos 70” e assim por diante, como se o jogo perfeito fosse aquele criado por James Naismith no final do século XIX e que, desde então, as pessoas só tivessem insistentemente tentado estragar a coisa toda. É claro que não é assim.

Não digo que não havia coisas boas, algumas delas melhores, em outros tempos. Longe disso. Mas contesto o mantra saudosista que ignora o que há de bom atualmente. Que não vê que nunca existiu um cara com o tamanho, força e habilidade de Lebron James. Que a precisão nos arremessos de Stephen Curry, no volume em que ele chuta, com a marcação que tem nos dias de hoje, é algo sem precedentes. Que voar da linha do lance livre para enterrar nos dias de hoje não é mais um evento extraordinário. Que nunca existiu um reboteiro tão bom com o tamanho de Russell Westbrook. Que Kevin Durant é uma aberração, do tamanho de Hakeem Olajuwon mas com movimentos de Tim Hardaway. Que o Golden State Warriors passa mais a bola e é mais envolvente do que o Lakers do Shotime dos anos 80.

Que, enfim, não curte o privilégio que é ver a história ser escrita diante dos nossos olhos.

 

Fantasy: toda a paciência com seu craque será recompensada

É decepcionante mesmo. Começa a temporada, os times entram em quadra uma, duas, três vezes e alguns dos melhores jogadores, bem aqueles que você escolheu no draft, estão numa draga tremenda, com estatísticas bem abaixo do que você esperava. Não se desespere: é normal.

Todo ano é assim, tem gente que começa o ano muito acima da média e outros que começam muito mal. Além do mais, ao longo da temporada também é comum que mesmo os melhores jogadores tenham sequências de dois ou três jogos em baixa. Não é porque esta sequência aconteceu justamente nos primeiros jogos que você deve se assustar com isso, oras.

Os números abaixo da média acontecem também por conta da amostra minúscula de jogos que temos até então. Logo elas serão puxadas para cima com boas atuações. É só esperar.

Por enquanto, ainda é válido das um voto de confiança para:

Karl Anthony Towns (F/C – Minnesota Timberwolves)

Nas duas primeiras partidas Towns ficou com médias de apenas 5 rebotes, rigorosamente metade do MÍNIMO que ele deve fazer noite após noite ao longo da temporada. Os 18 pontos de média registrados nos dois jogos também deve ser o mínimo que ele vai fazer daqui em diante. Vale destacar que o Timberwolvers como um todo começou a temporada com um rendimento meio estranho. Mesmo que o time não decole como o esperado, não há motivos para imaginar que Towns não será um dos dez melhores jogadores de fantasy da temporada.

1474554860_8919575-karl-anthony-towns-stephen-curry-nba-golden-state-warriors-minnesota-timberwolves-834x560

Stephen Curry (G – Golden State Warriors)

Era esperado que a chegada de Kevin Durant ao Golden State Warriors abalasse alguns números de arremessos do atual MVP (são dois chutes e cinco pontos a menos de média, por enquanto), mas o problema é que a participação de Curry no ataque do time diminuiu em todos os fundamentos. A queda de duas assistências e quatro rebotes por jogo não deve se manter nestes patamares.

Carmelo Anthony (F – New York Knicks)

Não vai ser nesta temporada, ainda, que Carmelo terá menos de 20 pontos por jogo de média. O ala está com pífios 22% de aproveitamento nos chutes de fora que com certeza não devem se manter tão baixos. Ainda que seja provável que não consiga repetir a performance nos rebotes que teve na temporada passada, quando teve 7,7 de média por jogo, os números totais de Carmelo devem melhorar nas próximas partidas.

Deandre Jordan (C – Los Angeles Clippers)

Quem joga fantasy por categorias, deve estar estranhando muito que Jordan esteja com ‘apenas’ 48% de aproveitamento nos seus arremessos – o número não é ruim em linhas gerais, mas está muito abaixo do seu padrão de mais de 70% nas últimas duas temporadas. A média de rebotes defensivos também pode aumentar com o passar dos jogos e retomar o patamar habitual.

Brook Lopez (C – Brooklyn Nets)

Aqui o problema é basicamente tempo de jogo. Com uma limitação de minutos em quadra neste começo de temporada, Brook está com uma média de 5 pontos, 3 rebotes, 2 assistências e um toco a menos do que na temporada passada. É até possível que ele não repita os números anteriores, mas a queda não deve ser tão brutal.

Enfim, trocar um craque em baixa é confirmar a queda de rendimento. O ideal é esperar umas duas semanas antes de mexer drasticamente na equipe – isso, claro, vale só para os jogadores das primeiras escolhas que ainda, provavelmente, voltarão aos seus patamares normais de rendimento.

Warriors atrás de uma nova identidade

Sem recordes, sem marcas a bater, sem oba-oba. A derrota na estreia do novo Golden State Warriors não é nada alarmante, mas sinaliza que o primeiro objetivo da equipe é encontrar uma nova identidade. Na primeira partida do campeonato, em casa, onde na temporada passada só foi derrotada uma vez e era quase imbatível nas últimas duas temporadas, o GSW foi derrotado com certa facilidade pelo San Antonio Spurs.

Mais preocupante do que o resultado, foi a diferença de performance em relação ao que era jogado pelo time anteriormente, com desempenhos ruins nos chutes de fora e nos rebotes, duas características muito fortes do Warriors campeão de 2015 e vice de 2016.

O time da casa arremessou 33 bolas de fora do arco e só acertou 7. Um aproveitamento que, se já é ruim nos números, fica ainda pior nas circunstâncias em que aconteceram, já que praticamente metade deles nem foram contestados pela defesa. Era de se esperar que com liberdade para pensar e agir, Curry, Thompson, Durant e Green acertassem mais – afinal, quem errava mil bolas livre era Harrison Barnes, que foi despachado da franquia.

Aproveitamento do Warriors nos arremessos de três

Aproveitamento do Warriors nos arremessos de três

O Warriors também foi massacrado nos rebotes. No geral, o Spurs agarrou 55 deles e o Golden State apenas 35. Aproveitamento baixo nos chutes e falta de rebotes é a receita certa da derrota. Nos pontos de segunda chance, gerados por rebotes ofensivos, a diferença foi ainda mais brutal: 24 a 4 para o San Antonio.

Em resumo, o Spurs até errava, mas recuperava metade das bolas no ataque. O Golden State também errava, mas não conseguia recuperar a posse da pelota.

Ainda que não dê para supervalorizar estes números – é apenas um jogo, o banco do Spurs estava muito inspirado, o do Warriors não -, indica que o Golden State precisa se acertar, especialmente para suprir a ausência de Andrew Bogut. O jogador tinha uma importância fundamental para impedir a recuperação de bola do adversário, por exemplo. Seus suplentes, Pachulia e West, pegaram 4 rebotes em 30 minutos jogados.

currygasol

A falta de rebotes no ataque também me parece um sintoma de um time que tem muitos chutadores abertos (Curry, Durant, Thompson e às vezes Green). Posicionados assim, fica quase impossível recuperar os chutes errados – e tem dias que a bola não cai mesmo.

De positivo, eu vejo a atitude assassina de Kevin Durant no novo uniforme. Se alguém imaginava uma versão mais tímida do jogador em um time estrelado (eu era um deles), estava enganado. Nos primeiros minutos de jogo, Durant ja mostrou que chegou para ser o dono do time. Chutou tudo que podia, lutou pela bola, marcou, deu toco.

Talvez seja o caso do restante do time se adaptar às novas funções. Green mesclar melhor os bloqueios no ataque para tentar livrar Thompson da marcação, se afundar no garrafão para brigar pela bola. Curry se movimentar para o fundo da quadra ao invés de transitar no topo do arco de três.

O estranhamento com os novos papéis é natural, afinal, dois titulares importantes da equipe não estão mais por lá. Dois jogadores que eram especialistas em algumas funções bem específicas.

Então, antes de qualquer coisa, o Golden State precisa se acostumar com sua nova formação. Este começo será tempo de reafirmar em alguns aspectos do jogo, reencontrar sua identidade.

Uma temporada de provação

Toda temporada tem dessas, eu sei, mas parece que esta é especial neste sentido: muitos times e jogadores entrarão em quadra para provar algo que os atormenta. Mais do que o jogo em si, uma tese precisará se confirmar, um mito terá que ser desmentido ou um tabu precisa ser quebrado. Olhando assim para a temporada, antes das coisas começarem, parece que vai haver uma redefinição de papéis a partir do que acontecer na disputa.

A principal destas histórias é a confirmação do favoritismo do Golden State Warriors. Depois de tudo que aconteceu, o time já tinha a obrigação de vencer na temporada passada sob risco de colocar em cheque todos os feitos impressionantes alcançados ao longo do ano – o principal deles, o recorde de 73 vitórias na temporada regular. O time teve números de melhor de todos os tempos e entrou na discussão sobre a melhor equipe de todos os tempos. Mas perdeu e quase tudo foi colocado por água abaixo.

Agora, o time volta a chamar toda a responsabilidade com a contratação de Kevin Durant, incontestavelmente um dos cinco melhores jogadores da atualidade. O time que já era espetacular ficou ainda melhor. Ainda por cima, atraiu Durant justamente pelas suas chances de vencer logo de cara e construir uma dinastia ao seu redor. Se não ganhar, vai parecer que muita coisa foi feita a troco de nada. Não há outra opção, só o titulo interessa para provar que tudo isso teve um propósito justificável.

Steph Curry

A outra grande história da temporada vai ser Russell Westbrook, o jogador que restou em Oklahoma, mostrar que não depende de Durant para ser competitivo. Que pode ser o líder de um time. Que o Thunder pode ser uma franquia forte, que habite o topo da tabela, com ele.

Enquanto Russell e Kevin eram uma dupla, sempre existiu a desconfiança acerca do jogo do armador. Sobre o quanto era eficiente. O quanto as stats avassaladoras faziam bem ao time e não somente a ele mesmo. Agora será possível tirar a prova.

Mas há muito mais coisas em jogo. O San Antonio Spurs vai poder mostrar se é uma franquia vencedora independente do seu maior jogador de todos os tempos, Tim Duncan, que venceu todos os cinco títulos do time. Vai poder provar se sabe fazer uma reconstrução sem recaídas, como parece.

O Los Angeles Clippers vai poder mostrar para todo mundo que unir Doc Rivers, Chris Paul, Blake Griffin e companhia forma um time vencedor, sim. Que é tão forte quanto seus principais concorrentes.

Houston Rockets precisará provar que sabe defender – ou que pode vencer sem defender. Boston Celtics, que melhorou. Dallas e Memphis, que não pioraram.

Dwight Howard tem que mostrar que ainda é útil. Anthony Davis e Joel Embiid, que são saudáveis. Curry, Durant e Thompson, que podem coexistir. Wade, Butler e Rondo idem.

Vish, tem muita coisa em jogo…

Só o Cleveland Cavaliers e Lebron James que não precisam convencer mais ninguém de nada. O Cavs já tirou o enorme peso das costas com o título da temporada passada em uma virada incrível. Lebron já se consolidou como um dos maiores da história – se alguém ainda é louco e não se convenceu disso, não vai ser mais uma campanha absoluta que vai fazer mudar de ideia.

Quem comecem as provações.

[Previsão 16/17] Warriors: só o título interessa

Eu já escrevi há algum tempo aqui o quanto acho que a chegada de Kevin Durant ao Golden State Warriors consegue ser bombástica e cirúrgica ao mesmo tempo. O ala é um dos melhores jogadores do mundo. Ofensivamente ele é praticamente imparável. Defensivamente, quando quer, é monstruoso. E entra em um time que consegue trabalhar como nenhum outro para deixar seus arremessadores em excelentes condições e para defender intensamente o perímetro. Ainda que eu tenha torcido meu nariz quilométrico para a escolha de Durant, eu acho que não tinha lugar melhor para ele se encaixar.

A forma como as coisas se desenrolaram ano passado também serviu como um aprendizado para o GSW: bater todos os recordes possíveis, se tornar um time quase imbatível e cair de forma avassaladora na final é uma narrativa que vai martelar na cabeça dos jogadores para sempre. Se isso for usado para o bem, a equipe só tende a melhorar.

Não que o time vá bater o recorde insano de 73 vitórias na temporada regular. Acho até que é mais provável que pegue um pouco mais leve ao longo dos meses para chegar aos playoffs correndo menos riscos – as lesões de Curry no mata-mata também assustaram o time.

O histórico, inclusive, confirma esta tese. Dos últimos dez times que venceram 67 jogos ou mais ao longo da história, nove caíram de rendimento na temporada seguinte. Não necessariamente ficaram piores, mas é normal levar uma temporada com mais calma tentando se preservar para um mata-mata mais seguro.

Assim como o Spurs, ainda que em outra medida, o Golden State vai ter que se acostumar a jogar sem Andrew Bogut. Mesmo jogando poucos minutos, o pivô australiano era quem fechava a defesa dentro do garrafão para o time. Zaza Pachulia, o substituto, não tem a mesma habilidade na cobertura e na proteção do aro. Draymond Green vai ter que cobrir esta lacuna, com a ajuda de Durant. Não chega a ser um grande problema, mas é o único problema que me vem à mente.

gettyimages-611855456

Há quem fale também em guerra de egos. Não acho que será um problema agora. É sempre difícil dissertar sobre a personalidade de um jogador que a gente só acompanha à distância, mas Durant parece ser um cara fácil de lidar e consciente do papel que tem que desempenhar para encaixar no time. Palpite puro, mas é a minha impressão.

Lá na frente, se o negócio desandar, pode ser que aconteça mesmo. Não existe harmonia que resista à frustração das expectativas – mas daí já é especular além do limite aceitável.

Por conta de tudo isso, não dá para esperar nada menos do que o favoritismo absoluto ao título da NBA.

Offseason
Warriors foi o grande vencedor da temporada de assinatura de free agents. Conseguiu fisgar o craque do ano, contra vários prognósticos. Ainda se saiu relativamente bem quando teve que bolar uma ‘engenharia dos salários’ para acomodar Durant na sua folha de pagamento – conseguiu Zaza Pachulia por ínfimos (na NBA de hoje) 2 milhões de dólares.

Time Provável
PG – Stephen Curry / Shaun Livingston
SG – Klay Thompson / Ian Clark
SF – Kevin Durant / Andre Iguodala
PF – Draymond Green / David West
C – Zaza Pachulia / Anderson Varejão / Javale Mcgee

Expectativa
Atual recordista de vitórias em uma única temporada da NBA, time do MVP dos dois últimos anos e equipe que arregimentou o principal jogador da offseason. Só o título interessa, não?

Harden, Curry e Wiggins: quem fez o tênis mais horroroso?

Um dos maiores feitos para um jogador de basquete é ter um tênis próprio, com seu nome. Não basta ser uma estrela da NBA para ser seus ‘signature shoes’: é preciso ser excelente jogador, uma personalidade popular e ser uma marca vendável.  Dos mais de 400 jogadores da NBA sob contrato de patrocínio com alguma marca, apenas 12 têm um tênis assinado ou batizado com o próprio nome.

Então o jogador se destaca, descola um contrato milionário, a empresa aposta nele e… o cara vomita todo o mau gosto dele num par de tênis. Foi isso que aconteceu nesta semana com o primeiro pisante assinado por James Harden.

harden

Combina com um macacão de fábrica

Não vi o DESCRITIVO da peça, mas pelo visual de ‘Equipamento de Proteção Individual’, não duvido que ele tenha aquela famosa biqueira de aço, providencial para o trânsito numa fábrica, mas dispensável para a prática do basquete profissional – ainda que recomendada em alguns casos. Os fãs de TRILHA e outras atividades parecidas também devem gostar do modelo – o qual não imagino que seja o público-alvo do lançamento.

O visual polêmico e pouco esportivo parece ser uma tendência, aliás. Na semana das finais da NBA, Stephen Curry lançou a linha ‘Curry 2’  e a turma caiu de pau no modelo ‘Chef’.

35231E2400000578-3635936-image-a-51_1465588460163

Z03IR@ com o tênis do Curry: rolou

Aparentemente o pessoal errou na mão ao tentar fazer um tênis ‘old school’, exagerando um pouco nas características ‘old’ da expressão. Ideal para usar com calça de moletom, o Chef foi preterido pela comunidade basqueteira e agradou só os atletas veteranos das modalidades Corte de Grama +65 anos – eu confesso que não achei tão ruim assim, mas talvez seja a minha alma de velho…

Outro que conseguiu defecar em forma de tênis foi Andrew Wiggins no seu primeiro ‘signature shoe’. Parece que na tentativa de fazer algo inovador e de alta performance, a rapaziada da Adidas desenhou o tênis definitivo para esportes radicais – um treco um pouco distante das características tradicionais dos sneakers de basquete.

wiggins

Do avesso deve ser lindo

Eu, que nunca fui muito fã destes tênis modernos de basquete – sempre achei mais legal os Air Jordans antigos -, já comecei a ser mais simpático com os KD, Lillards e Lebrons de sempre…

Encaixe quase perfeito para um time quase imbatível

Eu já falei aqui que me decepcionei com a escolha de Kevin Durant de se juntar ao Golden State Warriors. Fosse eu, faria diferente. Mas, sei lá também, ele sabe o que faz da vida e agora a escolha já foi tomada. Resta aos torcedores dos outros 29 times secarem o time de São Francisco porque, ao meu ver, Durant leva ao Golden State exatamente o que o time precisava para se tornar quase imbatível. Para a tristeza de muitos e alegria de alguns, a equipe vira uma máquina.

É difícil fazer um prognóstico mais detalhado sem saber o desfecho da negociação de Andre Bogut, que deve ser trocado, e, principalmente, como o time vai encontrar um pivô para recompor seu quinteto titular. Mas independente disso, já dá para imaginar que a death lineup do Warriors será ainda mais filhadaputamente mortal com Kevin no lugar do CRAQUE INCOMPREENDIDO Harrison Barnes.

Bom, para resumir tudo, só relembro aqui que o Warriors perdeu por um jogo e Barnes chutou 9 de 29 nos arremessos de três – a maioria esmagadora deles livres. Tivesse só um braço de Kevin Durant no lugar, eu garanto que o dobro de bolas cairiam nas mesmas condições.

0728490001467212179_filepicker

Fodeu pra todo mundo galera, corram enquanto ainda há tempo

Mas é isso, eu não vejo um time mais forte na história do que esse quinteto do Warriors. Fãs do Bulls dos anos 90, Lakers e Boston dos anos 80 que me perdoem, mas o GSW do ano passado já estava na conversa para ser tão bom quanto esses e agora adicionou o maior pontuador nato que o basquete tem nesta geração (e tão bom quanto Jordan e Chamberlain nisso, tanto é que tem a terceira média na história em pontos por partida na carreira).

Para se ter uma ideia do poder de fogo, o GSW da próxima temporada reúne os jogadores que ganharam os últimos três títulos de MVP e cinco dos últimos sete títulos de cestinha da temporada.

Não vejo como a combinação possa dar errado. Durant tem as características do time, tanto no ataque quanto na defesa. É a alternativa para carregar a bola que foi Draymond Green nas últimas duas temporadas, mas com mais talento. É um chutador sensacional como os colegas Stephen  Curry e Klay Thompson. Longilíneo o suficiente para desafogar Green e Iguodala na defesa.

Também não imagino que vá faltar bola para este time, pois imagino que Klay Thompson é um jogador que pode se dar muito bem como spot up shooter (aquele jogador que se movimenta sem a bola em busca do melhor espaço para arremessar) e não é um cara que precisa segurar a bola para aparecer no jogo. O mesmo eu penso de Draymond Green, que é ainda melhor fazendo o trabalho sujo no weak side (lado da quadra em que a bola não está), com bloqueios fora da bola justamente para Thompson ou para a dupla Durant/Curry.

Seja lá quem o time for usar como pivô titular, imagino um encaixe perfeito de Durant neste time e, veja só, é um dos melhores jogadores se encaixando perfeitamente na melhor equipe da atualidade (aquela que bateu o recorde histórico de vitórias em uma temporada…).

Mesmo assim, o time não é imbatível. Spurs acabou de assinar com Pau Gasol, um jogador que parece que deveria ter ido para San Antonio há dez mil anos pelo seu estilo de jogo, e Cleveland Cavaliers mostrou que é um time que pode se superar num embate de playoff contra uma equipe mais forte.

Resta esperar. Mas a próxima temporada vai ser Golden State Warriors contra a rapa.

Page 1 of 4

Powered by WordPress & Theme by Anders Norén