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Finalmente chegou o último dia de contrato de Gilbert Arenas

É hoje, 31 de outubro de 2016, que Gilbert Arenas recebe os últimos dólares do pior contrato multimilionário que uma franquia já fez em toda a história da NBA. Depois de idas e vindas, dispensas, trocas e renegociações, finalmente o armador encerra o seu vínculo com a liga.

O trambolho de 111 milhões de dólares foi assinado há oito anos. Arenas não joga uma partida profissional por qualquer time da liga há seis. Depois da canetada, jogou por três times, numa média de 30 partidas por temporada. Mas pior do que as lesões, se envolveu numa das tretas de vestiário mais cabulosas que se tem notícias. E só agora, finalmente, algum time vai parar de pagar Gilbert para ficar em casa.

Mas vamos com calma. O negócio não era tão cabeludo quando começou, lá em 2008. Ele piorou com o tempo. No começo, Arenas era uma estrela emergente, um pontuador nato, o símbolo de uma franquia em ascensão, o Washinton Wizards. Agent Zero era três vezes all star, uma delas como titular.

O único porém para que ele assinasse um contrato máximo, na época de 127 milhões, era que o armador tinha perdido quase toda a campanha de 2007-2008 por conta da recuperação de uma cirurgia no joelho. Foram só 13 partidas no sacrifício. Mas, depois de um ano inteiro de molho e mais um verão só para retomar a condição física, time e jogador chegaram a um acordo ‘bom para ambas as partes’: 111 milhões por seis temporadas.

O combinado parecia uma boa, já que dava alguma margem para a franquia contratar mais talentos e renovar com os colegas de Arenas, e dava um desconto ao jogador pela sua condição física duvidosa. “O que eu posso fazer com 127 milhões que eu não posso com 111 milhões?“, comemorou Gilbert na época.

Só que as coisas entraram num espiral sinistro a partir daí. A recuperação física do jogador não rolou conforme o previsto e Arenas já perdeu praticamente a primeira temporada inteira do novo vínculo. Entrou em quadra em apenas dois jogos, na tentativa de dar alguma esperança aos torcedores do time que na temporada seguinte, pelo menos, o time do Wizards estaria completo para disputar o torneio.

No ano seguinte, mais de 400 dias depois de ter renovado com o time, finalmente um Arenas inteiro entra em quadra. E, melhor de tudo, fazendo o que se esperava dele: era um dos cestinhas da temporada, com um punhado de jogos fazendo mais do que 30 pontos. Em dezembro, com a temporada em pleno vapor, Arenas anotou seu primeiro triple-double da carreira. Duas semanas mais tarde, meteu 45 pontos contra o Mavericks. Arenas tinha voltado à velha forma!

Justamente quando estava no auge da recuperação, vazou uma informação que enterraria a reputação e abalaria a carreira do jogador para sempre: por uma estupidez tremenda, Arenas mantinha armas no seu armário no seu vestiário em Washingston. Um dia, depois que o reserva Javaris Crittenton o cobrou uma aposta banal, Arenas sacou a arma e apontou para o colega dentro das dependências do clube.

Além de violar as regras do estado, Gilbert também quebrou o acordo dos atletas de que eles não poderiam portar armas de fogo em eventos da NBA – uma recomendação meio óbvia, mas que Arenas sabe-se lá por qual motivo não seguiu. Investigado pela liga, o jogador pegou uma suspensão de 50 partidas, que o tirou de ação para o restante da temporada.

A treta toda foi brutal para a carreira do jogador, que era um ‘Dwight Howard feliz’ – daqueles que estão fazendo piadas o tempo todo, midiático, super carismático a ponto de ninguém mais levar a sério. Ele até alegava que o incidente das armas era, no fundo, uma brincadeira incompreendida.

Arenas fazendo um gesto bem apropriado na entrada do jogo

Arenas fazendo um gesto bem apropriado na entrada do jogo

Depois da suspensão, ele voltou para a temporada seguinte, mas, completamente apático, e mais debilitado fisicamente, o jogador nunca mais foi o mesmo. Ele mudou seu número de 0 para 9 alegando que era um novo cara. Nas fotos da pré-temporada, Arenas não abriu um sorriso sequer.

Por conta da apatia e falta de clima para seguir na franquia, o jogador foi trocado para o Orlando Magic, que tinha alguma esperança de reabilitá-lo e queria se desfazer de outro contrato absurdo da época, os mais de 90 milhões de Rashard Lewis.

Não deu muito certo e Arenas foi dispensado ao final da temporada. Como negociação para o pagamento do que o jogador ainda tinha direito sob contrato, o Orlando decidiu fatiar os quase 40 milhões restantes em cinco anos ao invés de dois, fazendo com que Arenas recebesse uma aposentadoria de quase 12 milhões anuais de 2012 a 2016.

E hoje é o último dia deste contrato maravilhoso para ele e péssimo para seus empregados. Pelo menos ele fez um bom proveito disso (comprou seu próprio aquário para tubarões, paga 5 mil por mês para um caseiro cuidar da sua mansão de sete quartos e dez banheiros, entre outras coisas).

Agora, o tempo finalmente passou e a fonte secou. Boa sorte na busca de um novo emprego tão bom quanto o antigo.

[Previsão 16/17] Wizards: o limite do talento de Wall e Beal

No começo da temporada passada, John Wall e Bradbley Beal se autoproclamaram a melhor dupla de armadores da NBA – melhores do que Klay Thompson e Stephen Curry, por exemplo. E obviamente que, como acontece quase toda vez que alguém fala algo desse gênero e chama a responsabilidade para si, os dois falharam no objetivo primordial da dupla que era superar a campanha do ano anterior, quando foram eliminados na semifinal de conferência. O time não só falhou nisso, como fracassou na briga pelos playoffs, acabando em décimo na Conferência Leste. Fracasso total.

Para piorar as coisas, os dois passaram a se estranhar. Wall se frustrou com a baixa frequência do companheiro em quadra e Beal não curtiu o monopólio de Wall no domínio da bola e ações ofensivas do time.

Neste ano, mais do que devolver o time à briga pelos playoffs, Wall e Beal têm que resgatar a confiança da liga nos dois. O primeiro tem que mostrar que é ‘mais do que um excelente jogador’ e que é capaz de carregar o time, enquanto o segundo precisa provar que tem saúde para ser um dos melhores shooting guards da NBA.

O sucesso do Wizards depende inteiramente do talento de ambos.

Offseason
O verão em Washington não foi dos melhores. O time não foi capaz de fazer Kevin Durant sequer sentar para conversar com os executivos do time e não contratou nenhum reforço de peso. A maior novidade foi a contratação de Scott Brooks, um técnico muito mais competente que o ultrapassado Randy Wittman.

Dentro de quadra, a principal contratação foi o pivô Ian Mahinmi. Se isso é um reforço, eu já não tenho tanta certeza…

Time Provável
PG – John Wall / Trey Burke /
SG – Beadley Beal / Tomas Satoransky / Marcus Thornton
SF – Otto Porter / Kelly Oubre
PF – Markieff Morris / Andrew Nicholson
C – Marcin Gortat / Ian Mahinmi

Expectativa
Exceto por Gortat, o time é composto basicamente por jovens talentosos que devem, em um futuro próximo, colocar o Wizards nos playoffs por um bom tempo. A franquia até tem elenco para brigar por uma vaga no mata-mata deste ano, mas a incerteza sobre um plano de jogo bem definido desde o princípio da temporada pode fazer com que o time, mais uma vez, fique no ‘quase’. A falta de reservas um pouco mais confiáveis também pode melar os planos da franquia caso Beal volte a se machucar.

Nene em Houston é melhor que Nene em Washington

O pivô brasileiro Nene acertou com o Houston Rockets para esta temporada. Não é uma contratação que vá abalar o mercado da NBA ou mudar os rumos de uma franquia, mas acho que foi uma escolha boa para o jogador.

Nem acredito que Nene terá uma participação muito importante no time. Acho até que poderia ter mais minutos em outro time mais irrelevante na NBA hoje. Mas imagino que com a contratação do técnico Mike Dantoni, o Houston Rockets tem tudo pra ser uma das equipes mais divertidas para se acompanhar na próxima temporada – especialmente se você não torcer para o time e quiser ver os jogos de maneira despretensiosa – e a capacidade de Nene em atacar como um trato e passar a bola podem combinar com o estilo de jogo que se prevê para o time.

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Contrato de Nene é de um ano, apenas

Imagino um Houston muito rápido com a bola. Harden puxando o contra-ataque de forma alucinante, com Trevor Ariza e Ryan Anderson sempre abertos nas laterais prontos para chutar de três. Dos jogadores de garrafão do Rockets, Nene com certeza é a opção com melhor visão de jogo e mais capacidade de encontrar quem está livre fora do arco. Não imagino que ele jogue como titular, mas nos momentos em que estiver em quadra pode ser bem útil.

Falando um pouco mais sobre o Rockets, pode não dar nada certo, já que um time sem defesa tem seu destino reservado para o fracasso em boa parte das vezes, mas tenho certeza que vai ser uma evolução brutal em relação ao esquema das últimas duas temporadas, que se baseavam basicamente em Harden batendo bola até encontrar uma brecha para infiltrar e cavar a falta – cobrou 200 lances livres a mais do que o segundo colocado na liga neste período.

Voltando ao Nene: no Washington, ela já era uma figura cada vez mais desimportante. Gortat era um cara que adicionava ao time as mesmas ferramentas que Nene tinha capacidade de prover, mas com muito mais vigor físico que o brasileiro. Já tinha dado pra ele por lá.

No Houston, deve ser reserva de Clint Capela, que combina muito mais com a correria esperada com Dantoni e que se desenvolve para ser uma ameaça defensiva mais imponente do que Nene é. Mesmo assim, devem pintar uns minutos para o brasileiro. E, como eu disse, se não é para jogar muito lá nem cá, que pelo menos seja no time com um basquete mais divertido.

Se é pra não jogar muito lá ou cá, que pelo menos seja divertido e com mais chances de ir longe nos playoffs que, neste caso, é com o Houston Rockets.

 

Para onde Durant vai? NÃO é pra Washington

Nem sei se isso é notícia, mas soltaram quais são os times que Kevin Durant se interessou em conversar para ouvir propostas e projetos para sua eventual assinatura como free agent e o Washington Wizards não é um deles. A princípio, o jogador vai sentar com os executivos do seu time atual, o Oklahoma City Thunder, e dos seus principais rivais do Oeste, Golden State Warriors e San Antonio Spurs. Celtics, Heat e Clippers também terão uma oportunidade para convencer o ala.

Muita gente em Washington alimentava a esperança que Durant poderia figurar no time por ter sido criado na região e sempre apoiar as equipes da cidade em todos os esportes. Da mesma forma que Lebron voltou para Cleveland e Carmelo assinou com o New York Knicks, tinha quem acreditasse que KD poderia se seduzir pela oferta de jogar na sua cidade natal. Não vai rolar.

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Durant tem reuniões com seis times. Nenhum deles é o Wizards.

Para falar bem a verdade, Kevin já dava algumas pistas disso. Vários reports mostravam que ele tinha um receio de jogar em Washington e ter que reerguer uma franquia inteira nas costas – ainda que com a ajuda de talentos como John Wall e Bradley Beal. Outra é que ele sempre pareceu muito mais inclinado em renovar com o time atual do que assumir uma nova empreitada – e neste caso faz todo o sentido ouvir proposta de outros times contenders como Warriors e Spurs, para sinalizar para a diretoria do Thunder que ele está atrás de um time vencedor. Se querem mantê-lo, que tratem de garantir uma equipe competitiva para ele.

No final das contas, todo mundo que dizia que Kevin Durant estava perto de assinar com o Wizards estava, na verdade, dando um chute muito mal dado, baseado somente em associações preguiçosas sem fundo de verdade.

Brooks no Wizards não tem nada a ver com Durant

A especulação é a invenção com outro nome. O ex-técnico do Oklahoma City Thunder Scott Brooks foi anunciado ontem como o novo head coach do Washington Wizards. E, desde então, só se fala que a contratação foi a última cartada da equipe para conseguir Kevin Durant na próxima offseason. O pessoal que PLANTA este tipo de informação se baseia no fato de que, ao final de seu contrato, Durant consideraria jogar no seu time de infância e a chegada do seu antigo treinador facilitaria as coisas.

Eu não me canso de me irritar com este tipo de coisa. É o tipo de raciocínio preguiçoso e reducionista. Sinceramente, quantos caras deste calibre FORAM ATRÁS de um técnico nestas condições? Eu não sei de nenhum. Superestrelas como Durant não vivem disso. Basicamente, o que atrai os jogadores é um excelente contrato e a maior chance de ganhar (especialmente para aqueles que já estão na liga há algum tempo e nunca foram campeões). E, sinceramente, KD vai descolar um contrato máximo em qualquer equipe e não é o Wizards que, de imediato, vai dar as maiores condições para um título.

Falar este tipo de coisa é também desconsiderar totalmente o contexto do time do Wizards e da contratação do treinador. Washington veio de uma temporada muito decepcionante. O time teve uma boa campanha de playoffs no ano passado e, com um time novo, era de se esperar que ficasse entre os quatro primeiros do Leste. Por mais que o time tenha sofrido com algumas lesões, era óbvio que a batata de Randy Wittman, técnico do time até então, ia assar caso a equipe não vingasse as expectativas. Naturalmente foi o que aconteceu.

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Os dois trabalharam juntos por sete anos. E daí?

Sem treinador, o Washington tinha que ir à caça. O mercado tinha bons nomes à disposição. O melhor deles, Tom Thibodeau, fechou com o mais promissor dos times sem treinador, o Minnesota Timberwolves. Scott Brooks e Wizards eram os segundos na linha de melhores técnicos sem times e times sem técnicos, respectivamente. Pronto. É isso que justifica a contratação, sem maiores mistérios.

Nada indica que Durant e Brooks tenham uma relação turbulenta, longe disso, mas é de se suspeitar que se o jogador fizesse tanta questão assim de jogar com o técnico, Scott poderia ainda estar no banco do Oklahoma City Thunder – não é raro que os jogadores deste calibre ditem as regras nas franquias, mais ou menos como aconteceu em Cleveland, com David Blatt e Lebron James.

Quando Scott foi demitido do Thunder, exatamente um ano, Durant postou no seu instagram uma mensagem sobre o acontecido. Apesar de um tom emocional, o jogador afirmou que “apoiava 100%” a decisão da franquia.

Descontado todo o blábláblá, acho uma boa adição ao time da capital. A principal crítica a Brooks era basear o jogo somente nos seus principais jogadores, sem uma variação muito criativa no playbook. Vamos ver como se sai agora sem super craques do nível de Durant e Westbrook e “só” com excelentes jogadores como Wall e Beal. Por outro lado, se deu muito bem em um elenco recheado de jovens talentos – além da dupla, trabalhou na evolução de Serge Ibaka, James Harden e Reggie Jackson. Diante do cenário, acho a melhor aposta possível.

Ao meu ver, a escolha por Brooks tem muito mais a ver com isso do que com Durant.

Wild East – NBA de ponta-cabeça

Nos últimos 15 anos, nos acostumamos com um desequilíbrio abissal entre as conferências Leste e Oeste. Recentemente, vimos casos de que três vitórias de diferença eram suficientes para um time se classificar entre os quatro melhores do lado do pacífico ou para tira-lo dos playoffs. Uma insanidade.

Neste ano, a ferocidade da competição mudou de lado. A conferência Oeste ainda tem os três melhores times disparados da liga, mas boa parte das posições para os playoffs já estão bem definidas, com chances de uma disputa ferrenha até o final da temporada regular só para uns três times. Já no Leste, o CAOS se instalou.

Cinco vitórias separam o terceiro do oitavo colocado. Dois jogos separam o oitavo do décimo. A cada jogo, os classificados e a ordem dos finalistas muda. Os mandos de casa, idem. Nem mesmo a ponta da tabela está definida: Cleveland Cavaliers entregou alguns jogos fáceis e viu o time do Toronto Raptors crescer e ameaçar a primeira posição.

leste

Além de ter dez potenciais times com chances de pós-temporada, é impossível determinar quem seriam os favoritos nos confrontos de playoffs. Digamos que a temporada regular acabe hoje: é fácil cravar que Golden State, Spurs, Thunder e Clippers entram para passear na primeira fase do mata-mata, mas dá para dizer o mesmo nos confrontos entre Cavs e Bulls, Toronto e Indiana, Boston e Charlotte e Miami e Atlanta? Tudo pode acontecer.

Houve um ‘achatamento’ na qualidade dos times do Leste. Quem estava no topo, caiu ou não inspira tanta confiança. Cleveland não conseguiu evoluir muita coisa do time do ano passado e a diferença para os outros times diminuiu. Toronto Raptors embalou no final, mas joga cercado da desconfiança de que sempre afina nos playoffs. Hawks, que ano passado dominou boa parte da temporada, parece um time sem fôlego e que já deu o que tinha que dar.

Os demais evoluíram bem, mas ainda tem seus pontos fracos. Miami Heat conseguiu encaixar o time formado no ano passado e tem os melhores titulares dos restantes – mas sofre com a lesão de Bosh, seu melhor jogador. Boston Celtics montou uma equipe com nove titulares, mas todos sem experiência de playoffs. Pacers e Hornets oscilam entre o brilhantismo de seus principais jogadores e a morosidade dos seus coadjuvantes. Bulls ainda precisa se confirmar diante do decepcionante-mas-agora-embalado Wizards e do jovem e ainda em desenvolvimento Orlando Magic.

A briga ainda podia ser mais insana. Milwaukee Bucks tinha tudo para estar no bolo – exceto pelo fato que nunca conseguiu mostrar a que veio – e o New York Knicks por uma boa parte do campeonato lutou na parte de cima da tabela. Se neste ano não estão na briga, ano que vem podem deixar a conferência ainda mais imprevisível.

Acho isso sensacional. Apesar de a conferência não estar nivelada pelo melhor basquete do mundo (que ainda é jogado pelos melhores times do Oeste), a competitividade voltou. É impossível dizer quem enfrenta o Warriors (ou o Spurs, no caso de uma zebra) na final. Bom para a liga.

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